Para a Precoce, cada peça de roupa é um meio de a empresa transmitir o carinho e o cuidado que tem pelos pequenos.

Esta forma de trabalhar vem do exemplo que Maria Thereza Gontijo teve desde criança, quando acompanhava o trabalho de sua mãe, que confeccionava roupas infantis sob medida. “Ela era muito criteriosa, fazia roupas impecáveis, com acabamento excelente. Tinha muito cuidado e carinho com cada peça que produzia e eu me encantava com tudo aquilo”, afirma a empresária, que fundou a confecção em 1986, em Governador Valadares (MG), em sociedade com o marido, Oswaldo Gontijo.

Além de atuar na administração do negócio, a empresária faz questão de participar ativamente do setor de criação e estilo, que é onde se imprime a alma do negócio.

A fonte de inspiração ao criar as coleções é o universo infantil, que ganha vida nas roupas de cores alegres, vibrantes e com estampas temáticas exclusivas.

A empresária trabalha tendo em mente que, quando algo é feito com boa intenção, esse sentimento bom acompanha o produto. Por isso, pede às costureiras que imprimam o amor quando estiverem costurando. “Eu sempre converso com a equipe, falo para elas pensarem que cada roupa que passa na mão delas irá para uma criança. Peço para imaginarem a peça sendo vestida por uma criança feliz, brincando e pulando”, diz a empresária. “Acho isso maravilhoso porque acredito que esse sentimento bom acompanha a roupa. Emanar coisas boas faz bem”.

 

Estilo único

Anualmente a Precoce lança três coleções: Primavera, Alto Verão e Inverno. Todas têm um perfil mais casual e leve, inclusive a linha para a época mais fria do ano. “Nossos principais clientes estão nas regiões Central e Nordeste do Brasil, além do Sudeste e Santa Catarina. As duas primeiras áreas não têm um inverno rigoroso e longo, por isso, continuamos com uma linha mais tropical e fazemos casaquinhos, vestidos e conjuntos mais leves de tricoline”.

Cada coleção conta uma história, é ambientada em uma ideia que a empresa quer passar, e as estampas são desenvolvidas a partir de um tema específico.

Em 2018, a empresa trabalhou a linha Inverno com a coleção “Que planeta você vive?”, que propunha uma viagem pelo universo. “Viajamos pelos planetas idealizando aquele que fosse ideal, com tudo perfeitinho para uma criança viver”, explica a diretora da Precoce. A proposta de viagem continuou na coleção Primavera, que propôs um tour pela França, Amsterdam e Londres. O tema “Pra onde tenha Sol, é pra lá que eu vou!” norteou a linha Alto Verão.

A primeira coleção de 2019 é ambientada na floresta, com o tema “A trupe do mato”.

As estampas lúdicas são a identidade visual da marca, que há alguns anos tentou fazer peças com perfis diferentes e não deu certo. “Temos nosso nicho bem definido, os lojistas e o consumidor final entendem nossa proposta e é isso o que esperam nas peças da Precoce”, explica Maria Thereza. Ela conta que, certa vez, recebeu um e-mail de uma mãe que elogiou o perfil da marca e se disse encantada, pois sempre que entrava em uma loja e via as peças de uma nova coleção, percebia na hora qual era a proposta da vez. “Não temos intenção de mudar, encontramos nosso estilo e nosso público”.

 

Sempre algodão

Criança brinca muito, corre, está sempre ativa. Por isso, as roupas infantis têm que ser muito confortáveis, ter um toque macio e permitir a transpiração da pele, além de uma modelagem que possibilite facilmente os movimentos. “Priorizamos sempre o tecido de algodão, minha mãe já fazia isso quando costurava e, desde pequena, aprendi que ele é o tecido ideal para a moda infantil. Morro de pena quando vejo meninas com roupas de poliéster”, afirma a empresária.

Os tecidos 100% algodão são de fornecedores de Minas Gerais e Santa Catarina e estão presentes em 95% das peças da marca. Os 5% restantes são utilizados apenas em algumas roupas para crianças maiores.

Os tamanhos são abrangentes e divididos em quatro linhas: Bebê (3 a 12 meses), Mini (1 a 4 anos), Kids (4 a 10 anos) e Libélula (10 a 16 anos). Esta última linha foi incorporada há dois anos, a pedido dos clientes, que tinham dificuldade em encontrar roupas que julgassem ser adequadas à idade de seus filhos.  “Temos muitas meninas de 8 anos que vestem tamanho 14, 16 anos. Independentemente de ela ter uma estrutura física maior, continua sendo uma criança. Os pais e até mesmo os lojistas se queixavam muito porque, para esse tamanho, só encontravam roupas com perfil mais adulto”, diz Maria Thereza.

 

Desenvolvimento social

Com 70 colaboradores diretos, a Precoce recorre ao trabalho das facções instaladas na região de Governador Valadares, Mantena, Mendes Pimentel e Malacacheta.

Essa parceria possibilitou o aumento de sua produção e também mudou a vida de muitas famílias que, em determinado momento, não tinham emprego.

Maria Thereza conta que, há alguns anos, foi procurada pela Prefeitura de Mendes Pimentel porque as mulheres do município não tinham emprego. “Fizemos um treinamento intensivo com elas nas duas cooperativas, uma na cidade e outra na zona rural. Deu muito certo e todos saíram ganhando. Foi muito gratificante para nós termos tido a chance de ajudar essas pessoas que, por sua vez, também nos ajudaram, pois graças ao trabalho delas conseguimos aumentar a produção sem alterar nossa estrutura interna”.