Tiveram estudo, viajaram o mundo, viveram a cidade e o campo e podem escolher uma profissão mais fácil do que a que eu, meus pais e meus avós tivemos. Todas as gerações antes deles viveram de plantar, colher e criar animais. Com pouco ou nenhum estudo. E esse ofício era tão sofrido até a minha geração que, para os que viriam depois de nós, só podíamos desejar uma vida mais tranquila e suave, coisa que só a dedicação aos livros garantiria.

Meus filhos estudaram muito, meus netos estudarão ainda mais. Estes, certamente, vão ocupar espaços que nós nem sabíamos que existiam, com profissões que ainda nem foram inventadas. Vão poder ser o que quiserem, inclusive agricultores. E se forem, tanto os pequenos quanto os pais deles vão ver que, no campo, o futuro já chegou e, cada vez mais, é preciso estudo para entender tantos dados, tantas tecnologias. Para usar toda essa informação para produzir comida e fibras naturais para nutrir e vestir toda essa gente que nasce a cada volta do ponteiro do relógio.

Nossos pais e avós, homens e mulheres que viveram sempre de trabalhar a terra, nos deram régua e compasso, enxadas, arados e tratores. Nossos filhos e netos têm GPS e celulares, e um “admirável mundo novo” por desbravar. Mas têm no sangue o amor à terra e a certeza de que é preciso cuidar dela, da água, das florestas e das pessoas, para garantir que, quando não estivermos mais aqui, os filhos e netos das nossas gerações adiante possam ser o que quiserem, inclusive agricultores.

Um salve a todos os agricultores do Brasil!

Milton Garbugio

Presidente da Abrapa