Loading...

releases / Abrapa destaca programas de rastreabilidade na segunda edição do Diálogo do Algodão Brasileiro

| 15 de dezembro de 2025

O evento realizado pela Better Cotton Iniciative (BCI) reuniu representantes da cadeia do algodão para debater o futuro da pluma no Brasil

Na última terça-feira (9), a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) participou da segunda edição do Encontro do Diálogo do Algodão Brasileiro. Realizado anualmente pela Better Cotton Iniciative, o encontro reúne representantes do setor agrícola, têxtil, varejista, exportador e de organizações não-governamentais que estão interessados em colaborar com a produção do algodão no Brasil.

A diretora de relações institucionais da Abrapa e gestora do movimento Sou de Algodão, Silmara Ferraresi, foi convidada pelo BCI para apresentar o case da rastreabilidade do algodão brasileiro.

Promoção e rastreabilidade do algodão brasileiro

Ferraresi mostrou na sua apresentação como funcionam os programas de promoção e rastreabilidade da Abrapa, que seguem o algodão da semente ao guarda-roupa. Sobre o programa SouABR, a diretora explicou detalhes de como a transparência é garantida em toda a cadeia de custódia do algodão certificado pelo programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR). Através de um QR Code que acompanha a peça, o cliente final consegue acessar todos os dados relacionados a sua produção, sabendo quais fazendas cultivaram o algodão, a fiação e a tecelagem que transformaram a pluma em tecido até a confecção e a varejista loja onde a roupa foi vendida, uma inovação que aumenta a credibilidade de todos os compradores.

O movimento Sou de Algodão foi destaque por ser o responsável pela promoção do algodão no mercado doméstico. “O algodão é a fibra mais utilizada no Brasil, representando 40% do que é consumido pela indústria têxtil brasileira. No mundo, o algodão representa apenas 21% do consumo total de fibras.” explicou Ferraresi. No ano comercial 2024/2025, o Brasil e sua indústria têxtil verticalizada foi o maior cliente do algodão brasileiro, “E parte disso se deve a todo trabalho de promoção desenvolvido pelo Sou de Algodão”, avaliou. A diretora também citou a nova política de adesão ao programa SouABR, que, a partir de 2026, permitirá que novas marcas façam parte do programa e aproveitou o momento para reforçar o convite de participação às marcas que estavam presentes. “Para aquelas marcas que estão aqui hoje e ainda não estão conosco, no SouABR e no Sou de Algodão, fica o convite. Nós queremos todo mundo daqui com a gente para levantar a bandeira de um algodão mais responsável, que contribui para uma cadeia brasileira cada vez mais sustentável e que entrega valor agregado para os seus consumidores”.

Painel mediado pela Abrapa reuniu Renner, Capricórnio Têxtil, WWF, Amaggi e Embrapa

Após a palestra, Ferraresi coordenou um painel temático sobre a rastreabilidade, que contou com a participação da gerente de sustentabilidade da Renner, Fabiola Lima; da coordenadora de sustentabilidade da Capricórnio Têxtil, Gabryella Mendonça; do Líder da estratégia para combate ao desmatamento e conversão da vegetação nativa da WWF, Pabllo Majer; da head de sustentabilidade do Grupo Amaggi, Fabiana Reguero; e do pesquisador da Embrapa, João Paulo Morais.

Os desafios e as vantagens da rastreabilidade foram destaque no debate. Durante o painel, a head de sustentabilidade da Amaggi citou que apesar algodão brasileiro ter muitas vantagens competitivas em relação a outros países produtores, existe uma dificuldade de mostrar isso aos compradores estrangeiros. “A pluma brasileira tem muitas vantagens competitivas se comparada com a produzida em outros países. Nós precisamos aproveitar toda essa rastreabilidade da origem, para de certa forma, promover e escalar as exportações. Neste sentido precisamos encontrar onde estão as sinergias, e descobrir como que a gente pode destacar os pontos fortes do nosso produto”.

Ainda sobre os desafios, Gabryella Mendonça, citou que a rastreabilidade deve ser comunicada como uma solução que vai além da logística.“Como nós podemos conectar a rastreabilidade com os temas críticos do nosso setor? Como a agenda de clima, o desmatamento, e diretos humanos, por exemplo. Neste sentido, é importante que a rastreabilidade seja vista muito além da logística, ela precisa ser uma agenda, uma necessidade socioambiental”, completou Mendonça.

Sobre as vantagens, Pabllo Majer, reforçou a importância da rastreabilidade tanto para quem produz, quanto para a preservação do meio-ambiente. De acordo com Majer, “Quando você tem rastreabilidade e o controle de origem, você acaba dando mais valor ao agricultor que se compromete com a transparência da sua produção. Outro ponto muito importante é que o respeito a todo o nosso código florestal passa pela rastreabilidade. Ela se torna essencial para manter a floresta em pé, mitigar todas as mudanças climáticas e reduzir o uso de químicos”.

Construindo uma visão conjunta

O gerente sênior dos programas de grandes fazendas e parcerias da BCI, Alvaro Moreira, citou que o encontro alcançou o seu principal objetivo ao reforçar a importância da construção de uma visão conjunta sobre o que significa produzir algodão de forma mais sustentável no Brasil. “Esta edição trouxe a rastreabilidade para o centro do debate, destacando o programa da Abrapa e seu potencial como ferramenta transformadora para gerar impacto positivo no campo.”

Para os participantes, o evento evidenciou o alto nível de organização do setor cotonicultor brasileiro, fator que contribui diretamente para tornar essas discussões ainda mais produtivas.

 

Sobre Sou de Algodão
Com o propósito promover o algodão como matéria-prima primordial para a moda e o consumo responsável para o mercado brasileiro, a Abrapa criou o movimento Sou de Algodão em 2016. A iniciativa une os profissionais da cadeia produtiva e têxtil, dialogando com o consumidor final com ações, conteúdo e parcerias com marcas e empresas.

Sobre o SouABR
Lançado em 2021, o SouABR é o programa de rastreabilidade da Abrapa que garante total transparência em toda a cadeia de custódia do algodão brasileiro. Por meio de um QR Code aplicado às peças, o consumidor final acessa informações completas sobre a origem e o percurso do produto, da semente ao guarda-roupa. A iniciativa reforça a credibilidade do setor, conecta o público à história de cada peça e consolida um novo padrão de confiança e inovação para o mercado têxtil.