Comportamento

O Brasil Afro

Mais de 50% (97 milhões) da população brasileira se considera negra ou parda. A cultura Brasil Afro (afro-brasileira) caracteriza o Brasil que conhecemos. O censo realizado em 2010 indicou, pela primeira vez, que o Brasil é o país com mais descendentes africanos vivendo fora da África. Segundo o IBGE, isto não significa que a população afro-brasileira, de repente, aumentou. Mais do que isso: os novos números refletem a mudança de atitude dos brasileiros no que se refere à raça e cor de pele. Da Copa do Mundo em 2014 às Olimpíadas de 2016, o mundo está de olho no Brasil. Embora o país seja fonte de inspiração para a moda e o design há bastante tempo, o movimento cultural afro-brasileiro está criando uma nova geração de influenciadores em diversos campos.

Onde estão os Influenciadores do Brasil Afro?

screen-shot-2017-02-17-at-3-24-46-pm Foto: Kelvin Yule

Na Música

Um movimento que tem chamado a atenção do cenário negro musical é o Batekoo, coletivo que organiza festas e se define como “Movimento que se expressa através da dança, da musica, do corpo, da pele preta, do suor, da liberdade corporal e sexual, da cultura negra, periférica e urbana, do empoderamento coletivo e representatividade preta dentro de qualquer espaço.” Sem preconceitos, a festa se torna um ícone de libertação e representação de jovens periféricos de todo o país, onde cada um se veste do jeito que quer, sem julgamentos. maxresdefault Foto: Batekoo

Na Moda

Em 2009, após reivindicações de ativistas, organizadores e estilistas da São Paulo Fashion Week concordaram em incluir uma cota de 10% de modelos negros, resultando em um pequeno aumento da diversidade nas passarelas. Considerado inconstitucional, a cota foi extinguida em 2010, mas muitos estilistas brasileiros ainda consideram a diversidade como tema prioritário. Recentemente, a São Paulo Fashion Week para a primavera-verão 16, decidiu aumentar a visibilidade dos modelos de ascendência africana. A organização exibiu o desfile ‘Africa Africans Moda’, que trouxe estilistas como Maki Oh, Palesa Mokubung e Jamil Walji, além de 25 modelos africanos. screen-shot-2017-02-17-at-3-28-28-pm Foto: I Speak Fashion Em um país conhecido pelas suas festas comemorativas, não é surpresa que os festivais afro-brasileiros de moda comecem a surgir. Realizado em Salvador, na Bahia, o African Fashion Festival é um evento que apresenta estilistas afro-brasileiros locais, como Dresscoração Boys e Katuka. Ambas as marcas existem como forma de empoderar a mulher negra, com peças que misturam texturas e estampas nacionais, com aspecto informal e que prezam pelo conforto – refletindo a herança africana em suas cores e formas. 9725b1ba7c93a9e22cbb1ea6d0489fdf Foto: Dresscoração Boys

Na Beleza:

A popularidade do black power está começando a contradizer a norma de que o cabelo liso é bonito.” Em 2015, mais de 3000 afro-brasileiros participaram da ‘Marcha do Empoderamento Crespo’ em Salvador, na Bahia, e centenas participaram da ‘Marcha do Orgulho Crespo’ durante o carnaval do Rio. screen-shot-2017-02-17-at-3-23-32-pm Foto: Revista Officiel

Na Internet: 

Embora o ativismo digital não seja novo, as reações quase que instantâneas com relação ao racismo no Brasil são evidência de uma mudança na sociedade, que passa a aceitar a diversidade e a promover a igualdade racial. Quando a vlogueira Rayza Nicácio compartilhou um vídeo no YouTube documentando a sua jornada do cabelo liso para os cachos enrolados, ela nunca imaginou a quantidade de apoio que receberia de todos os lugares do mundo. Até agora, o vídeo ‘Como vocês nunca me viram antes’ foi visualizado quase um milhão de vezes e recebeu mais de 3000 comentários. Rayza faz parte de um movimento mais abrangente de ativistas afro-brasileiros que utilizam o engajamento digital para fortalecer a sua causa.