Mais do que o nome, a marca Áurea Lúcia Moda Circular carrega o lifestyle de sua criadora. “Nossa intenção é que cada roupa e cada acessório sejam um agente transformador, que resignifiquem nossa relação com o meio ambiente, com as nossas roupas e com as pessoas, em especial as mulheres que fazem a moda e somam 75% da mão de obra da indústria da moda brasileira segundo dados da ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil).

Criando para mulheres com o apoio de mulheres, a designer transmite a força feminina em cada peça através dos saberes e fazeres artesanais herdados de sua mãe e avó – ela é da terceira geração de mulheres artistas da família e entre outras habilidades, costura, borda, cozinha, desenha e cuida de várias espécies de plantas e dois cachorros. Foi bebendo nesta fonte que surgiu seu modelo de negócio: empresa socioambiental de moda circular, que aplica o design em materiais de base natural, orgânica e reciclada, transformando-os através do upcycling, da impressão botânica, do tingimento com corantes e técnicas diferenciadas de tricot e crochê sobre shapes básicos e na alfaiataria.

Um modelo de negócio contemporâneo, selecionado para integrar um programa de aceleração de negócios em Belo Horizonte, onde fica a sede a empresa. Cidade com grande representatividade no cenário nacional e internacional da moda, Beagá como é carinhosamente chamada a capital de Minas Gerais tem hoje    % de mulheres idosas e destas,   % chegaram a terceira idade sem se preparar para a aposentadoria, ou seja, sem renda. Constatando esta realidade dentro de casa – sua mãe produziu roupas sob medida e para festas durante anos após se aposentar em uma empresa privada –  e durante a produção de suas coleções, onde se destaca a primeira em 2005 produzida totalmente por duas senhoras – a designer implementou como propósito contribuir para a empregabilidade das profissionais 60+, gerando renda, bem estar e convívio social.

 

A moda circular praticada pela empresa também aconteceu naturalmente. Desde o seu retorno para o mercado em 2014, a marca estava inserida  no movimento slow fashion e a circularidade é um desafio que o mercado da moda global está enfrentando, visando sua própria  sobrevivência. Registrado através de roupas o core business  da empresa está aplicado na primeira coleção onde a circularidade já estava presente. Totalmente produzida com tecidos 100% algodão, tingidos com mate e fixados com folha de goiaba, os vestidos amplos, apresentam aplicações artesanais de entremeios e bordados que foram descartados por uma empresa do setor.  Mais atual do que nunca – e intacta – a coleção “Entre nós mesmos” foi inspirada nas roupas memórias, no afeto que temos por algumas roupas que nos fazem guardá-las ou doar para pessoas que irão continuar vestindo aquelas histórias e escrevendo novas tramas, fazendo circular.

A marca está em expansão e hoje comercializa suas criações em eventos do setor e multimarcas.