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blog / Pegada hídrica: o que é e o que ela tem a ver com a moda consciente?

algodão & sustentabilidade | 1 de abril de 2020 | 0

Sou de Algodão, Abrapa e Ecoera estão unidos pelo uso responsável da água na cadeia da moda. Seminário virtual sobre o tema acontece no dia 27/3 e inscrições estão abertas. 

 

Se você é interessado em moda e meio ambiente, provavelmente já deve ter ouvido por aí a expressão “pegada hídrica”. Mas, o que ela significa, exatamente? No mês em que comemoramos o Dia Mundial da Água (22/03), nada mais pertinente do que debatermos esse assunto.  

O termo Pegada Hídrica está relacionado à quantidade de água utilizada direta e indiretamente na produção e no consumo de algum bem, seja na área têxtil, da celulose, da indústria, ou qualquer outro segmento. E para discutir a questão na área da moda, há um ano a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) se engajou à A Moda Pela Água que tinha por meta estimar o quanto de água é usado na vida útil de uma calça jeans, desde a lavoura até o nosso guarda-roupas. A iniciativa foi proposta pelo movimento Ecoera, em parceria com a indústria têxtil Vicunha, junto com a consultoria em sustentabilidade H2O Company e a Iniciativa Verde.  

Junto à A Moda Pela Água, a Abrapa e suas estaduais contribuíram com informações sobre o modo de produção do algodão brasileiro responsável (ABR), reconhecido como um dos mais sustentáveis do mundo quanto ao uso da água. E isso porque 92% da produção utiliza exclusivamente a água da chuva no desenvolvimento da lavoura. Este é o modelo chamado “sequeiro”, ideal para prática na região do cerrado brasileiro 

 

Gasto de água em uma calça jeans

Mesmo com tão pouca água vinda da irrigação artificial em regime de sequeiro, o algodão é apenas uma parte da produção de uma calça jeans. No estudo capitaneado pela H2O Company, foi identificado que são utilizados 5.196 litros por peçasendo uma significativa parcela do recurso hídrico utilizado pelos produtores rurais.  

 

Pegada hídrica verde, azul e cinza

Para classificar o impacto da utilização de água nas cadeias produtivas, é preciso analisá-lo por um prisma de três cores: verde, azul e cinza.  Estes são indicadores utilizados na conta, que considera não apenas a quantidade do uso em litros para fazer uma calça jeans, mas a “natureza” desse uso.  A pegada verde aparece apenas na etapa do plantio do algodão, sendo azul ou cinza nas demais etapas: tecelagem, confecção, lavanderias, tingimento e pós-consumo.  

“O cultivo com água de chuva, representado pela pegada verde, é um diferencial muito positivo do algodão brasileiro”, explica Claudio Mendonça, da H2O Company, que ainda ressalta que cada país tem seu cálculo hídrico, bioma e características próprios.  

Esta pegada hídrica verde representa a água de chuva absorvida pelas plantas (é o regime de sequeiro mencionado acima) A cinza é a água que precisa dispor para diluir os poluentes do processo produtivo quando ela volta para a natureza. Já a azul é a captada nos cursos d’água, descontando a que é devolvida no mesmo local, ou seja, considera-se a água evaporada ou devolvida em um lugar diferente de onde foi captada.   

Dentro deste contexto, o Brasil é privilegiado pela localização geográfica e regime de chuvas favorável ao cultivo do algodão. 

 

A Moda pela Água – união para soluções hídricas na cadeia têxtil 

Para a fundadora do Movimento Ecoera e consultora de sustentabilidade, Chiara Gadaleta, que faz parte do novo Manifesto Sou de Algodão, de nada adianta conhecer a pegada e guardar o número na gaveta. “Essa ferramenta não foi feita para ficar parada. Por isso, criamos a plataforma A Moda Pela Água, na qual a Abrapa e o movimento Sou de Algodão têm destaque, e onde participam diversas empresas que chamamos de Guardiãs da Água. Ela serve para que a gente converse sobre o quanto e o como usamos o recurso, e para que juntos encontremos soluções de forma setorial”, explica. 

E, com a indústria têxtil Vicunha e o apoio das empresas Guardiãs da Água, foi possível fundar esse novo momento na moda brasileira:  a união de agentes do setor por um consumo muito mais responsável e consciente em relação ao uso de água.   

 

 Webinar A Moda Pela Água

No dia 27 de março, será realizado de forma exclusivamente virtual um encontro entre agentes do setor, imprensa, formadores de opinião e profissionais da sustentabilidade para discutir o futuro da água no segmento da moda. O webinar “A Moda do Século XXI Precisa Falar Sobre a Água” terá diversos debates sobre sustentabilidade no setor e também contará a apresentação do novo Manifesto Sou de Algodão.  

Abrapa, representando Sou de Algodão, faz parte do time de empresas Guardiãs da Água, comprometidas com o diálogo sobre o recurso hídrico na moda, na plataforma A Moda Pela ÁguaComo movimento que inclui produtores de algodão, nossa contribuição é disseminar boas práticas da cadeia produtiva, do Programa ABR, e a produção em sistema de sequeiro que ajudou a reduzir a referência de consumo de água na produção de uma calça jeans. 

Webinar é aberto ao público em geral e, em especial, a profissionais da moda e da sustentabilidade. As inscrições podem ser feitas https://www.amodapelaagua.com.br/sem-categoria/faca-sua-inscricao-para-o-webinar-que-vai-discutir-qual-o-papel-da-moda-no-cenario-atual/, participe!   

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