“Design, arte e sustentabilidade compõem nosso universo, que representa a visão do ‘novo luxo’ – associando produtos de design, com qualidade impecável e estética universal alinhado às práticas sustentáveis socioambientais”.

Uma empresa que se apresenta assim na internet, certamente faz muito mais quando o ambiente não é virtual. E a Osklen é um ótimo exemplo de como é fácil ser exatamente da forma como você se apresenta, basta que as ações representem o discurso.

Fundada em 1989 por Oskar Metsavaht, a grife já nasceu com seu pilar do desenvolvimento sustentável cravado na base, levando uma moda green não apenas para as lojas, mas para projetos socioambientais na moda. Hoje, são 51 lojas próprias, três delas no exterior – Miami, Nova York e Punta del Leste -, além de estar em outros 650 pontos multimarcas espalhados pelo Brasil. Há ainda franquias em Tóquio e Mikonos e showrooms em Lisboa e Tóquio, assim como o Blanc, uma plataforma digital de wholesale business internacional – vendas por atacado de marcas brasileiras a revendedores internacionais –, que funciona como um showroom global.

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Metsavaht, que é dono e diretor de criação da grife, sempre teve em seu currículo experiências com novas tecnologias de produção em busca de uma moda sustentável, fazendo peças com matérias-primas amigas do meio ambiente, como cânhamo, algodões com o selo ABR (Algodão Brasileiro Responsável), que usa desde 2016, reciclado e orgânico. “Na coleção mais recente, tivemos mais de 70 modelos produzidos com Algodão ABR”, diz Metsavaht.

A Osklen adquire toda a fibra que usa de produtores nacionais que se dedicam a boas práticas, e eles monitoram a cadeia produtiva da matéria-prima que consomem. “Temos pessoas que acompanham e auditam nossos fornecedores”, explica.

Curioso e preocupado com o planeta, Metsavaht sempre pesquisou novos materiais para usar em suas linhas de roupa, acessórios e calçados com o olhar voltado para a sustentabilidade. E em sua busca por possibilidades descobriu muito, passando a inovar o mercado de luxo com sua iniciativa verde e positiva. “Desde o uso em larga escala de materiais sustentáveis – algodão ABR, reciclado, as peles de peixe, seda orgânica, juta, malha pet, solado feito com aparas de borracha e casca de arroz, tyvek, para citar alguns exemplos – até descarte correto de resíduos, reaproveitamento de tecidos de coleções anteriores, dentre outros. Muitas peças são confeccionadas por grupos comunitários, promovendo a geração de renda. Essas práticas são devidamente mensuradas pela Coppead-UFRJ (Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro) em parceria com Instituto-E (grupo especializado em gestão de ações ambientais sustentáveis, fundado e presidido por Metsavaht)”.

Neste caminho, a Osklen passou a usar, por exemplo, couros de salmão e pirarucu, para a confecção de acessórios, tênis, bolsas e carteiras; malha PET, composta por algodão e fibra de poliéster proveniente da reciclagem de embalagens PET; algodão orgânico, cultivado sem uso de substâncias tóxicas ao meio ambiente; tricô reciclado, feito de fios de algodão desfibrado e proveniente do reúso de sobras da indústria têxtil; e seda orgânica, fabricada a partir de casulos rejeitados pela indústria tradicional por estarem fora do padrão. Ademais, a marca aplica tingimento natural, cujo descarte não polui.

As roupas da empresa são produzidas em confecções própria e parceiras, muitas delas como resultado de um trabalho social pensado, a fim de gerir ofício e renda a comunidades carentes. Um exemplo dessa atitude positiva é o e-Ayiti – parceria entre Osklen, Instituto-E e Ethical Fashion Initiative (EFI), projeto do International Trade Centre (ITC), agência ligada à ONU (Organização das Nações Unidas) e à Organização Mundial do Comércio (OMC), que conecta estilistas e designers do mundo todo a artesãos residentes em países com economias vulneráveis. A intenção é a de garantir remuneração mais justa a esses trabalhadores. A colaboração da Osklen é na moda. Eles criam uma coleção que que será produzida por artesãos de determinada área, utilizando material reciclado e com acompanhamento de designers da grife. Esse tipo de moda, que usa algodão ABR e aposta em comunidades que precisam de incentivo, é o desenho que as empresas do setor têxtil devem ter como exemplo para copiar às claras.