O movimento Sou de Algodão abre a Casa dos Criadores e se firma como apoiador dos jovens talentos do Brasil.

Dezesseis estilistas, dezesseis marcas, show ao vivo de Xênia França e uma única matéria-prima: o algodão. A 43ª edição da Casa de Criadores começou de um jeito muito especial, com o primeiro desfile do Sou de Algodão no line-up da semana de moda.

Com curadoria de André Hidalgo, que desenhou o evento há 21 anos e tem ajudado a deslanchar grandes nomes da moda brasileira, a apresentação, que marca uma parceria, provou que o algodão, além de ser sustentável e combinar com nosso clima, pode dar vida a criações que contemplam todos os estilos.

Uma das ideias exploradas, por incrível que pareça, vem do universo da cama, mesa e banho e, acredite, vai fazer você repensar o conceito de pijama – e até querer sair com um assim na rua.

A estilista Rafaella Caniello, por exemplo, partiu da base de uma toalha da Toalhas Appel para criar um conjunto rico em detalhes, que brinca com os tradicionais roupões: ele tem lapela e botões à la blazer e mangas e barras em capitonê.

Já Renata Buzzo enriqueceu o pijama da Mon Petit com texturas flocadas, bordadas à mão, que pareciam algodão recém-colhido. Divertida, quase clubber, a Ken-Gá Bitchwear, por sua vez, usou e abusou das prints lúdicas na produção feita em parceria com a Mensageiro dos Sonhos, marca de sleepwear que tem o algodão como protagonista. O resultado? Gola rolê e sobretudo na cama, com direito a clash de estampas e a certeza de que com criatividade tudo é possível.

 

Esporte urbano

À frente da Ben, que também desfila na Casa de Criadores, Leandro Benites remixou sua linguagem minimalista com o trabalho de Martha Medeiros, dando origem a um conjunto de algodão com apliques de rendas feitas à mão e paetês furta-cor gigantes – um bom jeito de adicionar romantismo na tendência dos moletons, assim como Isaac Silva fez com a bomber toda bordada com flores pela Cooperativa Bordana.

 

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Carlos Rudiney/Abrapa

 

Boudoir
Prefere algo na vibe 80´s? Tem também. A escolha, neste caso, é o casaco de patchwork colorido costurado por Igor Dadona para Cedro Têxtil, ou os looks criados por Diego Fávaro, em dobradinha para a ITM Têxtil, e Felipe Fanaia – o primeiro mostrou uma bermuda cargo usada com parka verde-limão e os acessórios que estão correndo o mundo (tênis meia e cintos que remetem a cordas de segurança), enquanto o segundo adicionou jatos de tons fluo no denim utilitário da Estyllus.

Por fim, Rafael Nascimento, em duo com a Santanense, redesenhou o look masculino, trabalhando referências que passam pelo esporte e pela alfaiataria – a tradicional camisa branca, por exemplo, se transformou em cropped e a veste ganhou vários zíperes -, e Fernando Cozendey usou suas típicas franjas e silhueta slim no look motoqueira selvagem, feito para a Track & Field.

 

Leisure
Outra tendência forte na moda contemporânea, a leisure, ganhou leitura nova de Heloisa Faria para a Canatiba Denim, que apostou em uma silhueta ampla e detalhes desfiados – o tipo de peça que frequenta com louvor festinhas à beira-mar, tendo, inclusive, as típicas listras do universo navy.

Mais minimal, mas não menos confortável, Martins.Tom foi de moletom extralarge e calça, quase casulo, para Ahmar Manifesto. E Diego Malicheski, para Cor com Amor, seguiu a mesma toada.

 

Festa
Gala com algodão? Por que não? Expert em moda festa, Rober Dognani fez jus à fama com o vestido de algodão xadrez da Cataguases, perfeito para mulheres com alma grunge – ainda mais se combinado às botas cuissardes pink, vistas na passarela.

Weider Silveiro também deu vida a um conjunto, feito para a Inbordal, tão rico em detalhes que promete redesenhar o dresscode de festas – ele carrega o caráter artesanal, couture, e tem alma moderna, em um cruzamento perfeito.

E mostrando que o algodão brasileiro pode frequentar até mesmo o red carpet internacional, Alex Kazuo fez, com a Vicunha Têxtil, um tomara que caia todo costurado e bordado manualmente que fechou o desfile em grande estilo e resumiu bem a mudança de paradigma: “minha proposta foi quebrar um pouco os padrões e a ideia de que todo vestido de festa tem que ser seda.