
Berimbau Brasil: onde nascem as narrativas brasileiras
Existe um Brasil em cada canto do País. Ele está nas festas populares, nas músicas, nos sotaques, nos modos de fazer e nas histórias que passam de geração em geração. É justamente essa diversidade, feita de diferentes territórios, culturas e formas de viver, que inspira a marca Berimbau Brasil.
Fundada pelo estilista maranhense Sandro Freitas, a marca nasceu do desejo de transformar essas referências em moda sem abrir mão da pesquisa, da escuta e do respeito às suas origens. Cada coleção convida o público a olhar o território com mais profundidade e descobrir as narrativas brasileiras que existem por trás de cada escolha.
Nesta conversa para o Feito no Brasil, Sandro compartilha como encontrou na moda uma forma de fortalecer essas narrativas brasileiras, fala sobre a influência do Maranhão e do algodão em seu processo criativo e mostra por que pesquisar o Brasil continua sendo o ponto de partida para imaginar o futuro da marca.
SdA. A Berimbau Brasil nasceu do desejo de transformar as suas raízes em linguagem. Em que momento você percebeu que contar essas histórias também poderia ser uma forma de fazer moda?
SF: Em determinado momento, já morando em São Paulo e depois de concluir o curso Técnico de Estilismo e Coordenação de Moda, eu estava procurando uma oportunidade na área. Mesmo feliz por ter realizado o sonho de estudar moda, ainda sentia um certo vazio e uma falta de pertencimento naquele universo. Foi quando comecei a compreender esse incômodo e percebi que minha maior realização seria fazer moda sem perder a conexão com a minha história e com a minha ancestralidade.

SdA. O Maranhão aparece nas coleções da Berimbau muito além da estética. Como você transforma cultura, memória e território em processo criativo sem cair em uma representação superficial?
SF: Sempre gostei de estudar como artistas de diferentes áreas constroem seus processos criativos. Com o tempo, percebi que quanto mais mergulhamos em um universo, mais repertório e ferramentas encontramos para criar algo genuíno. Esse é um dos pilares do meu trabalho. Quando escolho desenvolver uma coleção, mesmo partindo de algo que faz parte da minha própria vivência, procuro ir além. Estudo músicas, leio sobre o tema, busco entrevistas e diferentes referências. Muito pouco desse caminho está ligado apenas à pesquisa visual.
SdA. Muitas coleções da Berimbau partem de elementos profundamente ligados ao Brasil. Como o algodão ajuda a transformar essas referências culturais em roupa?
SF: O algodão ocupa um lugar muito importante na história da moda e também na história do Brasil. Para mim, essa fibra ajuda a honrar nossa ancestralidade e fortalece as narrativas brasileiras que buscamos construir em cada coleção, permitindo que continuemos reinventando a forma de contar essas histórias por meio da roupa.
SdA. Depois do rebranding, a Berimbau entrou em uma nova fase. O que mudou na marca e o que permaneceu intocável?
SF: A Berimbau nasceu com um DNA muito bem definido. Isso aconteceu de forma bastante orgânica, como se existisse algo querendo nascer e eu apenas permitisse que isso acontecesse. O rebranding trouxe clareza sobre a força dos nossos signos e nos ajudou a trabalhar tudo isso de maneira mais estratégica. Esse movimento impulsionou nosso crescimento e nos permitiu comunicar esse posicionamento com mais segurança. A essência permaneceu intacta. O que mudou foi a capacidade de potencializar aquilo que já existia.
SdA. Suas coleções quase sempre começam a partir de um símbolo, de um território ou de uma história. Como nasce esse processo de pesquisa até que ele se transforme em roupa?
SF: As coleções costumam nascer da observação de comportamentos culturais que dialogam com macrotendências. Primeiro procuro entender esses movimentos mais amplos e como eles podem se refletir em um contexto local. Depois aprofundo essa investigação e desenvolvo a coleção seguindo a metodologia que aprendi durante minha formação em moda.
SdA. Quando você olha para o futuro da moda brasileira, o que acredita que ainda precisa ser contado sobre o Brasil?
SF: Hoje já existem muitas marcas incríveis contando diferentes narrativas brasileiras dentro dos seus próprios universos. O próximo passo é ampliar essa diversidade de olhares, permitindo que mais estilistas apresentem suas perspectivas sobre o Brasil por meio da moda. Imagino um futuro biofuturista, artesanal e cada vez mais conectado aos diferentes grupos culturais que formam o nosso país.

SdA. Se você pudesse vestir uma personalidade brasileira que represente o espírito da Berimbau Brasil, quem seria e por quê?
SF: Existem muitas pessoas que representam esse espírito, mas eu adoraria vestir Alcione. Ela é um símbolo de representatividade para milhares de afrodescendentes, especialmente para mulheres negras. Além de ter uma voz marcante, representa o Maranhão, a música e muitas das narrativas brasileiras que ajudaram a construir a identidade cultural do nosso país.
Em poucos anos, a Berimbau Brasil consolidou uma linguagem própria ao transformar território, memória e pesquisa em criação. Mais do que interpretar símbolos, a marca mostra que escutar, investigar e compreender o lugar de onde se vem também é uma forma de construir novas narrativas brasileiras — e, com elas, imaginar o futuro da moda.
Conheça mais sobre o trabalho da marca parceira Berimbau Brasil nos seus canais oficiais: @berimbau_br e @sandrofreitas___. Na nossa vitrine de marcas parceiras você encontra outras empresas que constroem uma moda mais responsável ao nosso lado.

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