Do plantio do algodão à confecção de vestuário, a verticalização é a principal vantagem competitiva do Grupo Sudotex, um dos mais reconhecidos fabricantes de fios, malhas e camisas polo 100% algodão do continente americano.

A empresa detém toda a cadeia produtiva, desde o plantio da fibra natural, colheita e beneficiamento do algodão até a fiação, malharia, tinturaria e confecção. “Costumamos dizer que nosso nome é Sudotex e o sobrenome é algodão. Não tem como falar de um sem associar ao outro”, comenta Herbet Silva, diretor comercial do grupo.

O grupo oferta vários produtos do mercado têxtil para clientes de todo Brasil. “Temos a pluma, comercializamos o fio, vendemos malha em rolo e camisas polo para lojistas dos mais variados portes”.

Atualmente a aposta da companhia é a marca própria de camisas polo, cujo diferencial é sua composição: 100% algodão. “Estamos entrando para valer nesse mercado de polos, é o nosso grande investimento para o futuro. Estimamos triplicar essa área nos próximos dois anos”, explica Silva.

A empresa tem como clientes de sua carteira importantes redes varejistas do Brasil além de milhares de lojas multimarcas espalhadas pelos 27 estados da federação.

 

Desafios 

A escolha por confeccionar camisas polo se deu por sua alta complexidade, além de haver uma demanda latente e não ser um produto de modismo. “Gostamos de desafios”, Silva enfatiza. Para ele, esse tipo de produto é um dos mais difíceis de ser fabricado. “O processo de fazer a gola e o peitilho é complexo, se conseguir acertar essas duas partes, considere que 70% da peça foi acertada”.

O diretor comercial explica que, desde o início, a ideia era fazer uma polo com composição 100% algodão porque a Sudotex queria quebrar o paradigma que se tinha no mercado têxtil de que não era possível confeccionar esse tipo de roupa sem misturas de fibras.

“Já tínhamos familiaridade com a fibra natural, e é a única matéria-prima que trabalhamos justamente por sua alta qualidade e versatilidade. Encaramos o desafio para provar que era possível, sim”. Silva conta que não foi fácil chegar ao ponto em que a empresa se encontra hoje. “Uma coisa é você fazer uma camisa polo perfeita. Outra é fazer 500 e outra bem diferente é manter um padrão para fazer 100 mil unidades”, comenta.

Atualmente, segundo o diretor comercial, a Sudotex tem a maior pronta-entrega de camisas polo do continente americano, com capacidade de atender, imediatamente, pedidos de 200 mil unidades. “Foi um grande desafio, trabalhar com a pronta entrega, complicado no início, mas ao mesmo tempo,  muito envolvente. Depois tivemos outra barreira a ser vencida com os comerciantes, pois eles ficavam receosos em comprar. Mas, conforme conheciam o produto, ganhávamos mercado, e hoje fazemos nossas camisas polo 100% algodão e não temos nenhuma dor de cabeça, e os clientes ficam muito satisfeitos”.

 

O mundo inteiro no interior da Bahia 

O fundador da empresa, Antônio Oliveira Souza, sempre diz que “a partir do momento em que se quer fazer algo, é preciso buscar fazer o melhor”. E esse é um dos pilares da Sudotex, que investe constantemente em inovação e tecnologia. “Embora estejamos no interior da Bahia, temos os equipamentos mais modernos de diversas partes do mundo aqui. Somos muito bem providos em tecnologia. Constantemente recebemos técnicos de diversos países para nos dar assistência, pois primamos por sempre adquirir equipamentos novos para que possamos contar com a assessoria do fabricante; em nosso parque fabril possuímos maquinários da Alemanha, Japão, China, Estados Unidos, Espanha, Índia, França, Itália, entre outros”, explica Silva.

A sustentabilidade está no DNA da companhia, que desde 2013 tem a certificação da ABVTEX (Associação Brasileira do Varejo Têxtil), que garante o cumprimento das responsabilidades sociais, relações de trabalho e sustentabilidade no processo produtivo.

“São diversas ações no intuito de estar de bem com a natureza. Um exemplo é o lodo resultante do processo de tratamento de efluentes, que possui um destino apropriado. O processo de tinturaria gera um material sólido (lodo) que, ao contrário do que muitas empresas fazem, não aterramos. A Sudotex paga para uma empresa especializada em renovação para fazer,  periodicamente,  a retirada do resíduo“, esclarece Silva.

Todas as lenhas utilizadas são de origem renovada e a água tratada pela empresa, advinda da tinturaria, serve, inclusive, para abastecer um lago com peixes. “Não tem forma melhor de demonstrar que essa água tratada é de qualidade, pois os peixes são muito sensíveis”, relata Silva.

Outra meta futura da empresa é ter todos os seus produtos com algodão sustentável até 2021.

 

Origem

A Sudotex é uma empresa familiar que teve inicio na década de 90, quando o Sr. Antônio Oliveira Souza aceitou o desafio de comprar uma antiga usina de beneficiamento de algodão em Urandi (BA). Crescido em meio à fibra, pois desde os seis anos ajudava seus pais e irmãos na lavoura, ele conhecia bem o produto.

Logo o negócio prosperou e, em 1999, a empresa ganhava um setor de fiação. Produzindo fios de alta qualidade, em menos de dois anos a produção foi duplicada.

Em 2008 veio mais uma expansão com a instalação da malharia, tinturaria e confecção. Em 2010 nasceu a Sublime Douto Têxtil, empresa do grupo que atua na fabricação de camisas polo.

E, em 2011, o ciclo da cadeia produtiva começaria a ser fechado, com a compra de fazendas em Correntina (BA) com foco no agronegócio. “Mas só começamos a plantar o algodão em 2015, antes, precisávamos plantar outras culturas como soja e milho para preparar o solo”, explica o diretor comercial.

Atualmente, destinado ao agronegócio, a fazenda do grupo tem aproximadamente treze mil hectares e está localizada na região oeste do estado da Bahia, no município de Correntina.

Toda pluma advinda do algodão cultivado é para consumo próprio, para abastecer a demanda da empresa.

A área de fiação pode produzir até mil toneladas de fio por mês, dependendo da titulagem do fio fabricado. O setor de malharia tem capacidade de 180 toneladas de malha mensalmente e a área de confecção, de 500 mil unidades mensais. Ao todo, a Sudotex gera cerca de 400 empregos diretos e milhares de empregos indiretos.

“Devido a grande importância da empresa para o estado, governadores da Bahia, como Paulo Souto, Jacques Wagner e João Leão, já estiveram, pessoalmente, visitando o parque fabril da Sudotex”,  finaliza Herbet.