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empreendedorismo

Bordado que salva: associação empodera mulheres em vulnerabilidade social

13 de março de 2023 | 1

AMAPA, no interior da Bahia, ajuda mulheres desempregadas a alcançarem sua própria fonte de renda através do artesanato.  

A AMAPA – Associação das Mulheres Artesãs Padre André –, que tem sua sede em Correntina, na Bahia, constituída pela união de mulheres, foi criada em outubro de 2012 por Alderice Cézar França. Porém, a origem da sua história começou bem antes dessa data.  

Em 1980, Padre André criou um curso de corte e costura, com o objetivo de profissionalizar mulheres carentes e inseri-las no mercado de trabalho, dando a oportunidade de ter sua própria renda. Desde então, muitas famílias foram beneficiadas por essa ação. No entanto, mesmo sendo um grande sucesso, os custos para manter o curso com profissionais e materiais eram muito altos. Assim, o reverendo precisou encerrar o movimento.  

Após 25 anos, a Prefeitura de Correntina fez uma parceria com a paróquia e criou o projeto “Ateliê de Corte e Costura”, com a mesma finalidade:  profissionalizar mulheres carentes. Essa união dura até os dias atuais, mas, na época, vendo a instabilidade gerada pela mudança de gestores no munícipio, a liderança do projeto decidiu ampliar as atividades para agregar, na grade, aulas de bordados à mão. Percebendo o talento dessas mulheres e como forma de homenagem ao Padre André, criou-se a AMAPA. Atualmente, a entidade é um dos projetos sociais parceiros do Sou de Algodão.

O movimento vai completar 11 anos em outubro, ele ensina de 15 a 20 mulheres mensalmente e transforma a vida delas através do artesanato. “Hoje somos uma associação que visa e incentiva, através dos nossos cursos, o cooperativismo. As pessoas por trás do projeto são mulheres, donas de casa, a maioria sem outra fonte de renda que não seja a do marido”, comenta Jânia Correia, colaboradora do projeto e designer de moda.  

Confira nosso bate-papo com ela: 

SdA – Qual o objetivo do movimento?  

JC: A AMAPA criou espaço e oportunidade para o resgate da história local. Nossos bordados contam história. Oferecemos cursos gratuitos às mulheres carentes e condições de se tornarem produtivas de modo a aumentar sua autoestima e valorização pessoal. Com isso, geramos oportunidade de integração social e uma forma de fonte de renda.  

O intuito maior é trazê-las para o associativismo e o cooperativismo, fomentando ainda mais a economia criativa e inclusiva. Como resultados, já tivemos mais de 200 alunas nos cursos ofertados, em parceria com a Prefeitura Municipal.  

Sda – Como essas peças chegam ao consumidor final? 

Mantemos nossa comercialização de uma forma ainda tímida. Só agora pudemos ter um site e redes sociais para divulgação dos nossos produtos. Nossos bordados estão ganhando relevância no contexto do município, em seus aspectos sociais, econômicos e culturais. Essa etnografia objetiva mostrar, através das memórias das bordadeiras, a trajetória trilhada por essas mulheres, desde o início da prática dos bordados até os dias atuais, passando de uma prática de cunho estritamente familiar até tornar-se, atualmente, uma prática com forte inclinação comercial.  

SdA – Qual o impacto social do movimento para essas mulheres?  

JC: Fomentamos a economia solidária local. Os bordados fazem parte, antes de tudo, da história e da nossa cultura, carregando consigo elementos fortes da região. Nossos objetivos são: produzir peças em bordado a mão utilizando técnicas aprendidas, deixadas de pai para filho; oferecer cursos gratuitos às mulheres em vulnerabilidade social; ofertar condições de se tornarem produtivas; e inseri-las no mercado de trabalho. 

SdA – Tem alguma história marcante de alguém que passou pelo movimento? 

JC: Temos sim, nossa grande incentivadora desde o início, Alderice Cezar França. Não tínhamos condições e ela era quem comprava o tecido de pano de prato, que é puro algodão, para todas bordarem.  

Além disso, tem uma pessoa que mora nos Estados Unidos, primo de uma amiga que visitou a nossa cidade e veio conhecer nosso trabalho. Achou tão incrível que comprou uma alta quantidade para nos ajudar, isso aconteceu há 3 anos e, desde então, todo ano ele vem para o Brasil e leva nossas peças para os Estados Unidos. 

SdA – Quais as principais dificuldades que essas mulheres encontram para inserção no mercado de trabalho?  

JC: Nossa cidade é no interior da Bahia, onde a maioria ainda vive e sobrevive do que planta e colhe em suas pequenas fazendas. 

Apesar da cultura do bordado a mão estar em nossas veias, o que ocorre é que muitas pessoas só fazem para uso próprio. Então, tem uma dificuldade na hora de comercializar os produtos. Tem peças que demoram para serem produzidas e ficam bastante tempo paradas até serem comercializadas, atrasando a remuneração da artesã.  

SdA – Qual o papel do algodão nessa história?  

JC: Nós optamos por trabalhar com o tecido de algodão, porque muitas de nós, desde pequenas, tivemos o contato com a fibra. Foi com a avó ou a mãe no tear manual, com a produção de fios na roca de fiar e com o algodão plantado nas pequenas fazendas da nossa zona rural, onde se produzia o tecido das próprias roupas, tanto de vestimentas como cama e mesa. Foi no tecido de algodão que tivemos o primeiro contato com o ponto de cruz, o bordado a mão e a contagem das linhas para fechar o ponto. 

ENCOMENDAS PODEM SER FEITAS POR WHATSAPP: (77) 99967-1152. MAIS INFORMAÇÕES: http://amapacrr.com.br/home/ .


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