Matérias-primas naturais, chiques e leves, o algodão e o linho despontam como principais tendências do SPFW

O desfile de João Pimenta, em parceria com o Movimento Sou de Algodão, foi o mais emblemático – tudo foi feito com a matéria-prima, sem que houvesse sequer um zíper ou botão que tivesse ganhado vida com a ajuda de outros materiais.

Mas ele não estava sozinho. Da Osklen ao Cotton Project, passando pelas novíssimas marcas do Projeto Estufa, cujos designers prezam pela sustentabilidade, o verão 2019 mostra que o algodão é a base dos looks mais desejados da próxima estação – o que, convenhamos, tem tudo a ver com nosso clima tropical e moda chique, porém despojada.

Na Osklen, que na temporada passada mostrou sua coleção ASAP (As Sustaintable As Possible), a equipe criativa fez, desta vez, uma espécie de manifesto em defesa dos mares. Resultado? Muito navy, claro, mas novidades como bolsas que lembram redes de pescador – que já estão entre os acessórios must-have.

Looks amplos e rústicos, feitos sobretudo à base do linho, ganharam destaque e se firmam como porta-estandartes de uma elegância tropical, made in Brazil, tanto no feminino quanto no masculino.

E, além do uso de matérias-primas naturais, vale se inspirar em outros dois pontos abordados aqui: silhueta solta e monocromia – outra tendência que vem com força e foi explorada também na Beira.

Sim, a marca de moda praia é outra a exaltar as qualidades das fibras naturais e da cartela de crus e off-white. Linho, algodão e seda são os tecidos que dão forma a macacões, vestidos e camisaria. E, assim como na Osklen, de Oskar Metsavaht, a proposta vale para eles e elas – ou seja, anda em sintonia com o genderless.

Outro ponto em comum nas duas apresentações foi o uso de tênis, deixando de lado a ideia de que para estar bem vestido é preciso salto e bordados, ou sapatos masculinos e gravatas. A elegância minimalista, sem esforço, despretensiosa, é a bola da vez, se depender do recado das passarelas.

 

 

Na Cotton Project, como era de se esperar, o algodão também é rei e mostra sua força não apenas nas peças de streetwear e surfe que fizeram a fama da marca, mas, sim, nos modelos com corte de alfaiataria, que se revelam como novos terninhos de verão.

Emprestada do guarda-roupa masculino, a camisaria, por exemplo, segue essa linha e dá vida ao chemisier, que promete substituir vestidos – pelo menos dentro dessa linha minimal, que pede cartela de cores que remete à natureza. Espere por um verão com muitos terrosos, areia e azul.

Da novíssima geração de designers, a Aluf, de Ana Luisa Fernandes, de apenas 23 anos, fez parte do Projeto Estufa, que colocou um holofote em talentos promissores que levam o upcycling a sério – e mostrou que sustentabilidade é default para essa consumidora mais jovem e antenada.

Todos os materiais usados na coleção são biodegradáveis, naturais ou reciclados, a exemplo do algodão reciclado misturado a pets recicladas ou do algodão misturado à seda e com tingimento natural. A modelagem bem trabalhada é uma carta na manga: do trabalho a festa, há opções, provando que o ecofriendly há tempo não é restrito a peças sem design, pelo contrário.

 

Fotos: Marcelo Soubhia