A moda puxa a roda e coloca no holofote a importância da prevenção do câncer de mama

Ralph Lauren, Stella McCartney, Patricia Bonaldi, Lenny Niemeyer… Mais do que lançar tendências mundo afora, eles compartilham, ao lado de outras inúmeras marcas, uma missão: fazer com que as campanhas de prevenção contra o câncer de mama fiquem cada vez mais pop.

Sim, falar é preciso – não à toa, esse é o tema da cartilha lançada em 2016 pelo Ministério da Saúde, na tentativa de eliminar tabus que sempre cercaram a doença – muita gente se recusa até a dizer a palavra câncer e ainda a vê como sentença de morte, o que contribui para diagnósticos tardios.

O fato? Um em cada três casos de câncer mama pode ser curado se for descoberto no início. E é aqui que a moda tem entrado, ajudando a debater o tema do jeito que melhor sabe fazer: criando produtos (com renda revertida a instituições especializadas) e recrutando celebridades para serem porta-vozes da causa.

 

O alvo

Foi em 1994 que Ralph Lauren deu o primeiro grande passo em direção à luta contra o câncer de mama: criou o Alvo Azul, e convocou o Council of Fashion Designers of America para o debate. “Quando alguém que amamos tem câncer, todos nós somos afetados – maridos, esposas, mães, pais, irmãs, irmãos e amigos. Esse é nosso esforço na luta contra o câncer”, disse o estilista, que abraçou a causa depois de descobrir que sua amiga Nina Hyde estava com câncer de mama.

De lá pra cá, não só Ralph Lauren acabou criando uma linha inteira dedicada ao tema– a Pink Poney, de 2000, cuja camiseta de algodão rosa “Love” tem 100% da renda revertida à pesquisa e tratamento de câncer – como serviu de exemplo para dezenas de outros estilistas.
Neste mês, por exemplo, a brasileira Patricia Bonaldi reinterpretou o Alvo Azul, a pedido do IBCC (Instituto Brasileiro de Controle do Câncer) e da Hering, responsável pela produção das t-shirts de algodão estampado, que misturam o símbolo da campanha (o Alvo Azul) com ícones da estilista. “As flores, muito presente em minhas peças, levam feminilidade para os modelos. Já a arara é muito representativa e revela a força e liberdade da mulher”, explica a estilista.
Lenny Niemeyer, por sua vez, se associou à Fundação Laço Rosa e reverteu parte das vendas do chapéu Dobra para a instituição, que ajuda pacientes com câncer de mama. Já Stella McCartney, cuja mãe, Linda, foi vítima de câncer de mama, criou um sutiã rosa, com lucro destinado à Linda McCartney Center, em Liverpool, e ao Memorial Sloan Kettering Breast Examination, em NY.

 

Olhe-se

Soma-se a isso corridas, luzes rosa em prédios privados e públicos e o laço rosa, que virou símbolo da luta. Tudo com um único objetivo: fazer com que as mulheres olhem mais para si mesmas.

Conhecer seus corpos, afinal, pode ser o passo decisivo entre a cura ou não. Além de apalpar a mama com frequência e verificar se existe a presença de algum caroço, pequenos nódulos nas axilas ou no pescoço, alterações no mamilo ou pele retraída, tipo casca de laranja, a mamografia é recomendada a cada dois anos, principalmente para mulheres que estão na faixa dos 50 a 69 anos, e em qualquer idade em caso de suspeita.

Em caso de dúvidas, ligue para o Disque Saúde (136) e procure imediatamente o seu médico.

 

Sabrina Sato para Hering by Patricia Bonaldi
Fernanda Motta para Hering by Patricia Bonaldi
Alicia Keys para Stella McCartney
Pink Poney – Ralph Lauren