No dia mundial da água, vale uma reflexão sobre como consumimos esse recurso tão importante, e conhecer exemplos de boas práticas das empresas do setor têxtil em sua preservação, com o objetivo de melhorar a sua relação com a comunidade e o entorno, e garantir a boa qualidade dos rios, hoje e para o futuro.

Todos nós sabemos que a água é essencial para a vida do homem e do ecossistema, um bem tão valioso que, distribuído de forma desigual nos continentes, já gerou diversos conflitos por conta de seu domínio. Até a Nasa (Agência Espacial Americana) tem como uma de suas prioridades encontrar o líquido em outros planetas.

Além de fundamental para a vida, é vital para gerar empregos e sustentar os desenvolvimentos econômico, social e humano. Mas tem um problema: é um recurso finito, portanto demanda um cuidado enorme na forma como é utilizada.

Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), no mundo, menos de 20% das águas residuais, ou seja, do esgoto por nós produzido, retornam ao ecossistema tratadas ou reutilizadas, embora as oportunidades de sua exploração sejam enormes. Um dos objetivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas ambiciona reduzir para a metade a proporção desses efluentes e aumentar a reciclagem até 2030. É um trabalho que exige conscientização e mobilização.

Alinhadas com este pensamento, muitas empresas do setor têxtil no Brasil já atuam nesse sentido, pondo a questão da sustentabilidade, tratamento e economia de água como pontos cruciais de suas atividades.

Um dos exemplos dessa iniciativa cuidadosa é a fabricante de toalhas Appel. Há mais de 40 anos no mercado, a empresa investe forte na preservação ambiental, a fim de contribuir para a conservação do ambiente e, sobretudo, garantir a qualidade da região onde fica sua fábrica, em Brusque, Santa Catarina.

Há 17 anos eles possuem uma estação de tratamento de efluentes que permite que a água passe por um moderno sistema de tratamento e seja devolvida ao meio ambiente limpa e sem oferecer risco à natureza.  “A água da chuva também é armazenada e aproveitada no setor de tinturaria, para tingir os fios de algodão”, conta Rafael Appel, diretor da empresa.

Companhia Industrial Cataguases, localizada em Minas Gerais, é outro nome de peso quando o assunto é água limpa. É do Rio Pomba, afluente da margem esquerda do Rio Paraíba do Sul, que deságua no oceano Atlântico, que eles retiram o precioso líquido para usar em suas instalações, e é para lá que devolvem quando o processo termina, e sem causar malefício algum ao ecossistema.

O trabalho não é simples, tampouco barato, mas o investimento se justifica pelo resultado. A opção da Cataguases foi construir uma moderna estação de tratamento de efluentes e, com isso, conseguir retornar ao Rio Pomba toda a água usada em sua cadeia produtiva. E deu certo.

“A água que captamos passa por um sistema de tratamento de água convencional, seguindo um rigoroso controle de qualidade em laboratórios próprio e terceirizado”, segundo o diretor industrial da empresa, Marcos Aurélio Sousa Rodrigues.

Além do tratamento, eles economizam e fazem reúso de água com equipamentos de ponta no processo de beneficiamento do algodão. É a tecnologia servindo de base para um mundo sustentável.

Vicunha, gigante cinquentenária produtora de denim, é mais uma empresa que se entrega com afinco à proteção da água. As práticas sustentáveis da empresa focam vários objetivos, e existe uma preocupação permanente com economia em suas atividades.

Além de uma estação de tratamento de efluentes e um moderno sistema para reúso de água, eles desenvolvem técnicas específicas em seus tingimentos, usando uma seleção de químicos especialmente desenvolvida sob rigorosas normas de qualidade e ambientais. Isso proporciona uma redução de 80% do consumo da água comparado com processos convencionais.

“Praticamente 100% do corante índigo é absorvido e fixado na fibra de algodão, evitando o uso de água e energia para aquecimento em banhos subsequentes na eliminação do excesso não fixado”, explica Renata Guarnieiro, gerente de Marketing.

Outra empresa do segmento de jeans que respeita esse bem de domínio público e recurso natural fundamental é a Damyller. A empresa de 38 anos, que fica em Nova Veneza, no sul de Santa Catarina, e tem como principal produto calças jeans, valoriza a cadeia sustentável atuando de forma ativa em economia e tratamento de água.

Assim como outras grandes indústrias da moda, eles usam a tecnologia como grande aliada, e assim alcançam números impressionantes. “Já economizamos 120,7 milhões de litros de água no nosso processo produtivo desde que começamos nossas iniciativas. Só uma de nossas máquinas economiza 3,3 milhões de litros de água por mês”, relata Cide Damiani, diretor da empresa.

Eles sabem que não existe impacto zero, portanto, o grande desafio é atuar da forma mais limpa possível, beneficiando o ambiente. Em seu processo de produção, toda a água, depois de utilizada, passa por um rigoroso processo de tratamento, que envolve uma série de etapas que promovem a remoção dos compostos químicos, físicos e biológicos presentes no efluente, até ser devolvida ao rio. “E tudo dentro dos padrões exigidos pelos órgãos ambientais“.

Até grandes redes varejistas dão exemplos de como é possível cuidar da água para garantir sua permanência no planeta.

Lojas Renner S.A., maior varejista de moda do Brasil, tem grande preocupação com as construções e reformas de suas lojas, pensando sempre em sustentabilidade e nos impactos do uso de água e energia.  “Nós certificamos três lojas dentro do conceito Leed (Leadership in Energy and Environmental Design), de construções sustentáveis, para reduzir impactos dos pontos de vista de água, energia e deslocamento de matérias-primas, pontua Vinicios Malfatti, gerente sênior de Sustentabilidade.

Na mesma linha há o grupo Riachuelo. Em sua loja verde, com projeto ecológico e certificação LEED, o reúso de águas pluviais é um propósito sustentável que gerou resultados de impacto, alcançando uma diminuição de 67% no consumo total. Ademais, no que diz respeito à produção interna, a preocupação com sustentabilidade conta com uma lavanderia verde, que usa pouca água e produz descarte reduzido, tudo sob o olhar profissional de uma engenheira ambiental que acompanha todos os processos, segundo Reginaldo Limeira de Sousa, Gerente de Relacionamento com Fornecedores e Responsabilidade Social.

Vale citar ainda a ITM (Indústrias Têxteis H.Milagre Ltda.), localizada na Serra Gaúcha. Um dos objetivos da empresa é ampliar a oferta de produtos sustentáveis nos diversos mercados em que atua. Para tanto, eles construíram uma estação de tratamento de efluentes de vanguarda, pioneira no tratamento do efluente de forma biológica. Além disso, trabalham no controle dos afluentes e efluentes.

Esses exemplos são mostra de como a indústria da moda no Brasil caminha na direção do que é responsável, buscando preservar nosso bem mais precioso, a água.

 

Foto: ITM Têxtil