Flores, chocolates, comerciais pregando o respeito, muito cor-de-rosa pra todo lado. Tudo isso faz parte do Dia Internacional da Mulher ano após ano, mas poucos sabem como essa data nasceu e se tornou um marco na luta feminina por igualdade.  

Ao contrário de outras datas como Dia das Mães e até mesmo o Natal, criados pelo comércio, o Dia Internacional das Mulheres tem uma origem na indignação e nos protestos. Uma tragédia nos Estados Unidos foi um dos acontecimentos que trouxeram à tona as condições de trabalho deploráveis  de trabalhadoras do mundo inteiro.  

 Como nasceu o Dia Internacional da Mulher  

Apesar de haver algumas especulações sobre a origem da data, uma das versões históricas mais aceitas é a que trata do incêndio ocorrido em Nova York, em 1911. O caso aconteceu na fábrica têxtil Triangle Shirtwaist Company, quando 146 trabalhadores morreram, sendo 125 mulheres e 21 homens.  

Mesmo com essa grande tragédia marcando a história, existem também outros acontecimentos que podem ter dado origem à data. Um deles é a grande passeata das mulheres em 26 de fevereiro de 1909, em Nova York. Na ocasião, 15 mil mulheres ocuparam as ruas para protestar contra jornadas de 16h por dia, seis dias por semana. 

A situação na fábrica era típica da época: tecidos guardados sem proteção, fumar era permitido dentro do prédio, iluminação a gás e não existiam extintores. Durante o incêndio, a maioria dos operários do décimo e oitavo andares conseguiu escapar. No entanto, o alerta para o nono andar demorou a chegar. Como as portas estavam fechadas para evitar que os operários saíssem durante o horário de trabalho, dezenas de pessoas, sem saída ou possibilidade de resgate, se atiraram das janelas para a morte. 

Os mortos tinham entre 16 e 23 anos e foi identificado que escravas estavam acorrentadas às máquinas de costuras e às mesas de corte de tecido. 

Incêndio na fábrica Triangle Shirtwaist, em Nova Iorque | uma das possíveis origens do Dia da Mulher

As revoluções femininas na Europa 

Por outro lado, a Revolução Industrial também teve seu impacto na Europa. Em agosto de 1910, a alemã e socialista Clara Zetkin sugeriu a criação de uma jornada de manifestações. O motivo era questionar as diferenças entre as condições de trabalho dadas a homens e mulheres.  

A proposta de Zetkin, segundo registros históricos, era de uma jornada anual de manifestações femininas pela igualdade de direitos, sem uma data específica.   

Já na Rússia, em 8 de março de 1917, um grupo de operárias foi às ruas contra a fome e a Primeira Guerra Mundial, movimento que culminou na Revolução Russa. Depois a revolução bolchevique, a data foi oficializada entre os soviéticos como celebração da “mulher heroica e trabalhadora”. 

A fábricas têxteis hoje no Brasil 

Com um histórico tão triste, as fábricas têxteis hoje transformaram suas normas de segurança. No Brasil, iniciativas vêm sendo aplicadas para a extinção completa do trabalho análogo à escravidão e em favor da dignidade dos trabalhadores e trabalhadoras. 

A ABIT – Associação Brasileira das Indústrias Têxteis, por exemplo, tem voltado seus esforços para a questão. A entidade é apoiadora do Movimento Sou de Algodão desde o início e tem provocado grandes transformações positivas na cadeia produtiva.  

Um bom exemplo é o projeto da entidade “Promovendo Melhoria das Condições de Trabalho e Gestão nas Oficinas de Costura do Estado de São Paulo”, que atua pela sensibilização sobre direitos e o empoderamento de populações vulneráveis que trabalham em oficinas de costura.  

Além disso, o trabalho promove a conscientização sobre riscos e treinamento de gestão para donos de oficinas de costura (especialmente em micro, pequenas e médias empresas) e reforça a capacidade de instituições para implementação de políticas pelas melhorias nas condições de trabalho. Trabalhadoras e trabalhadores migrantes têm atenção especial na iniciativa por representarem mão de obra vulnerável a golpes e à exploração.  

De acordo com a ABIT, a confecção (cama, mesa, banho, vestuário) e a indústria têxtil (tecido, matéria prima) juntas empregam 1,5 milhões de pessoas, sendo aproximadamente 1 milhão de mulheres. E na confecção, 73% dos trabalhadores são mulheres. 

 

Referências: 

BBC – https://www.bbc.com/portuguese/internacional-43324887 

Incêndio Fábrica Triangle Shirtwaist – https://pt.wikipedia.org/wiki/Inc%C3%AAndio_na_f%C3%A1brica_da_Triangle_Shirtwaist 

A Última Fogueira das Mulheres – http://www.ihu.unisinos.br/noticias/41178-a-ultima-fogueira-das-mulheres-a-memoria-dos-direitos-civis 

ABIT – https://www.abit.org.br/noticias/oit-realiza-evento-para-promocao-do-trabalho-decente-nas-oficinas-de-costuras-de-sao-paulo