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blog / Tudo o que você queria saber sobre o processo de tecelagem 

moda & estilo | 10 de agosto de 2020 | 3

Uma coleção, uma roupa, um tecido. Na cadeia têxtil, tudo começa com o fio se tornando tecido. A Gabriela e a Denise, da Ecomaterioteca, explicam sobre este processo e a diferença entre malha e tecido plano. 

A escolha de uma matéria-prima para se desenvolver uma coleção é muito importante para o estilista. São inúmeras as variedades e as escolhidas devem estar relacionadas com a funcionalidade, a estética, a qualidade e a durabilidade do produto final.

E, pra começar, vamos entender um pouco sobre fibras?

O QUE SÃO FIBRAS? 

Fibras ou fios são matérias-primas a partir da qual um tecido é criado. Existem várias fibras têxteis que têm como principais características a resiliência, a elasticidade e o comprimento.

A resiliência permite que a fibra resista, sem arrebentar, ao movimento exigido no processo de produção. Já a elasticidade (ou resistência) consiste na capacidade de recuperação da forma original após sofrer estiramentos (tração) nos processos de pré e de fabricação.

No entanto, é importante ressaltar que é o comprimento que possibilita que a fibra seja fiável (transformada em fio) e, para que isto aconteça, ela precisa ter pelo o menos 1 cm de comprimento.

COMO OS FIOS SE TRANSFORMAM EM TECIDO?

Os fios são transformados em tecidos através de uma técnica chamada tecelagem e o método mais antigo conhecido é aquele feito no tear, manualmente. Consiste num entrelaçamento de fios colocados em sentidos diferentes: na longitudinal (urdume) ou na transversal (trama).

Neste contexto, o tipo de fabricação dos tecidos está relacionado às suas estruturas e às formas de entrelaçamentos que, aplicadas diferentemente, produzem os tecidos planos e os de malha.

QUAL A DIFERENÇA ENTRE TECIDO PLANO E MALHA?

Os tecidos planos são aqueles feitos em tear e caracterizam-se pelo entrelaçamento de dois conjuntos de fios: o urdume e a trama. É uma construção plana e regular.

Já a malha resulta da formação de laços que se interpenetram e se apoiam lateral e verticalmente sempre no mesmo sentido. O processo de malharia é feito com agulhas e é bem parecido com o tricô.

Por sua vez, o entrelaçamento têxtil é feito em diferentes posições dos fios de urdume e da trama colocados no tear. São estes ligamentos que dão origem a diversos tipos de tecidos como tafetá, sarja, cetim. (MODA EM 360*, Ilce Liger)

Fios ganham entrelaçamentos diferentes no tecido plano e na malha | Crédito da imagem: http://lilianjordao.com.br

DE ONDE VÊM AS FIBRAS?

No mercado atual, as fibras têxteis podem ser naturais (de origem vegetal, animal ou mineral) ou não-naturais (artificiais e sintéticas). O algodão, por exemplo, é natural e vegetal.

As fibras de origem animal são adquiridas da tosquia de ovelhas, cabras e camelos. Também se encaixa aqui a produzida pelo bicho da seda.

Já as fibras de origem vegetal são obtidas a partir de frutos, folhas, cascas e lenho, como algodão, junta e linho.

Já as fibras minerais podem ser artificiais ou naturais e são aquelas feitas com vidro e metal. Estas são comumente usadas na indústria militar ou na de moda para obter alguns efeitos como o LUREX.

E, por fim, as fibras artificiais que são fabricadas a partir de materiais já existentes na natureza. Um exemplo é a celulose que dá origem ao raiom viscose. E há também as sintéticas (químicas), feitas pelo homem a partir de polímeros.

Denim, um tecido plano de algodão. Produção da Covolan, tecelagem parceira Sou de Algodão | Foto: divulgação

POR QUE O ALGODÃO É TÃO ESPECIAL?

Agora, vamos abordar com mais detalhe a fibra natural mais produzida no mundo: O ALGODÃO.

Cerca de 40% dos tecidos no mundo são produzidos com algodão, uma fibra vegetal, conhecida desde a Idade da Pedra. O algodão é popular pela sua versatilidade, pois pode ser tramado ou transformado em malha com uma variedade de pesos e gramaturas.

As fibras de algodão são duráveis, têm propriedades que permitem que a pele respire, absorvem umidade e secam facilmente. E quanto mais longas, maior é a qualidade e a durabilidade do tecido (Tecidos e moda, Jeeny Udale, pág. 42/43).

O algodão se caracteriza por uma fibra resistente e robusta, que apresenta várias características. Confira algumas das maiores curiosidades:

·       Reação ao calor: amarela a 120 graus e se decompõe aos 160 graus

·       O algodão é pouco elástico e pouco resiliente

·       Pouca resistência ao mofo

·       Após a exposição de cerca de dez mil horas a intempéries, perde 50% da resistência

·       É uma fibra muito resistente quando seca, mas ainda mais resistente quando molhada

·       Absorve muito bem os líquidos, mas seca lentamente (MODA EM 360*, Ice Liger, pág. 133,134,135).

O algodão, apesar de toda esta qualidade, é propenso ao ataque de insetos e pragas. E justamente é isso que obriga os agricultores a utilizarem defensivos químicos. Do contrário, a produção em grande escala seria inviável.

Enfim, são muitas as matérias-primas que temos disponíveis no mercado hoje e as escolhas passam sempre pelo crivo da marca e seu propósito. Atualmente, os tecidos sustentáveis e biodegradáveis são alternativas de menor impacto, mais ecológicas e saudáveis.

CONHEÇA O ACERVO DE TECIDOS SUSTENTÁVEIS BRASILEIROS

Na Ecomaterioteca, possuímos mais de 300 amostras de tecidos que têm em sua composição os diversos tipos de algodão. Desde os puros, passando pelos orgânicos e os desfibrados.

É de suma importância o conhecimento destas novas tecnologias e dos novos tecidos que estão sendo desenvolvidos com o propósito de proteger o nosso meio ambiente. Estamos alinhadas com a práticas da agenda da ONU para 2030, pois suas ações caminham para levar a sociedade ao consumo mais consciente e saudável, promovendo o bem-estar a todos. 

A pesquisa e inovação em sustentabilidade é o assunto do momento. Existem soluções possíveis!  Esse é o futuro da Moda! Qual é o seu papel nesta narrativa?

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