Sustentabilidade

Sustentabilidade na moda: como a Riachuelo produz moda com responsabilidade

Quando falamos em sustentabilidade na moda, qual é a primeira coisa que nos vem à mente? Que a marca não polui os recursos hídricos, ou controla o destino dos resíduos têxteis, correto? Pois bem, esse termo tem sentido muito mais amplo, e a Riachuelo mostra como.

Com 70 anos de existência, e pertencente ao Grupo Guararapes, com sede em Natal (RN), a Riachuelo possui 294 lojas espalhadas por todos os Estados brasileiros, e nunca sofreu qualquer tipo de penalidade por trabalho irregular com fornecedores. Desde 2007 é signatária de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) que visa a garantir que seus fornecedores não empreguem mão de obra em situação ilegal. “Como nós já fazíamos o monitoramento da produção sustentável desde 2002, o termo foi apenas um alinhamento formal com o setor têxtil”, explica Reginaldo Limeira de Sousa, gerente de relacionamento com fornecedores e responsabilidade social, que trabalha no grupo há 34 anos.

A empresa conta com uma frente de monitoramento da cadeia produtiva dos fornecedores para saber exatamente de onde vem o produto e para aonde vai o descarte, tudo para preservar o meio ambiente.  Na produção interna, uma lavanderia verde garante o uso reduzido e  o correto descarte de água nos ciclos, além de ter uma equipe de engenharia ambiental que acompanha todos os processos.

Para ir além nesse comprometimento com a cadeia têxtil, a Riachuelo, agora, está criando um departamento de sustentabilidade e responsabilidade social, que entra em vigor em 2018. “Estamos no processo de gestão, criando uma planilha de materialidade a fim de detectar quais são nossos pontos fortes, quais são os fracos, e assim começar a agir”, explica Laís de Seixas Bariani Siqueira Jorge, auditora de fornecedores que vai atuar nessa nova empreitada. O retorno de tanto empenho é fácil de ser detectado. Limeira Sousa diz que isso se mostra no prazer de a pessoa vestir uma peça que ela sabe que foi monitorada nos aspectos ambiental e social.



E onde entra o algodão, nessa história?

Dos produtos de confecção comercializados pela Riachuelo, 60% são produzidos em Natal. Lá, 8.500 funcionários fazem as peças que vão para as lojas. Além disso, um projeto de parceria com o Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e o governo do Rio Grande do Norte, com o objetivo de promover inclusão social, inclui outras 61 oficinas espalhadas por comunidades carentes em 27 municípios, para também fornecer roupas para a Riachuelo. “São pequenas oficinas, em média com 28 operários, dos quais 80% são mulheres que ajudam na renda da família”, diz Limeira Sousa.

Fotos: Riachuelo

O algodão nacional e sustentável é responsável por 50% da produção interna de roupas da Riachuelo, motivo de orgulho para a empresa, que se dedica tanto ao controle da cadeia têxtil. Além disso, o algodão nacional foi usado para a confecção de 7.200 camisetas cujo lucro das vendas será totalmente revertido à ARCAH (Associação de  Resgate à Cidadania por Amor à Humanidade), que ajuda moradores de rua. http://www.arcah.org/



Loja verde: indo além com a sustentabilidade

Em dezembro de 2015, a Riachuelo inaugurou sua primeira loja com projeto ecológico e certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), reconhecimento emitido pelo U.S. Green Building Council (USGBC). A loja conta com reuso de águas pluviais, o que representa uma diminuição de 67% no consumo total, uso de lâmpadas LED, gerando economia de energia, e telhado verde, que melhora o conforto térmico no interior da loja e garante eficiência do sistema de ar-condicionado.

Outras ações da empresa também apostam na ação sustentável, como a reutilização de caixas de papelão usadas para transporte de mercadorias.  Gabriel Rocha Kanner, gerente de produto da Riachuelo, explica que após os produtos chegarem às lojas, as caixas voltam para o centro de distribuição para serem usadas em uma nova entrega. “Apena no primeiro semestre  de 2017, essa ação gerou uma economia de R$ 2 milhões.”

Eles também participam de um projeto da prefeitura de São Paulo para empregar moradores de rua, que recebem treinamento e capacitação para que possam trabalhar e garantir sua própria renda. “Dez ex-moradores de rua já estão trabalhando em nossas lojas, e outros cinco estão em processo de contratação”, diz Kanner.

Sustentabilidade, portanto, vai além de cuidar do meio ambiente. É olhar para o futuro, construindo um ciclo virtuoso que beneficia as comunidades, de forma ampla, melhorando a vida daqueles que estão em contato com a marca, desde o fornecimento da matéria prima até o consumo, de forma cada vez mais responsável.