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blog / Além do consumo: entendendo a moda como expressão de uma sociedade

moda & estilo | 20 de abril de 2022 | 0

Idolatrada por uns, rejeitada por outros. A moda sempre foi um assunto paradoxal quando pensamos em trazê-la para reflexão dentro de um contexto social e não somente reduzi-la, por muitas vezes de forma equivocada, ao ato de consumir.  

Quem aqui não se lembra da passagem emblemática do filme O Diabo Veste Prada, quando a personagem Andy Sachs, uma jornalista inexperiente no segmento de moda, debocha da renomada diretora de redação Miranda Priestley por ficar em dúvida sobre qual cinto azul escolher para uma sessão de fotos? 

A questão ali retratada é que o ‘tal azul’ não era um simples azul, mas era a cor que faria sentido para o leitor consumir naquela determinada estação. E que, por sinal, o azul ultrapassado que a jornalista usava em seu cardigã, no momento de desprezo da função alheia, foi determinado por líderes da indústria criativa da moda que estavam naquela sala de reunião de pauta. Curioso e irônico, não?  

Moda é mais do que consumo 

O motivo pelo qual tenta-se compreender pouco sobre a relevância da moda na sociedade é por tamanha e intensa efemeridade que lhe é inerente por natureza. A moda é a busca pela próxima novidade, pela nova forma de agir e se comportar, mostrando que, cada vez mais, podemos ser atuais e conectados com o tempo que vivemos.  

E como tudo que se desfaz muito rápido gera pouco interesse de reflexão, a moda fica ali no limbo da sua validade e possíveis discussões. Mas, nos esquecemos por muitos momentos que é esse fenômeno social que nos permite construir a nossa identidade, nosso estilo de vida e dizer ao mundo quem somos, o que fazemos, qual é a tribo a que pertencemos e, até mesmo, quais causas ou gostos adotamos em nosso dia a dia.  

Quer fazer o teste? Não é de se estranhar que você pare diante do guarda-roupa para escolher qual seria a melhor combinação de peças para aquela entrevista do emprego tão desejado ou qual seria a melhor escolha para o casamento de um amigo querido, que exige um dress code específico.  

Podemos ir além. A roupa de lazer num churrasco é diferente daquela que selecionamos para ir a uma reunião. Parece óbvio? Mas a organização social na qual vivemos é estabelecida pela adoção de vestimentas O código social, assim como a nossa individualidade, é organizado por meio da indumentária. A moda é responsável por nos dar cartão verde para transitar em diferentes ocasiões sociais e também por nos diferenciar de grupos dos quais não desejamos ter proximidade.   

E podemos ir um pouco mais a fundo, acredite! A moda, como fenômeno social, consegue ser sensível a um desejo coletivo e inconsciente de uma época, captando o que há em comum entre todos e manifestar isso em produtos (que não são somente roupas) ou estilo de vida que desejamos ter como resposta ao modo como vivemos.  

Todo mundo quer se expressar 

Aqui, basta fazer um esforço para se lembrar da onda de sucos verdes ou meditação como resposta a uma vida com mais qualidade. O surgimento massivo de cervejas artesanais que atendem aos desejos de um consumidor que quer uma pausa com toque savoir faire no final do seu dia.  

Tudo que é um sinal de desejo emergente na sociedade, a moda consegue tangibilizar como modo ou estilo de vida, trazendo isso em forma de produto ou serviço prontos para consumir. 

E vamos concordar que tudo que somos e fazemos é estabelecido pela construção de uma identidade psíquica e social feita a partir da imagem que desejamos passar diariamente, certo? E nada melhor do que as possíveis combinações que temos no guarda-roupa e estilo de vida para ajudar nesse desafio que é expressar o nosso “eu”.  

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