Loading...

blog / Como a moda pode nos reconectar com o nosso próprio corpo 

moda & estilo | 23 de dezembro de 2020 | 0

Os padrões impostos, durante anos, seguem se impondo com alguma variável aqui e ali e eles atingem quem assim permite ou quem, em 2020, não percebeu ainda o tempo no qual temos vivido. Foto: coleção Curtisso / Jorge Feitosa

 

Esse tempo indoor e a descoberta dos espaços externos e internos da casa provocaram uma espécie de revisão de nós mesmos – e do mundo. Hábitos, forma de vestir, alimentação, modelos de trabalho e decisões, tudo foi muito afetado pela necessidade de ficar mais em casa. 

Pode até ser que com você tenham acontecido mudanças significativas e decisões importantes que te tornaram outro indivíduo a partir de tanta novidade. Comigo foi assim. 

Em um momento em que estamos nos reconectando com o ‘mundo lá fora’, dentro de medidas de segurança por causa da pandemia, qual a relação entre moda e reconexão podemos traçar a partir do que já temos discutido sobre o tema?  

Retrato do tempo 

Quando percebemos as mudanças em nossos corpos e nos corpos que o tempo todo chegam a nós pelos algoritmos das redes sociais e das notícias, percebemos ainda mais que a reconexão por meio da moda vai além das tendências e formas. Trata-se de protagonismos. 

Além daquele incentivo básico de ‘seja você o protagonista da sua história’, que pode ser facilmente percebido na moda como o ‘use a moda a seu dispor’, precisamos aprofundar essa conversa. 

Os padrões impostos, durante anos, seguem se impondo com alguma variável aqui e ali e eles atingem quem assim permite ou quem, em 2020, não percebeu ainda o tempo no qual temos vivido.  

Protagonismos do presente

Não é possível pensar o corpo hoje, na sua articulação com a subjetividade e a identidade, sem discutir a evolução do mundo, dos objetos e do mercado.”  Nizia Villaça e Fred de Góes em ‘Em Nome do Corpo’. 

É possível que seu hábito de uso da internet esteja te deixando de fora dos “novos” protagonismos, mas se você trabalha com moda, é necessário hackear o sistema! O que quero dizer é que novos corpos estão ocupando campanhas publicitárias – assim como a do Sou de Algodão –, capas e editoriais de revistas, espaço de celebridades e também as semanas de moda. 

Desfile de Isaac Silva, na Casa de Criadores – Inverno 2019
Foto: Marcelo Soubhia / FOTOSITE

A pandemia trouxe uma lupa para questões de diversidade e acelerou o processo de compreensão que era lento. Novas ideias apareceram para levantar uma verdade de que os padrões precisam ser revistos e representatividade de corpos negros, gordos, todos os tipos de gêneros e de necessidadesprecisa ser vista.  

Agora que falo mais diretamente sobre estas representações, repense quantas imagens de moda têm chegado até você com maior diversidade. Podem não ser muitas, mas, se temos algumas, é uma mudança importante que deve mesmo ser gradual e percebida. 

Essa boa notícia para os amantes da moda e consumidores faz com que os padrões excludentes sejam repensados e que, aos poucos, todos nós nos sintamos incluídos nessa “imagem de moda”, que retrata protagonismos do presente. 

A inclusão e reconexão individual 

Não é de hoje que o consumidor mudou. Além de se inspirar pelas imagens que chegam até ele, há o desejo de ser representado. Estamos cada vez menos falando de consumidor e cada vez mais de indivíduo que consome. Dessa forma, toda vez que promovemos no mercado mais valores simbólicos em relação ao corpo, maior é a inclusão. Mais vezes o consumidor se sente identificado e atraído pelo produto, fazendo com que essa reconexão da moda com o corpo seja muito maior. 

Por isso, quando a representatividade entra no discurso da moda, ela promove uma reconexão dela mesma com o corpoNão mais aquele corpo imaginado, idealizado, e sim, cada corpo real.  

Essa reconexão faz com que a moda se torne, de fato, um mercado que gera transformação não só estética, mas emocional no indivíduo que consome, causando relações mais saudáveis entre marca e cliente. 

0 comentários

deixar um comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *