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blog / Da perda total à referência mundial: a incrível história do algodão no Brasil

algodão & sustentabilidade | 19 de fevereiro de 2020 | 2

Quem olha para uma lavoura de algodão em época de colheita, pode imaginar que se trata de um cenário de sonhos: tudo branquinho, perfeito para uma boa foto, poético. Porém, por trás da beleza de uma plantação bem cuidada e produtiva está uma história que envolveu perdas e persistência dos produtores. O bicudo, uma das pragas mais temidas das lavouras, foi um grande divisor de águas na história do algodão no Brasil. E foi também graças ao imprescindível investimento em tecnologia que hoje somos o maior fornecedor de algodão responsável no mundo! 

E pra entender essa trajetória fascinante, vamos do começo. 

O BICUDO E A GRANDE CRISE DO ALGODÃO

O algodão tem uma história antiga no Brasil. Relata-se que os indígenas já tinham conhecimento e transformavam a fibra em fios e tecidos rústicos. Porém, foi em 1750 que o país descobriu o potencial comercial de sua produção agrícola, fazendo do algodão um verdadeiro ouro branco para a economia interna. 

Até a década de 1980, o Brasil foi um dos maiores produtores e exportadores mundiais da fibra. E tudo ia muito bem, especialmente na região Nordeste, até que, no final da década, um inseto trazido do exterior causou uma infestação jamais vista nos algodoeiros.  

Chamada de bicudo-do-algodoeiro, a praga se alastrou de tal forma que destruiu plantações inteiras na região Nordeste. Famílias perderam tudo e produtores se desesperaram com uma situação que parecia não ter solução. Entre 1981 e 1995, a área de plantio foi drasticamente reduzida em mais de 60% e 800 mil pessoas ficaram desempregadas. Ainda hoje ela é considerada uma das maiores pragas da cotonicultura mundial de todos os tempos.

Bicudo ataca a produção e não deixa a maçã (foto) evoluir para o capulho | Foto: divulgação Abrapa

E não foi apenas isso que destruiu a produção do algodão nacional. Nessa mesma época, os produtores enfrentaram drásticas mudanças nas políticas econômicas e comerciais e abertura maior à importação. Além de tudo, produtores e indústrias têxteis precisaram encarar a concorrência desleal dos produtos importados e muitos acabaram desistindo de seus negócios. 

A RETOMADA DA PRODUÇÃO DO ALGODÃO

Foi apenas no final da década de 1990 que a cultura algodoeira conseguiu se reerguer. Nessa época, a produção foi retomada nos estados de São Paulo, Paraná e no Cerrado, especialmente, no estado de Mato Grosso. Posteriormente, o Nordeste também retomou sua produção algodoeira, mas foi superado pela alta competitividade das regiões do cerrado, que apostavam no sistema empresarial de gestão e tiveram uma surpreendente adaptabilidade das lavouras ao solo e clima.  

Neste contexto, o Estado do Mato Grosso está há mais de duas décadas liderando a produção no Brasil. Hoje, ele corresponde a mais de 67% do total do algodão em pluma nacional!  

Com a lição aprendida, hoje a imensa maioria das lavouras de algodão utiliza tecnologia de ponta e conta com a proteção de defensivos com uso responsável. Sem essas ferramentas de inovação, a produção de algodão pode ser prejudicada de 75% a até 100% pela praga bicudo-do-algodoeiro, causando enormes prejuízos financeiros, sociais e também ambientais.  

ALGODÃO RESPONSÁVEL, REFERÊNCIA MUNDIAL 

Abrapa – Associação Brasileira dos Produtores de Algodão – foi uma das grandes responsáveis pela retomada do algodão e seu desenvolvimento sustentável. A entidade, criada em 1999, passou a encabeçar a abertura de novos mercados e instituiu o ABR – Algodão Brasileiro Responsável. 

Tal programa opera em benchmark com a Better Cotton Initiative (BCI), uma frente internacional de valorização e rastreamento da pluma que estabelece critérios de produção. Por sua vez, o ABR vai além e garante que o produto vem de fontes confiáveis e com práticas ainda mais sustentáveis. E isso quer dizer que o ABR certifica toda a produção de algodão sustentável do país seguindo os pilares de respeito social, ambiental e econômico. 

Portanto, o grande objetivo do ABR é oferecer um produto que atenda a uma consciência global. Sua origem é ligada à dignidade do trabalhador do campo, às boas práticas de preservação do meio ambiente e relações econômicas justas e equilibradas.  

Com todos esses esforços, atualmente a Abrapa é referência em organização e credibilidade entre as cadeias do agronegócio brasileiro. Junto a ela, o programa Algodão Brasileiro Responsável e o movimento Sou de Algodão colaboram para o avanço desta perspectiva positiva do mercado. 

E ainda tem muito pela frente! Orgulhe-se do que é nosso, conheça a trajetória da sua roupa, estimule o consumo consciente. Grandes transformações sempre nascem de pequenos gestos. 

2 comentários
  1. Daniel Haraguchi Santos
    Daniel Haraguchi Santos says:

    Olá, gostaria de ter o conhecimento sobre o autor da publicação, para que possa citar o mesmo como referência em um possivel artigo científico.

    Responder
  2. Teresa
    Teresa says:

    Sou grata pela aula que recebi. Acredito no poder da mídia qnd nos faz conhecer melhor nossa história. Sugiro divulgar esse site em todos os produtos do algodão. Amo vestir algodão! Algodão tranquiliza!

    Responder

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