A profissão de alfaiate é considerada por muitos livros de História da Moda como uma das mais antigas do mundo – datada desde 1297.

Inicialmente, sua função era criar peças que cobrissem e protegessem o corpo masculino de mudanças climáticas e do ambiente, sem muita preocupação estética.

Foi somente no ano de 1675, durante o reinado de Luís XIV, que um grupo de costureiras francesas conseguiu permissão para formar uma guilda de alfaiates femininos para confeccionar roupas para mulheres.

Assim surgiram as primeiras modistas, que ofereciam peças com mais ornamentos e possibilidades, diferenciando-se da alfaiataria masculina que seguiu um modelo mais artesanal, com roupas bem modeladas, ajustadas e com caimento impecável.

Nesses moldes, a alfaiataria segue até os dias de hoje e continua atraindo um público que busca por peças refinadas e sob medida, porém, com um olhar mais jovem e casual que adote novos atributos às peças como por exemplo a sustentabilidade e o conforto.

Prova disso é a coleção “Retrato” do vencedor do primeiro Desafio Sou de Algodão + Casa de Criadores, Mateus Cardoso.

Desenvolvida 100% em algodão e com um estilo autêntico, a coleção é a junção de conceitos vistos no curso de Moda da Faculdade Santa Marcelina e técnicas que Cardoso aprendeu com tradicionais alfaiates de São Paulo – a ideia surgiu enquanto Mateus estudava costura e um de seus professores abordou o método usado pelos alfaiates em suas produções, o que fez o estilista buscar maior conhecimento pela área.

“A alfaiataria está muito ligada ao artesanato, e era isso que eu queria extrair de lá. Queria aplicar o processo artesanal da produção na minha coleção” diz o estilista, ao relatar uma de suas principais inspirações no planejamento criativo das suas peças.

Revisitar métodos clássicos como o da alfaiataria fez com que o designer conhecesse mais a fundo o segmento e adotasse a metodologia não só para a coleção vencedora, mas também em todo seu processo criativo: “Em todas as minhas criações eu parto da alfaiataria, inclusive será minha abordagem na próxima coleção.”

Mateus ressalta ainda a importância de estar ligado ao novo, mas sem perder as raízes clássicas da moda e da alfaiataria: “a mão de obra do alfaiate é muito detalhista, muito complexa. É difícil encontrar tanta qualidade assim hoje em dia, por isso deveríamos investir mais nisso.”