Algodão e Sustentabilidade

O algodão na vida e na moda de Vanessa Horita

Em um mundo digital onde milhares de influencers buscam seguidores, espaço e atenção do público, o desafio é grande para se sobressair, e dificilmente encontramos aqueles que têm uma história escrita desde pequenos, que ganha novos significados, principalmente num universo tão mutante como o da moda.

Vanessa Horita é uma dessas raridades. Baiana, é casada e tem uma filhinha de três anos. Vive em Barreiras, município mais populoso do extremo oeste baiano, com 180 mil habitantes, e desde muito cedo, aprendeu a conviver com lavouras de algodão, cultivadas pelo pai e os tios. A fibra branca e natural faz parte de sua vida, e é dela que tira a inspiração para a outra atividade a qual se dedica: a moda.

A empresária e digital influencer aprendeu com o pai todos os passos do cultivo do algodão, mas, curiosa, queria mais. Foi então que decidiu estudar o assunto nos Estados Unidos, e se inscreveu no International Cotton Institute, em Memphis, Tennessee. (http://bf.memphis.edu/cotton/). Depois do curso, ficou mais oito meses nos Estados Unidos fazendo estágio em diferentes tradings para aperfeiçoar o aprendizado, sempre com o apoio e incentivo do pai.

De volta ao Brasil, foi para Brasília, onde se formou em administração de empresas, curso escolhido a dedo por considerá-lo útil para qualquer área em que decidisse atuar. E deu certo. Embora Vanessa não atue diretamente com a produção de algodão nas lavouras do pai, domina o assunto, e o aprendizado sobre a fibra lhe deu respaldo para atuar no setor da moda. Acabou por se transformar em uma referência digital sobre tendências, estilo, maquiagem e tudo voltado ao cuidado com a imagem.

Atualmente, Vanessa é uma empresária de sucesso, presta consultoria para várias marcas, lojas e até a pessoas de Barreiras que buscam melhorar sua imagem. Ela também registra suas dicas em redes sociais, onde seus seguidores não param de crescer, e ainda tem um canal no Youtube. E é justamente em um vídeo que ela mostra todo seu amor pelo algodão. Filmado na fazenda da família, Vanessa exibe o plantio, a colheita, a seleção e o alto nível de qualidade que se deve alcançar no processo. 

 

Uma aventura que deu certo

A aventura de Vanessa como consultora de moda começou de maneira informal, quando parentes e amigos perguntavam a opinião dela sobre a combinação de cores e peças para usar no dia a dia. “Em 2011, quando voltei para Barreiras, eu já tinha meus achados e queria compartilhar. Foi quando montei um blog. Meus parentes estavam sempre perguntando o que eu achava de tal modelo ou estilo. Eu sempre ajudei com o que sabia.”

Do blog, que durou dois anos, Vanessa partiu forte para as redes sociais. E foi aí que descobriu como as pessoas gostavam das dicas que dava. O número de seguidores foi crescendo à medida em que postava. Virou referência na cidade e acabou se transformando não apenas em uma empresária de sucesso, prestando consultoria, como em uma grande referência para os que acompanham suas redes.

“Hoje eu sobrevivo 100% da moda. Faço o que gosto e estou feliz”, conta.

Em sintonia com o movimento

Com formação no setor do algodão, além da escola particular que teve em casa, Vanessa entrou de cabeça no movimento Sou de Algodão, da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), quando viu que os objetivos eram os mesmos nos quais ela acredita, fomentar o uso da fibra na moda de forma sustentável. “Quando eu entendi a ideia, logo quis me inserir no movimento para participar de perto. Fiz fotos na fazenda de meu pai, no meio da plantação, usando a camiseta do Sou de Algodão. As imagens viralizaram e quis participar mais e mais. Acabei rodando um filme.”

Ela conta que queria entrar no movimento, não por ser filha de um produtor, mas por seus próprios méritos, como alguém que acredita nos benefícios do uso do tecido na moda. “Eu acredito tanto no movimento, que meu objetivo é ser embaixadora do Sou de Algodão no Brasil e, futuramente, representá-lo internacionalmente.”

Vanessa explica que o algodão não é uma coisa barata, mais do que fomentar o seu uso pode, sim, baixar seu preço, além de oferecer mais qualidade nas peças por meio da fibra natural. “Há uns dois anos, se uma pessoa estivesse numa fast fashion, certamente compraria uma peça com tecido sintético. Hoje, na mesma situação, eu acho que essa mesma pessoa apostaria numa roupa que duraria mais tempo, um produto de algodão. Eu vejo que o fast fashion e o slow fashion estão se encontrando.”

As facetas de Vanessa

Além de prestar consultoria de imagem, Vanessa também investiu em duas linhas que levam seu nome, uma de óculos de sol e, outra, de esmaltes. Ambas oferecidas apenas na cidade de Barreiras, como teste. Os itens se esgotaram rapidamente quando foram lançados. Agora, a empresária já prepara duas novas linhas dos produtos e, assim como em suas redes sociais, pretende alcançar outros mercados no território nacional.

Pessoalmente, admira duas marcas italianas: Gucci, por ousar na mistura de estampas com monocromático, e Miu Miu, de Miuccia Prada, por ser delicada e arrojada. Além da grife Carolina Herrera, por seu caimento, qualidade e preço.

Das marcas nacionais, presta atenção em uma colega que também é digital influencer, a blogueira Nati Vozza, cuja grife NV usa tecidos leves, linho, algodão, renda. Outro é um conterrâneo baiano, Vitorino Campos, muito conhecido por sua costura criativa e arrojada.

Vanessa aposta em Minas Gerais como local de descobertas. “Vá para Belo Horizonte e veja tudo o que eles oferecem. São muitas lojas boas, muita coisa diferente. Vale conhecer”, aconselha.

Para não errar na hora de se vestir, a dica de stylist é investir sempre na terceira peça, um casaco, por exemplo. “Resolve quase sempre”. Outra indicação são os cílios, “eles sempre salvam. Pode estar com olheira, seja o que for, colocar os cílios resolve”.

Ela tem muito mais a dizer e a ensinar, quer saber mais? Siga @vanessahorita.