04 maio X

O mercado plus size no Brasil

Após anos de obsessão por corpos esculturais não muito realistas, o mercado de moda começa aos poucos a evoluir dentro da categoria plus size.

Desde os anos 80, percebe-se no Brasil uma forte cultura voltada para o corpo e uma indústria da moda. Isso define a forma feminina em termos muito limitados. Durante anos, a maioria das marcas e varejistas brasileiros não produzia roupas plus size. Algumas até alegavam que este perfil de clientes não se adequava ao estilo de vida da marca. Até agosto de 2016, apenas 18% das marcas ofereciam peças acima do tamanho 46.

Marcas se adequam ao mercado Plus Size

No entanto, com 52,5% da população brasileira atualmente acima do peso e o aumento dos questionamentos nas mídias sociais contra os padrões impostos, as marcas não podem mais ignorar este grupo de consumidores.

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Foto: Elle Brazil

Um estudo recente do Sebrae revelou que 91,4% dos consumidores plus size sentem que os vendedores nas lojas evitam ajudá-los. A fim de melhorar a experiência de compras, Sylvia Sendacz e Cristina Horowicz fundaram o e-commerce Flaminga. A loja revende mais de 50 marcas de moda plus size, incluindo roupas, peças íntimas, roupas de banho e calçados customizados – sempre prezando pelo conforto, a qualidade e o estilo das peças.

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Foto: Flaminga

Outro exemplo semelhante é a Rouge Marie. A marca que foi criada em 2013 com R$ 100 mil de investimento obteve um crescimento anual de 15%. A marca lançou uma loja de rua temporária em meados de 2016 para que os clientes que não confiam muito em compras online pudessem experimentar as roupas antes de comprá-las.

Marcas de roupas fitness também acompanham o mercado Plus Size

As marcas também precisam entender que os consumidores acima do peso não são necessariamente sedentários. Atualmente, uma das categorias de moda mais inexploradas é a de roupas esportivas plus size. Com foco neste mercado, a varejista de e-commerce Netshoes lançou sua própria marca de moda esportiva para atender os consumidores do mercado plus size masculino e feminino.

Um dos problemas na indústria de roupas do Brasil é a falta de regulamentação em termos de tamanho, o que impacta o segmento plus-size ainda mais. A blogueira Glenda Cardoso, da Curvilineos, luta para padronizar os tamanhos plus-size no país e dar os consumidores que compram online mais certeza na hora da compra.

Conhecida como a ‘Gisele plus-size’, Fluvia Lacerda é uma das modelos plus size mais requisitadas do mundo, tendo 160 mil seguidores no Instagram. Fluvia criou uma coleção especial para a Flaminga, que vendeu até a última peça.

As influenciadores Plus Size no mundo da música

A indústria da música também produz influenciadoras. A rapper MC Carol e a cantora Gaby Amarantos são porta-vozes fortes que questionam as atitudes contra o tamanho. A capa da revista TPM com Gaby Amarantos trazia a manchete: “Eu não visto 38. E daí?” A cantora Anitta trouxe um grupo de dançarinas plus-size para seus últimos shows. Outros nomes conhecidos são a blogueira Ju Romano, que foi capa da Elle Brasil no início de 2016, e Bia Gremion (manequim 60), que estreou nas passarelas para a marca LAB, do rapper Emicida.

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Foto: influenciadoras plus size