Algodão na moda praia pode? Deve.

A grife Água de Coco existe há mais de 30 anos, e continua como uma das mais importantes marcas brasileiras quando o assunto é moda praia. Fundada e comandada pela estilista cearense Liana Thomaz, associada da Abest (Associação Brasileiras de Estilistas), apoiadora do movimento Sou de Algodão, a empresa se renova a cada temporada, permanece no circuito das passarelas nacionais e internacionais, e continua ousando em suas criações a cada nova coleção.

Quando teve a ideia de criar a marca, em 1985, o objetivo de Liana era um só: queria fazer moda praia com qualidade. À época, o sonho era maior que as possibilidades de investimento, mas isso não foi empecilho. Com apenas uma máquina de costura, uma costureira e muita criatividade, ela deu início à empresa que se tornaria referência em seu segmento.

Três décadas depois, Liana continua pregando que qualidade é o fundamento de seu produto, e foi a partir dessa máxima que ela conquistou tanto sucesso entre as mulheres, chegando a criar coleções encomendadas por importantes redes varejistas, incluindo a gigante de lingeries, que também atua no mercado beachwear, Victoria’s Secret, a grife das Angels.

A única máquina de costura do início acabou se transformando em um parque fabril de 7.500 metros quadrados em Fortaleza, com produção mensal de 40 mil peças. A grife emprega 500 funcionários, entre fábrica e as 24 lojas próprias espalhadas por nove estados (Amazonas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, São Paulo e Sergipe) e o Distrito Federal.

Os produtos – biquínis, maiôs, batas, saídas de praia, bolsas e acessórios para o público feminino, e sungas, bermudas e shorts para o masculino – podem ser encontrados ainda em outros 400 pontos de venda multimarcas no país, e em outros 80 países ao redor do mundo.

 

Algodão

O uso do algodão na moda praia, que faz parte da grife desde sua fundação, ganhou cada vez mais espaço nas coleções, grande parte por influência do mercado internacional.

“Desde o início da marca, algumas peças já eram produzidas em algodão. Em alguns momentos, os tecidos em viscose ganharam mais espaço, por questões de viabilidade de preço e maior oferta de fornecedores. Há alguns anos, fortalecemos a presença do algodão no mix de produtos, em saídas de banho em voil e cangas em tricoline leve”, conta Liana.

Para ela, a fibra de algodão possui mais resistência para o uso pós-praia, além de garantir maior conforto para o cliente. “A expansão para o mercado internacional também contribuiu para essa valorização, pois o segmento de moda praia no exterior é bastante específico quanto à exigência por matérias-primas naturais, de qualidade, e que combinem com o clima do verão lá fora, e em todos esses aspectos o algodão foi a fibra que melhor se encaixou”.

Além de resistência e conforto, a facilidade de encontrar o tecido e o desejo de fortalecer parcerias com o mercado brasileiro também contribuíram para o uso da fibra. Segundo a empresária, contar com fornecedores nacionais, que dominam todas as etapas de fabricação, além da segurança de entrega, evitando correr o risco de depender de importações em grandes quantidades, são outros pontos positivos do tecido.

 

 

Valorização de origem 

Se no mercado nacional o uso do algodão no beachwear ainda soa como ousadia e inovação, no exterior é ponto determinante na escolha do produto. “Pelo cliente nacional ainda é bem sutil esse reconhecimento, nem todos possuem esse critério na hora de realizar a compra. Mas para a estratégia de expansão internacional foi decisivo, pois o consumidor de moda praia que almejamos internacionalmente reconhece e valoriza peças em fibras naturais”.

Liana conta que na hora de criar, o algodão é um excelente “parceiro”, pois possui bom comportamento na costura, tem ótimos resultados para estamparia e permite maior versatilidade para modelagens, pregas e volumes.

Questionada a respeito da importância de ações que fortaleçam o emprego da fibra na moda, como o trabalho do movimento Sou de Algodão, da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), ela deixa claro seu apoio. “Importantíssimo! Alternativas de promoção e validação do uso de fibras naturais e sustentáveis são extremamente necessárias para o futuro do segmento de moda. Não adianta de nada essa informação ficar limitada somente aos produtores, o público geral precisa ter acesso para que haja conscientização e mudança também na forma como eles consomem e entendem o produto de moda”.

Além de apostar no algodão brasileiro com matéria-prima, seja pela qualidade, pela facilidade de aquisição ou como alternativa mais sustentável, a empresária é uma entusiasta sobre a vida útil do tecido no beachwear, e estima que essa tendência veio para ficar. “A gente adora e torce para que cada vez mais pessoas entendam a importância de conhecer a procedência das peças consumidas e o quanto atitudes simples como escolher uma fibra em detrimento de outra, um fornecedor em relação a outro podem causar mudanças significativas em uma esfera maior”.

O algodão é a fibra do verão. Aposte na leveza e na durabilidade do algodão na próxima vez que pensar em moda praia.

Liana Thomaz