
Amapô Jeans: redefinindo o uniforme brasileiro
Durante décadas, poucas peças atravessaram tantos contextos quanto o jeans. Presente em diferentes regiões, idades e classes sociais, ele se tornou uma espécie de uniforme informal do Brasil um código de vestimenta compartilhado que, ao mesmo tempo, parece democrático e carregado de padrões.
Não por acaso, o país está entre os maiores produtores e consumidores de denim do mundo, com milhões de peças circulando todos os anos. Ainda assim, por muito tempo, essa peça manteve uma lógica rígida de caimento, corpo e uso como se existisse uma forma certa de vestir algo que, na prática, sempre pertenceu a todo mundo.
É justamente nesse ponto que a Amapô Jeans se insere.
Parceira de longa data do Sou de Algodão, a marca comandada por Carô Gold e Pitty Taliani construiu sua trajetória propondo um novo olhar sobre aquilo que parecia já resolvido. Ao tensionar formas, volumes e proporções, transforma o básico em linguagem e o padrão em possibilidade.
Nesta conversa para o Feito no Brasil, Carô e Pitty compartilham como essa base deixou de ser apenas matéria-prima para se tornar ferramenta de expressão, corpo e liberdade.
SdA. Por que escolher o jeans como ponto de partida e o que vocês sentiram que precisava ser ressignificado nele?
Amapô:
O jeans sempre esteve presente na Amapô muito por uma escolha da Pitty, que já nasceu dentro de uma grande marca de jeanswear, a Vicio, que era dos pais dela. Ela já tinha uma coleção enorme de peças de várias marcas e sempre curtiu muito esse universo.
Eu, no começo, nem dava muita bola. Era mais das estampas, do colorido. Depois fui pegando gosto. Pra você ter uma ideia, quando a Amapô começou eu nem usava (risos).

SdA. A marca é construída por duas estilistas à frente da criação. Como funciona esse processo a quatro mãos e o que nasce desse encontro que talvez não surgisse de forma individual?
Amapô:
Nosso processo criativo sempre foi muito integrado. Junta o que uma está sentindo com o que a outra está vivendo, e assim vai.
O bom da nossa relação é que, às vezes, uma está inspirada e a outra não e aí uma entra na viagem da outra e acaba até pirando mais na ideia. Ou uma está obcecada por um tema que a outra nem conhece, mas mesmo assim apoia, colabora e traz algo pra somar.
Também tem os momentos em que as duas estão na mesma sintonia. Hoje em dia, a gente nem precisa falar muito: uma pensa e a outra já sabe. Parece meio “bicho grilo”, mas é real, quase metafísico. Nem consigo imaginar como seria um processo totalmente individual.
SdA. Como vocês trabalham o algodão para ir além do básico e transformar o tecido em linguagem?
Amapô:
Esse é um exercício que sempre nos interessa. A gente chama de “desver” o tecido olhar pra ele sem a referência do que ele normalmente é.
Esse é um dos pilares da nossa criação. É o que nos empurra para o desconhecido, dá aquele frio na barriga e torna tudo mais divertido e estimulante. Às vezes dá “errado”, mas o erro vira gesto e passa a ser assumido como acerto.
SdA. Muitas peças da Amapô fogem do convencional, com volumes, recortes e proporções inesperadas. De onde vem esse impulso criativo e como a cultura brasileira alimenta esse olhar?
Amapô:
Esse pensamento já vem muito embebido na cultura brasileira, com seus improvisos, diversidade e abundância de manifestações regionais e estéticas.
A Amapô tem como essência a vibração e o rebolado do povo brasileiro. Somos super admiradoras de tudo que acontece aqui é uma fonte inesgotável de inspiração.
É com essa ginga e malemolência que a gente constrói o nosso jeanswear, misturando o exótico e o tropical com o urbano e o underground, o Carnaval e o tribal com o rock’n roll.

SdA. Por muito tempo, o jeans pareceu exigir que o corpo se adaptasse a ele. Na Amapô, como vocês fazem o caminho contrário: criar um jeans que se adapta ao corpo, ao movimento e à personalidade de quem veste?
Amapô:
Acho que isso vem muito dessa brasilidade também, dessa vontade de expandir o nosso olhar sobre o corpo.
A brasileira, quando veste, olha muito para uma coisa: a bunda. E a gente observa muito isso (risos). Somos grandes estudiosas de bundas não importa a forma, o tamanho ou a textura, todas são lindas e merecem estar vestidas pela Amapô.
Pra isso, fazemos um estudo bem cuidadoso de modelagem, que geralmente começa no meu corpo (Carô) e depois é testado em outras pessoas, pra entender qual forma funciona melhor para diferentes corpos.
A Amapô Jeans segue mostrando que aquilo que parecia básico ainda pode ser reimaginado. Ao transformar o algodão em linguagem e o corpo em ponto de partida e não de limitação a marca reafirma uma característica essencial da moda brasileira: a capacidade de reinventar o comum com liberdade, humor e identidade.
SdA. Se vocês pudessem vestir uma personalidade brasileira que represente o espírito da Amapô, quem seria e por quê?
Amapô: Alice Carvalho. Ela é uma multiartista intensa, de personalidade forte e com uma beleza fora do padrão. Tem uma presença muito própria, muito livre… bem Amapô! Adoraríamos conhecê-la e criar algo juntas.
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Conheça mais sobre o trabalho da Amapô Jeans nos seus canais oficiais: @amapojeans e amapojeans.com.br. Na nossa vitrine de marcas parceiras você encontra outras empresas que constroem uma moda mais responsável ao nosso lado.

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