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moda & estilo

Identidade: a linguagem criativa da marca Areia

7 de julho de 2026 | 0

Existe uma grande diferença entre produzir roupas e construir linguagem. Algumas marcas acompanham tendências; outras escolhem um caminho mais lento, feito de encontros, repertório e tempo. A marca parceira Areia, por exemplo, pertence ao segundo grupo.

Criada em 2021 pelo designer, stylist e gastrônomo Adailton Junior, a marca baiana nasceu do desejo de propor uma nova relação entre corpo, roupa e identidade. Em suas coleções, essa busca aparece tanto na construção estética quanto na maneira como a marca aproxima memórias, pessoas e diferentes formas de criar, ampliando as possibilidades da moda autoral brasileira.

Mais recentemente, esse olhar ganhou um novo capítulo com a coleção Mimosa 2, desenvolvida em parceria com artesãs do interior da Bahia por meio do projeto Mãos da Moda. Um encontro que reforça uma característica presente desde o início da marca: construir sua identidade por meio da colaboração, onde tradição e contemporaneidade caminham lado a lado.

Em uma conversa para o Feito no Brasil, Adailton Junior compartilha como nasceu a Areia, a importância do algodão em seu processo criativo e por que acredita que preservar a própria identidade também é uma forma de imaginar o futuro da moda.

SdA. A Areia nasceu do desejo de transformar a relação das pessoas com o consumo. O que estava incomodando você na moda e o que sentiu necessidade de construir através da marca?

Adailton Junior: Nunca consegui me reconhecer na seção masculina das lojas. Não por uma disforia de gênero, mas porque existia uma forma muito particular de me comunicar através da roupa. Além de ser minha principal brincadeira de infância modelar e construir figurinos esse foi, sem dúvida, o primeiro impulso que me levou a fundar a Areia. Provocar a possibilidade de fazer escolhas que ultrapassam o gênero conduz a comunicação da marca. Afinal, tudo o que produzimos contempla um estado de espírito. O corpo é apenas o instrumento.

look da marca “Areia”

SdA. Você transita entre diferentes universos criativos — moda, gastronomia, direção de imagem e styling. Como essas experiências atravessam a identidade da Areia?

Adailton Junior: Sempre fui muito conectado aos meus talentos de infância e encontrei na gastronomia outra possibilidade de construir uma linguagem autoral. Como cozinhar sempre esteve presente na minha vida, seguir esse caminho foi uma intuição prática e muito feliz de um jovem que precisava se capacitar para o mercado de trabalho. Na gastronomia, consegui atuar em um lugar ainda mais conectado com esse universo artístico e autoral: o food styling. Em 2021, a Areia nasceu e tornou real a condução clara desse caminho entre o sonho e sua materialização. Costumo dizer que minha fonte é uma só. Atuar em diferentes áreas da criação me faz sentir muito vivo, e é justamente essa euforia diante de novas histórias que me mantém profundamente conectado comigo mesmo, sem me perder em nenhum desses mergulhos.

É um grande mar. E a Areia é uma baía calma, que evolui junto comigo. Ela reflete meu repertório, tudo o que atravessa nosso cotidiano e a identidade que construímos ao longo desse caminho.

SdA. O algodão aparece em boa parte das criações da Areia. O que essa fibra permite construir que outros materiais não oferecem?

Adailton Junior: O algodão é um aliado fundamental para construir peças que merecem ser cuidadas e atravessar gerações. Ele nos permite transitar perfeitamente entre a estrutura das peças mais rígidas e a fluidez das peças com tiras e movimento. Além disso, as tramas dos tecidos são ideais para bordados e outras manualidades, que fazem parte da linguagem da marca.

SdA. Como preservar a identidade da Bahia sem transformar esse território em estereótipo?

Adailton Junior: Que pergunta bonita. Eu gostei muito da forma como você enxerga a Areia. É algo tão genuíno dentro do meu processo criativo que, muitas vezes, nem me pego pensando em comunicar isso de maneira intencional. Acho muito importante reforçar a pluralidade da Bahia e dissolver essa imagem estereotipada que, muitas vezes, nos conecta mais à linguagem do colonizador do que à do nosso próprio povo. A Bahia não precisa ser reinventada. Precisa ser olhada por quem vive nela. A Areia se comunica a partir de uma conexão muito profunda com o lugar de onde nasce, com a linguagem de quem olha para dentro. É justamente daí que conseguimos expressar nossa identidade de forma verdadeira, sem transformar nossas histórias em um conto.

look da marca “Areia”

SdA. A coleção Mimosa 2 aproxima a Areia de artesãs e saberes tradicionais do interior da Bahia. O que esse encontro mudou na sua forma de criar?

Adailton Junior: Vivenciar a manualidade foi um dos grandes presentes que o Mãos da Moda me proporcionou. A Areia vem tecendo colaborações desde sua primeira coleção, o que faz com que o DNA da marca já nasça aberto a muitos outros encontros.

Com as artesãs de Correntina, foi uma experiência muito feliz. Esse encontro elevou o nível de sofisticação do trabalho, deu ainda mais corpo às nossas histórias e, principalmente, construiu uma rede de pessoas reais, talentosas e cheias de sonhos para realizar. A Areia certamente continuará flertando com outras manualidades e experimentando novos saberes. Espero que esse seja sempre um processo capaz de gerar impacto, fortalecer nossa história e contribuir para perpetuar esses conhecimentos.

SdA. Em um momento em que a moda se torna cada vez mais acelerada e descartável, por que continuar apostando no tempo do fazer manual?

Adailton Junior: “O futuro é ancestral”, disse Ailton Krenak. Não acredito em futuro sem um fio firme que nos conecte ao passado. Não existe prosperidade sem antes saudar e pedir licença àqueles que vieram antes de nós. Estar conectado às manualidades e aos saberes ancestrais é poder sonhar com legado e transformação real na vida das pessoas. É dessa relação entre memória, criação e identidade que nasce a alma da Areia.

SdA. Se você pudesse vestir uma personalidade brasileira que represente o espírito da Areia, quem seria e por quê?

Adailton Junior: Essa é uma pergunta difícil, porque muitos nomes me vêm à cabeça. Fico com Erika Hilton, por representar o futuro em que acredito: uma mulher determinada, forte, comprometida e, acima de tudo, belíssima.

Em poucos anos, a Areia consolidou uma identidade própria, mostrando que inovação e ancestralidade não caminham em direções opostas. Entre encontros, manualidades e colaboração, a marca reafirma que criar também é um exercício de pertencimento e que a moda pode ser uma forma de preservar histórias enquanto aponta novos caminhos.


Conheça mais sobre o trabalho da marca parceira Areia nos seus canais oficiais: @amoareia e amoareia.com.br. Na nossa vitrine de marcas parceiras você encontra outras empresas que constroem uma moda mais responsável ao nosso lado.


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