A marca de roupas esportivas comemora 30 anos, com o pensamento no futuro e na sustentabilidade, através da valorização de origem e a atuação responsável de seus colaboradores e parceiros.

Quase todo mundo conhece a Track&Field, aquela marca bacana de roupas esportivas que tem lojas em quase todos os shoppings do país. Com vitrines sempre muito atrativas, a marca acabou ganhando fama por oferecer produtos de qualidade e inovadores. As pessoas que usam, sempre voltam atrás de novidades, e esse é um hábito que acabou se estendendo aos filhos dos clientes mais antigos.

Quem já entrou em alguma das lojas da marca sabe que o atendimento é feito por equipes formadas por jovens, que se vestem de forma despojada, sem a formalidade exigida em outros modelos de venda. Muito dessa “pegada” jovem tem a ver com a formação da empresa, fundada em 1988 por três jovens amigos. São 30 anos de parceria que deu muito certo e acabou ganhando mais uma sócia na operação de varejo. Hoje eles são quatro, e têm cerca de 500 funcionários.

Mas, lá atrás, tudo começou quando os três, moraram no exterior e tiveram contato com um gênero esportivo conhecido como Track&Field, que reúne atividades como corrida, salto e arremesso. Apaixonados por corrida, na volta, perceberam que no Brasil não havia produtos específicos para a atividade, então decidiram criar as peças que eles próprios queriam usar: calção e camiseta.

“À época, não havia nenhum tecido tecnológico. Lembro-me que quando eu comecei, em 1993, eram três lojas – nos shoppings Jardim Sul, Morumbi e Iguatemi –, que vendiam shorts de tactel e camisetas de algodão”, explica Adrinée Debelian Atlas, responsável por estilo e produto da empresa.

A marca foi pensada para ser masculina e voltada para corrida. Eram três jovens que queriam pôr a mão na massa e ser independentes. E assim foi, montaram a primeira loja. Hoje, depois de implantarem o projeto de franquias há sete anos, são 180 lojas, sendo 31 delas próprias, em todo o país. E devem fechar o ano de 2018 com 200.

“O interessante desse projeto de franquias é que um mesmo franqueado, muitas vezes, tem até cinco lojas. Isso mostra que hoje, mais que fidelizar o cliente, a nossa marca fideliza o franqueado. Ou seja, não estamos mais vendendo só roupa, mas um projeto inteiro. É muito legal”, conta Adrinée.

 

Projeto social
Assim como a inovação de suas linhas, a Track&Field foi implantando mudanças em sua forma de trabalhar ao longo de sua história. No início, eles produziam tudo com confecção própria. No modelo atual, as peças são confeccionadas 50% por eles e os outros 50% com fornecedores. “São poucas fábricas grandes. Nós incentivamos parte de nossas costureiras a terem seu próprio negócio a fim de produzirem para nós a linha butique”, afirma Adrinée. Mais um sinal de que eles pensam além do próprio negócio e ajudam aqueles que dele participam.

Como apoio, a marca adquiriu uma auditoria para acompanhar o trabalho dessas pequenas empreendedoras a fim de ter certeza de que tudo está sendo feito dentro das leis trabalhistas e de forma correta.

 

Sustentabilidade
 Da produção atual da marca, 7% é feito com algodão 100%. Pode parecer pouco, mas uma grife de produtos esportivos, que se utiliza muito de tecidos com perfil tecnológico, é uma cifra que representa uma aposta importante no algodão, e a ideia é ir aumentando aos poucos para que tudo ande de forma certa e gradativa.  É clara a intenção de cuidado e responsabilidade que a Track&Field imprime a seu formato de trabalho: qualidade e conforto para usar no dia a dia.

“Quando você está trabalhando com algodão, depende muito do produto que você vai criar.  A natureza privilegiou alguns lugares com as fibras mais longas. Mas eu, particularmente, acredito que se temos o incentivo para a produção da fibra nacional, teremos um algodão cada vez melhor”, comenta José Favilla, consultor têxtil e de sustentabilidade.

A marca fez uma linha jeans com a Vicunha. São camisetas, shorts e calças, tudo muito confortável e 100% produzidos com algodão nacional. Isso aconteceu quando eles lançaram olhar para um outro mercado, além do corredor e dos que vão para a academia. “Tem muito esportista outdoor, muitas pessoas que abriram mão do carro e de transportes públicos, e usam a bicicleta ou vão a pé para o trabalho. Então, agora, temos que ver todo esse público que tem outro estilo de vida, e que inseriu uma atividade esportiva no seu dia a dia”, diz Adrinée.

“Basicamente, você tem o corpo, o ambiente e suas necessidades com a interação, o que chamamos de fisiologia da necessidade. É assim a escolha que fazemos pela fibra para determinado produto”, explica Favilla.

 

Sou de Algodão
Em uma parceria recente com movimento Sou de Algodão, da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), que incentiva o uso da fibra na moda, a Track&Field quer introduzir o algodão nacional em suas peças com cada vez mais periodicidade, mas de forma cuidadosa e sempre pensando no melhor caminho de aplicar essa inserção nas peças, combinando a qualidade e o conforto para quem usa. “Vamos adequar tudo, desde que começamos a trabalhar juntos, a ideia é a de fazer uma parceria bem legal”, comenta Adrinée.

Sobre o movimento, eles o avaliam de extrema importância para o mercado brasileiro. “Assim como já há lá fora, é importante que tenhamos essa certificação do algodão aqui no Brasil, ter a responsabilidade pelo plantio com atitudes corretas e prezar pela vida dos trabalhadores. É sinal que estamos começando a nos conscientizar, nos comprometer e a ter responsabilidade por nossas ações”, finaliza Adrinée.

Favilla complementa: “Eu acho que o movimento tem a ver, não só do ponto de vista do bem-estar das pessoas, mas também dos negócios, como uma combinação responsável e boa. A outra coisa que acho ser interessante no movimento é o fato de ele ser coletivo. Porque se você quiser trabalhar ao lado de uma produção sustentável, coerente, adequada e responsável, você não vai fazer isso de forma isolada. Até porque todas as respostas que estão sendo dadas no tema sustentável ao planeta, atualmente, são coletivas. Então, vemos que produtores nacionais estão mais preocupados em produzir com métodos mais sustentáveis que os internacionais”.