Roupa de ficar em casa tão bonita que dá vontade de passear com ela… existe? Foi-se o tempo em que pijama era roupa para usar escondida no quarto, só na hora de dormir. Tanto que se criou uma nova categoria, a homewear ou loungewear, com peças bem desenhadas, tecidos e caimentos diferenciados, além de conforto e suavidade, que trazem estilo e leveza nos momentos de relaxamento.

A história da marca goiana Mon Petit, de Juliana Cecílio, é curiosa. Criada em uma família cujos pais eram anfitriões requisitados, Juliana estava sempre preparada para sair correndo e trocar de roupa cada vez que a campainha da casa tocava. Afinal, não dava para receber visita vestindo pijama. Mas, para uma criança, além de ser uma solicitação incompreensível, era aborrecido ter que se vestir decentemente para receber visitas.

Já adulta, e com a oportunidade de criar um presente para vestir sua sobrinha que acabara de nascer, puxou de suas memórias esse sentimento, e pensou em criar, ela própria, um produto que servisse, não apenas para dormir, como para ficar em casa, e de suas lembranças trouxe a leveza e o conforto do algodão.

Tudo começou quando minha sobrinha nasceu. Fui comprar tecido para fazer um pijama e dar de presente à criança. Só que, quando cheguei na loja e vi tudo o que eles ofereciam, senti-me como se estivesse na Disney, e pensei: achei meu mundo! Comprei várias coisas e fiz um pijama que se parecia mais com uma roupa de ficar em casa. Daí em diante não parei mais”.

O sucesso foi imediato, e do presente criou outras peças que foram sendo encomendadas. Hoje, a marca oferece um produto diferenciado. A escolha do tecido é cuidadosa, o toque suave e leve que têm tudo a ver com seus produtos, além da beleza das estampas e outros detalhes que agregam estilo às suas criações.

No mercado desde 2014, a empresa produz 40 peças por mês, 95% delas em algodão puro. Aliás, Juliana nem visualiza a possibilidade de trabalhar com outro tipo de tecido. “A fibra tem tudo a ver com os produtos Mon Petit, pois acreditamos no que vem da natureza, na sensação gostosa que nos proporciona. Poder usufruir de algo tão puro e natural é simplesmente maravilhoso. Usar uma peça Mon Petit é usar algo leve, confortável, que remete a lembranças de uma infância cheia de amor”, explica.

Compra responsável

Para escolher seus tecidos, Juliana observa, além da qualidade e de todos os atributos importantes para a fabricação de seus produtos, sua procedência: “esse tecido é a razão do meu trabalho. Eu faço homewear, algo para ser macio, confortável e que seja bom para a pele. Para garantir a qualidade do algodão que utilizo, sempre compro de marcas renomadas e responsáveis. Eu leio todas as especificações do tecido antes de adquiri-lo”. Além disso, os tecidos de algodão proporcionam maior durabilidade e não perdem suas propriedades ao longo do tempo. Dessa forma, o estilo romântico de suas peças torna-se um clássico atemporal que agrada o gosto de suas clientes. Um bom custo-benefício.

A empresária deposita muita confiança no movimento Sou de Algodão, da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), que incentiva o uso do algodão na moda, e avalia a parceria firmada como crucial para o seu negócio. “Sou encantada e apaixonada por esse movimento. Tenho um orgulho enorme por fazer parte, por ser parceira. Acredito nessa iniciativa e acho incrível a Abrapa divulgar a importância do uso da fibra na moda. Essa ação tem um valor enorme, pois abrange economia e sustentabilidade.”

Coleção casada 

Prática comum de marcas de moda masculinas e femininas, muitas coleções vêm com looks idênticos para pais e filhos, ou mães e filhas. E, geralmente, a peça infantil é que deriva da adulta, com um mini figurino idêntico ao original para a criança. Mas para a Mon Petit, o caminho foi inverso.

Apesar de o gosto pelo universo infantil ter motivado a criação da Mon Petit – como o próprio nome diz -, a empresária acabou cedendo a uma linha adulta a pedidos de suas principais clientes: as mães.

Foi então que nasceram as coleções casadas, ou seja, roupas para mães e bebês com as mesmas estampas e a mesma inspiração. “As mulheres queriam ir para a maternidade já com uma camisola ou penhoar igual ao do bebê”, conta. A linha casada contempla camisola, penhoar e pijamas com shorts e calças, e está entre os modelos mais procurados da empresa.

O cuidado e o conforto com que as peças são feitas dão retorno. “Já recebi muitos convites para produzir em larga escala, mas acho que ainda não é o momento”. Juliana prefere não dar um passo maior do que acredita ser possível na atual fase da empresa, além de se manter fiel a uma bandeira de seu trabalho, que é a constante renovação de estampas e modelos. “Em produções volumosas fica mais difícil diversificar com rapidez, pois exige investimentos maiores”, explica.

Além de Goiânia, as peças da Mon Petit podem ser encontradas em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, mas com o canal de venda on-line é possível comprar produtos da marca de qualquer parte do mundo.