Quem escolhe produtos feitos de algodão em lugar de artificiais e sintéticos sai na frente quando o assunto é meio ambiente. Isso porque a fibra, que há mais de sete mil anos é a preferida da humanidade na confecção de roupas e muitos outros artigos, já é naturalmente biodegradável, saudável e reciclável. Mas, para além desses atributos “de fábrica”, o algodão produzido no Brasil tem outra vantagem: ele é sustentável. Isso significa que a sua produção como atividade econômica levou em consideração parâmetros corretos tanto do ponto de vista ambiental e social quanto econômico.

O Brasil tem um programa que assegura a sustentabilidade do algodão que produz, o Algodão Brasileiro Responsável (ABR). Ele opera em benchmark com outra iniciativa mundialmente reconhecida, a Better Cotton Iniciative (BCI), que está presente em 21 países. A parceria ABR/BCI contribuiu para fazer do Brasil o campeão mundial de fibra comprovadamente sustentável, com 31% do montante chancelado pela entidade internacional na safra 2018/2019.

O programa ABR, criado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), é gerido em cada estado produtor de algodão pelas associações filiadas à entidade. O cotonicultor que adere ao ABR pode, automaticamente, optar por ser também licenciado pela BCI. Essa adesão é voluntária e, ao fazê-la, ele se compromete a cumprir um rígido protocolo de boas práticas agrícolas nas suas fazendas, que contempla 224 itens só na fase de verificação para diagnóstico que antecede a certificação, e outros 178 para a finalização do processo, que culmina com a expedição do certificado e a consequente emissão dos selos que serão fixados nos fardos.

Esses requisitos vão desde os aspectos gerenciais dos empreendimentos agrícolas até o cumprimento da legislação brasileira Ambiental e Trabalhista, que são consideradas das mais avançadas do mundo. Incluem, ainda, a observância das normas de segurança do trabalho, a proibição da utilização de mão de obra infantil e de trabalho forçado ou análogo a escravo, além da proteção ao meio ambiente, com aplicação de boas técnicas agronômicas na produção.


Evolução contínua

E não basta conseguir a certificação/licenciamento num ano para achar que o trabalho acabou. É preciso alcançar metas que se tornam um tanto mais complexas a cada ano. Afinal, sustentabilidade é evolução. Os percentuais de conformidade atingidos pelas Unidades Produtivas (as fazendas) devem ser de mínimo de 85% na primeira safra de certificação; 87% na segunda; 89% na terceira e de 90% na quarta safra. O caminho até a certificação é composto de cinco passos, e todos os resultados são auditados por diferentes empresas de certificação externa (Auditoria de Terceira Parte), de renome internacional.


Demanda consciente

Um consumidor mais consciente na ponta da cadeia produtiva faz com que a demanda pela sustentabilidade se dê direto da loja até o campo. Por isso o mercado varejista, os estilistas, designers e todos aqueles que pensam a moda, cada vez mais estão familiarizados com as siglas ABR e BCI, e muitas marcas famosas, como Adidas, Nike, C&A, IKEA e outras se comprometeram a, até 2020, utilizar unicamente algodão certificado em suas coleções.


Simbiose

A parceria entre o ABR e a BCI traz benefícios também aos dois programas. Por um lado, o ABR, por ser nacional, implica num número muito maior de itens a serem cumpridos pelo cotonicultor, uma vez que o programa leva em consideração as legislações Ambiental e Trabalhista brasileiras, o que aumenta o desafio a quem se habilita e a confiabilidade da certificação. Já a BCI, como um programa global, contribui para ampliar os horizontes para o nosso algodão.


Números

Do total de algodão produzido no globo, 19% são licenciados pela BCI.

No Brasil, a área plantada certificada ABR para a safra 2018/19 foi de 1,3 milhão de hectares, número 38% superior ao da safra 2017/18.

Já a produção de pluma certificada ABR no Brasil na safra 2018/19 foi de, aproximadamente, 2,2 milhões de toneladas, número 42% superior ao alcançado na safra 2017/18. Para o BCI, a previsão de licenciamento é de 2,1 milhões de toneladas de pluma de algodão. Este número nos indica que 80% da safra colhida no Brasil é de algodão certificado, comprovadamente sustentável.