O denim… tão essencial para a moda… hoje em dia, é quase impossível compor um guarda-roupa sem ter, pelo menos, uma peça de jeans, seja uma calça clássica de 5 bolsos, ou uma jaqueta, a verdade é que esse tecido, que nasceu para fardamentos e vestuário dos trabalhadores da indústria, ganhou espaço e vem inovando por mais de um século.

A Cedro Têxtil completou 145 anos de história em 2017, nasceu como Fábrica do Cedro, em 1872 na cidade de Caetanópolis, e foi a primeira indústria privada S/A do país, em 1883 quando se uniu à Fábrica da Cachoeira, uma das precursoras do processo de industrialização pós-colonial, e a única que segue em funcionamento, de forma ininterrupta, desde então.

Atualmente emprega 3.400 funcionários em quatro unidades fabris no Estados de Minas Gerais, nas cidades de Sete Lagoas, Caetanópolis e Pirapora, esta última com duas plantas, e ainda conta com duas centrais logísticas em Contagem e em Pirapora, e um Lounge de Produtos no Brás, em São Paulo, mais próximo dos formadores de tendências e coleções das grandes marcas.

Na empresa que construiu sua história a partir do algodão, a fibra está presente em todos os produtos da marca, seja nos tecidos 100%, ou na composição daqueles que têm outras fibras para oferecer diferentes características requeridas ou valorizadas pelo setor de confecção. Seus principais produtos são o jeans e o workwear, tecidos voltados à camisaria e fardamento para o trabalho e segurança, como o brim.

 

Menos 40% no consumo de água

A Cedro Têxtil é uma empresa consciente e conhece bem o seu papel na sociedade e no meio ambiente. Por isso, sustentabilidade é um assunto muito importante, e, não por acaso, tem investido com muita força em ações nessa frente, nos últimos anos. “O processo têxtil, nós sabemos, se não tiver monitoramento, pode ser poluente. Por isso, investimos muito em controle de tingimento, tratamento de efluentes, certificações e acompanhamento através de ISOs”, afirma Marco Antônio Branquinho, presidente da empresa.

A preocupação com o meio ambiente está na essência da marca desde o início de sua existência. Na década de 1920 investiram na produção de energia elétrica limpa, através da construção da Pequena Central Hidroelétrica Pacífico Mascarenhas, na região da Serra do Cipó, em Minas Gerais. Além disso, a energia térmica vem de fontes renováveis, de florestas energéticas certificadas, uma prática que já dura um século.

Na parte de insumos, 100% do algodão utilizado pela marca tem certificação ABR (Algodão Brasileiro Responsável) e uma grande parcela deste também tem a chancela BCI (Better Cotton Initiative). O programa ABR, em benchmarking com a BCI, atua de forma a garantir uma produção que preserve os recursos naturais, respeite o trabalhador e garanta retorno ao investimento, perpetuando a produção pelas gerações futuras.

O controle de qualidade da matéria-prima, bem como sua origem, diz muito sobre a conduta da marca, no que se refere à produção de tecidos com caráter sustentável. Para uma empresa mais que centenária, que consome cerca de 32.000 toneladas de algodão por ano, atender a esses requisitos na origem garante a oferta de produtos para moda responsável.

Na produção do tecido, a Cedro tem constante preocupação com os produtos químicos requeridos nos processos de fabricação, verificando os aspectos ambientais dos insumos e seus fornecedores, como a obrigatoriedade de informações de biodegradabilidade e toxicidade aguda nas FISPQ’s (Ficha de Informação de Segurança de Produtos Químicos), adotando aqueles que garantam o menor impacto ambiental possível na produção. Entre os melhores exemplos, a linha de tecidos Biofashion adota uma tecnologia que permite uma redução de 40% no consumo de água durante a fabricação, um ganho e tanto, numa indústria onde esse recurso é tão importante. Além de todas essas iniciativas na produção, o cuidado no lançamento de poluentes aos corpos hídricos é controlado de forma severa, para garantir que nenhum rio utilizado pela empresa seja poluído pela sua operação.

A Cedro tem certificação ISO 14.001 há mais de dez anos, o que nos traz a visão de responsabilidade em relação à preservação do meio ambiente. Suas operações visam à melhoria contínua no descarte de resíduos sólidos, emissões atmosféricas, efluentes líquidos e racionalização dos recursos ambientais. Com isso, é considerada modelo e referência no tratamento de efluentes industriais, utilizando um processo inovador no país, através de ultrafiltração por membranas, que permite parâmetros de lançamento de efluentes que ultrapassam os requisitos exigidos pela legislação vigente. Atualmente, é possível recuperar e reutilizar águas industriais, reaproveitando 98% das águas de resfriamento e 20% de águas de efluente tratado. Todas essas boas práticas, além do desenvolvimento de produtos sustentáveis, possibilitam um consumo de água 40% menor que a média do setor têxtil, uma economia de encher de orgulho.

A preocupação com o meio ambiente também chega na emissão de gases. Para endereçar esta questão, a empresa conta com uma matriz de energia térmica que utiliza biocombustíveis oriundos de resíduos de madeira e florestas energéticas, controladas pelo IBAMA e IEF. Isso permitiu que, nos últimos 10 anos, a emissão de gás carbônico no ambiente tenha sido reduzida em 70%, além de reaproveitar parte do CO2 da exaustão das caldeiras na neutralização de efluentes em todas as estações de tratamento.

 

Abraçando o movimento

Toda essa visão de responsabilidade e preservação do meio ambiente fez com que a marca reconhecesse no movimento uma sinergia essencial para a parceria. “Esse apelo de sustentabilidade é um dos atributos que nos levaram a aderir ao movimento Sou de Algodão”, diz Branquinho, e completa, “Compramos algodão de produtores que têm certificações como ABR e BCI. Isso para a gente é valor! ”

Atualmente, o Brasil está entre os cinco maiores produtores e exportadores de algodão, sendo o principal fornecedor de algodão sustentável, participando com cerca de 30% de toda a demanda mundial. Com isso, mais de 75% do algodão produzido no Brasil tem essas certificações.

Mas não foi apenas por esta razão que a Cedro abraçou o movimento, pois ela entende que a abrangência do movimento é maior que somente a questão da sustentabilidade. Ele também visa a fomentar o uso da fibra de algodão na moda.

“Valorizar o algodão, para a gente, é algo natural. É o que fazemos no dia a dia. A gente tem tudo a ver com o Sou de Algodão. Apoiar um movimento que vai valorizar atributos tão importantes para o nosso setor, como conforto, respirabilidade, fibra natural, a própria valorização da fibra e da agricultura nacional, e o fato de reforçar o apelo sustentável, tudo isso mostra a importância de aderir ao Sou de Algodão. Entramos e vamos apoiar com muita força, porque entendemos o movimento como algo fundamental ao setor. ”

 

Uma nova roupagem ao jeans

“O algodão é a nossa principal matéria-prima desde sempre! Estamos falando de uma empresa de 145 anos, que sempre usou algodão como sua principal matéria-prima! Temos algodão em todos os nossos produtos. ”, diz o presidente. E ela vem transformando o algodão em moda ao longo de sua história, sempre atualizando seu portfólio para atender a demanda e as novas tendências do mercado.

A indústria têxtil tem diversificado a composição do denim, tornando-o menos natural e trazendo novos atributos que, nem sempre, o consumidor entende ou valoriza.
“No nosso principal foco, o jeans, a tendência tem sido cada vez menos algodão. Bem diferente de 20 anos atrás, porque o stretch está caindo no gosto do consumidor, o que é natural. As pessoas querem, além de conforto, um pouco de shape, e isso vem da fibra sintética. Mas nós sabemos que o algodão está ali para oferecer mais conforto, para dar um toque melhor. Dessa forma, fazemos o tecido o mais interessante possível, pegando o melhor de todas as fibras. ”

Mesmo assim, o jeans ainda é o símbolo da resistência da fibra natural, embora muitos sequer saibam que esse tecido tem alta concentração de algodão. “Elas não se preocupam com a fibra que está sendo usada. Dificilmente procuram saber a composição da calça para comprar. Só querem saber se tem stretch ou não tem. Mas não ter stretch não leva as pessoas a entenderem que é só algodão. Só significa para elas que a calça não estica. Isso acontece talvez por a cadeia ser tão extensa. Quem tem a oportunidade de conhecer uma fábrica e ver o processo de transformação, se encanta. Mas isso está muito longe do consumidor final.”

Aderir ao movimento também é uma oportunidade para aproximar a indústria do consumidor, dar a ele condições de conhecer mais profundamente o produto e sua origem, e fazer boas escolhas.