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blog / O futuro da moda é sustentável. Mas o que isso significa?

algodão & sustentabilidade | 16 de julho de 2021 | 0

A preocupação com o meio ambiente e com o desenvolvimento de soluções que provoquem menor impacto ambiental, é uma grande tendência observada em muitos segmentos e negócios. A moda também está inserida neste contexto e vemos, cada vez mais, marcas e profissionais do setor dedicados ao universo sustentável e que abraça também o social. 

Isso quer dizer que termos como slow fashionrecycleupcycling e zero waste devem se popularizar ainda mais, com atenção a toda a cadeia produtiva da moda – que tem um propósito de ser mais transparente –, do consumo consciente e do novo perfil do consumidor.  

O futuro da moda é slow? 

Numa análise do movimento slow fashion, que acredito ser o futuro da moda, podemos destacar a valorização do produtor local, com o foco numa produção mais consciente e em menor escala, com mais qualidade, durabilidade e exclusividade. Com isso, ganha a indústria têxtil, que consegue evitar desperdícios, economizar e otimizar processos, o produtor local, com o reconhecimento de seu trabalho e matéria-prima e, claro, o consumidor, que recebe um produto diferenciado e que segue um conjunto de práticas sustentáveis e sociais que fazem a diferença. 

Mas, é essencial ressaltar que as marcas devem, de fato, estar engajadas e inseridas neste conceito, para que realmente faça parte da sua cultura e política, de forma transparente e em diferentes frentes. Posicionar-se e adotar hábitos que representem o respeito e o cuidado com o meio ambiente, agrega valor e contribui para uma imagem positiva da marca.  

O consumidor também está mudando 

Pensar que o futuro da moda é sustentável traz uma reflexão também sobre o perfil do consumidor. Estamos diante de uma geração que caminha, cada vez mais, para um consumo consciente e questionador. Que quer entender desde a origem da matéria-prima daquela peça de roupa até o fim que ela terá.  

Quem fez a minha roupa e em quais condições? De onde vem e qual a matéria-prima utilizada? Como posso reaproveitar ou ressignificar essa roupa? E aqui vale mencionar os processos recycling, que consistem em recuperar peças e itens para serem usados novamente. E também o upcycling, que faz referência à transformação das peças e itens em algo novo, a partir do reaproveitamento de tecidos, acessórios, etc.  

Perceba que este comportamento está diretamente relacionado ao futuro da moda sustentável e com propósito, em que entender todo o processo e ciclo de vida de roupas e objetos de consumo é fundamental. 

O artesanato é parte importante da transformação 

E, como o artesanato entra neste assunto? É justamente a valorização que tanto se busca no processo de tecer o ponto a ponto, com o crochê, tricô, amigurumi, macramê, bordado, e outras técnicas artesanais que usam, por exemplo, tecidos, como o patchwork.  

É o reconhecimento do trabalho manual, que consiste numa produção única que carrega afeto e conta uma história. Cada produção é ímpar, leva um tempo para ser confeccionada, é feita com um propósito e em pequenas quantidades. Não é pensada para ser algo descartável. Possui uma vida útil maior, que agrega todo um significado de carinho e cuidado do trabalho feito pelas mãos do artesão ou artesã. 

Linhas de algodão com cores naturais da Círculo | Foto: divulgação

E nesse processo, entra também todo o suporte e a consciência da indústria têxtil na criação de alternativas que estejam de acordo com práticas socioambientais, com o respeito ao meio ambiente.  

Por exemplo, já temos no mercado fios produzidos com 100% de algodão, que utilizam processos de tingimento natural e fazem o descarte de resíduos de forma mais consciente.  

Desde 2012, acompanho a implantação de tecnologia exclusiva no setor de fios para trabalhos manuais, que tem como objetivo diminuir o impacto ambiental nos processos de tingimento de fios. Entre os benefícios notados nesses procedimentos estão: uma média de economia de 80% da água, 80% de sal e 50% de produtos químicos na produção com esta tecnologia.  

Além disso, participei da concepção de alguns produtos que têm a sustentabilidade como grande diferencial. Um deles, indicado para tricô e crochê, é um dos favoritos do consumidor que tece peças para moda e decoração. São fios naturais, produzidos de forma ecológica e que mantém a qualidade, feitos de algodão cru e que não são tingidos e nem alvejados. Isso também reduz o uso de produtos químicos, água, consumo de energia e a quantidade de resíduos é praticamente nula. Participo de outros projetos, que também atuam com fios com essa consciência ambiental e com foco no orgânico, como: 

– Veganos para macramê: feito com fibras mais curtas e que geralmente são descartadas e passam por um novo processo até se transformar no produto final. As fibras são higienizadas e não sofrem nenhum processo de alvejamento ou tingimento, gerando mais economia de água; 

– Fio de cana-de-açúcar: feito a partir da polpa do bagaço da cana-de-açúcar, é um fio biodegradável e sua decomposição inicia cerca de 150 dias após a deposição por compostagem e encerra em 240 dias. É indicado também para a técnica as técnicas de crochê e tricô;  

– Fio de algodão orgânico com tecnologia especial desenvolvida pela Embrapa em parceria com a Natural Cotton Color: a própria pluma já gera uma cor e, por isso, não há necessidade de tingir, o que reduz o impacto ambiental no processo de produção. É super macio e indicado para crochê e tricô.  

Trouxe alguns exemplos para mostrar que ainda estamos a pequenos passos, mas já há uma grande mobilização de todos os setores envolvidos para garantir que o futuro da moda seja sustentável e que traga reais impactos sociais. Desde grifes e grandes estilistas, passando por importantes eventos de moda, como o São Paulo Fashion Week, e marcas renomadas que se abrem, cada vez mais, para esta possibilidade e tendência com tanto potencial. 

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