
Thear: roupas com memória para vestir o presente
Nem toda criação nasce da busca pelo novo. Às vezes, ela surge justamente do contrário: do retorno. Ao território onde se cresceu, aos saberes que moldaram uma trajetória e às referências que permanecem mesmo quando tudo ao redor muda.
Essa relação entre origem e criação atravessa o trabalho de Theodora Alexandre. À frente da Thear, a estilista construiu uma marca que encontra potência naquilo que resiste ao tempo. O algodão, o fazer manual e a relação com o Cerrado aparecem em suas coleções não como elementos isolados, mas como parte de uma mesma narrativa.
Neste ano, a marca apresenta seu primeiro desfile solo, um marco que sintetiza oito anos de pesquisa, experimentação e construção de linguagem própria. Nesta conversa para o Feito no Brasil, Theodora fala sobre as lembranças que atravessam sua criação, a importância das fibras naturais em seu processo e o significado de apresentar ao público uma experiência inteiramente concebida a partir do universo da Thear.
SdA. Você costuma dizer que cria “roupas com memória”. Como essa ideia aparece na construção da Thear hoje?
Theodora Alexandre: Criar roupas com memória nunca foi um slogan, mas um manifesto. Meu trabalho nasce das camadas da minha vida do que fui, do que sou e do que ainda estou me tornando. São lembranças íntimas e coletivas, construídas a partir dos encontros, dos afetos e das pessoas que atravessam meu caminho. Tudo isso acaba se transformando em criação. O Art Déco, por exemplo, apareceu em momentos distintos da minha trajetória, com quase uma década de diferença, revelando novas profundidades a cada coleção. Nada começa do zero. Tudo é continuidade.

SdA. O Cerrado e Goiás aparecem de forma muito presente no seu trabalho. Como esse território influencia as coleções da Thear?
Theodora Alexandre: Minha trajetória me trouxe de volta ao meu território. Goiânia e o Centro-Oeste ainda vivem um importante processo de reconhecimento criativo dentro da moda brasileira. O Cerrado me atravessa como existência. Ele influencia texturas, cores e a maneira como construo cada coleção. Existe também uma urgência nesse olhar. Estamos falando de um dos biomas mais ameaçados do país. Meu trabalho é um convite para que mais pessoas observem esse território com cuidado, respeito e responsabilidade.
SdA. O algodão aparece não só como matéria-prima, mas como estrutura e linguagem nas suas peças. O que essa fibra representa dentro do seu processo criativo?
Theodora Alexandre: Estou na indústria da moda desde 2001 e, em determinado momento, vivi uma crise em relação ao modelo produtivo vigente. Foi quando encontrei na sustentabilidade um novo caminho. Nesse processo, o algodão surgiu como uma fibra essencial. Para mim, ele carrega memória, corpo e natureza. É uma matéria-prima versátil, acolhedora e profundamente presente no cotidiano, abrindo caminhos para novas experimentações dentro da criação.
SdA. O trabalho da Thear envolve muitas técnicas manuais e um processo coletivo. Qual é a importância do feito à mão na construção das suas peças?
Theodora Alexandre: O fazer manual faz parte da minha história desde cedo. Cresci cercada por artesanias que carregavam cuidado, dedicação e tempo. Hoje, vejo o artesanal como uma forma de existir. Exploro técnicas como macramê e moulage, que aparecem de diferentes maneiras ao longo das coleções. Mesmo quando trabalho com materiais mais associados à indústria, como o denim, existe esse desejo de tensionar os limites do tecido po

r meio da manualidade.
SdA. Em maio você apresenta seu primeiro desfile solo, com a coleção Elementos 2. O que esse momento representa na sua trajetória e o que essa nova fase comunica sobre a Thear?
Theodora Alexandre: Esse desfile representa amadurecimento e autonomia. É a oportunidade de construir uma experiência totalmente alinhada ao universo da Thear, aprofundando questões que venho pesquisando ao longo dos últimos anos. Em 2026, quando a marca completa oito anos, esse momento se transforma em um marco importante de expansão e consolidação da trajetória construída até aqui.
SdA. Se você pudesse vestir uma personalidade brasileira que represente o espírito da Thear, quem seria e por quê?
Theodora Alexandre: Eu escolheria vestir Marina Silva. Ela representa coerência, compromisso ambiental e força. Sua trajetória dialoga com valores que considero fundamentais e que também fazem parte da construção da Thear. Vestir Marina seria uma forma de materializar tudo aquilo em que a marca acredita. Ao olhar para a trajetória da Thear, fica claro que algumas das transformações mais interessantes da moda não acontecem na velocidade das tendências. Elas são construídas aos poucos, entre pesquisa, observação e tempo de maturação. Talvez seja justamente por isso que o trabalho de Theodora Alexandre continue encontrando novas formas de evoluir sem abrir mão daquilo que o torna singular.
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Conheça mais sobre o trabalho da Thear nos seus canais oficiais: @thearoficial e @theoalexandre. Na nossa vitrine de marcas parceiras você encontra outras empresas que constroem uma moda mais responsável ao nosso lado.

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