Reinaldo Lourenço é um dos maiores e mais longevos estilistas brasileiros da atualidade. Suas criações romperam, já há algum tempo, as fronteiras do país e estão em boutiques ao redor do mundo.

O estilista trata o algodão com carinho e reverência. “Para mim, o tecido de algodão é muito nobre, principalmente para o Brasil, um país quente. É um tecido leve, contemporâneo, eterno”, exalta. Ele acredita porém que, apesar da beleza do algodão, ele poderia ser mais bem aproveitado no Brasil.

A trajetória de Lourenço é extensa e começou, de fato, em 1982, quando foi de sua cidade natal, Presidente Prudente/SP, para São Paulo a fim de trabalhar como produtor da revista Claudia Moda.

A paixão pela moda e a certeza de que sua criatividade seria dedicada a ela já o acompanhava. “Desde criança eu já pensava em ser estilista. Sempre quis ter uma loja. Aos 15 anos, fazia camisetas e vendia no meu quarto para os amigos da escola,” relembra. Hoje, Lourenço já conta com 34 participações em edições da São Paulo Fashion Week.

E, apesar desta experiência frutífera e bem-sucedida, o estilista faz questão de ressaltar a importância de todos as etapas e vivências que teve no universo da moda desde seu início. “Para mim, todos os momentos foram importantes desde que comecei, todas as pessoas que conheci, e até quando algo não deu certo. Sempre dou importância para o presente que vivemos,” reflete.

Suas inspirações também não se resumem a poucos nomes e situações. Lourenço conta que, no começo da carreira, gostava muito de Yves Saint Laurent e dos japoneses Rei Kawakubo e Yoji Yamamoto.

Atualmente, sua criatividade busca o mundo a partir do que ele próprio construiu. “Hoje o que me inspira é a minha história como estilista, as ruas, fatos históricos, filmes, exposições. O estilista precisa olhar para o todo, observar o que as pessoas desejam”, diz.

Seu filho, Pedro Lourenço, seguiu os passos do pai. Também estilista, Pedro tem um estilo próprio, que Reinaldo faz questão de ressaltar e elogiar. “Profissionalmente quase não temos semelhanças. O Pedro tem um estilo muito próprio. Cada um tem a sua identidade”, diz. E isso não incomoda Reinaldo. A felicidade de ver o filho fazendo o que gosta é o que importa.

Os dois nunca trabalharam juntos e cada um tem seu negócio. Reinaldo elogia o trabalho do filho e ressalta como Pedro olha para frente – inclusive no uso de matérias-primas sustentáveis, como o algodão.

“Fico surpreso com a forma que ele enxerga o novo. Ele cria uma peça que passa pelo clássico e vira novo e contemporâneo de uma forma surpreendente”, comenta e adiciona: “O Pedro já faz um trabalho para o futuro. Ele usa novas matérias-primas, reaproveitadas e recicladas. Me sinto muito orgulhoso!”