24 abr X

A geração que não se define por gênero

“Sua mãe está confusa. Ela não sabe se você é menino ou menina”, é o verso de abertura da música Rebel, Rebel, de David Bowie. Hoje, a letra está em sintonia com as mudanças de perspectivas entre as normas de gênero e moda. Conforme a moda masculina e a moda feminina se inspiram cada vez mais uma na outra, a distância que divide as duas categorias vem diminuindo. À medida que os  jovens questionam o papel da identidade de gênero, eles também passam a buscar looks versáteis e andróginos como uma forma de autodescoberta.

A Moda Sem Gênero

Um terno é só um terno, uma camisa é só uma camisa e um vestido é só um vestido. Colocar as peças de roupa fora do contexto de gênero permite que o produto fale por si. Além de ampliar a base do público consumidor que busca na roupa uma forma de se expressar e se descobrir.

Os millennials – ou geração Y – são mais identificados com o LGBTQIA (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, queer, intersexuais e assexuais) do que as gerações anteriores. A ideia que associa a orientação sexual com o estilo de roupa se torna ultrapassada e uma atitude mais progressista cria raízes. “Muita gente não se sente obrigada a usar um tipo de roupa só porque a sociedade estipula”, afirma Bobby Bonaparte, co-fundador da marca unissex Older Brother, nascida em Portland. A marca é especializada em roupas folgadas, como denim lavado e algodão, que canalizam a nostalgia de usar a roupa antiga de um irmão.

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Foto: Older Brother
Além disso, cada vez mais estilistas apostam em desfiles de gênero misto. A Gucci, a Burberry, a Tommy Hilfiger e a Bottega Veneta são algumas das grifes famosas a implementarem essa mudança. “O fato de que os estilistas estão questionando as noções de gênero pré-concebidas ou simplesmente reconhecendo que as coleções da moda masculina atraem a consumidora feminina é uma tendência constante”, comenta Caroline Rush, diretora do British Fashion Council para o BOF. “Poder mostrar a moda feminina e a masculina lado a lado nas passarelas e contar com a participação de um diretor criativo ajuda a construir uma marca coesa”, acrescenta.

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Foto: A J Crew transformou a frase “roubados do irmão” em sua assinatura de marketing. A marca usa o termo para divulgar suas peças, desde camisas de chambray, e blazers de tweed até mocassins com borlas.

As marcas aderiram o novo comportamento

No varejo, também é possível observar as mudanças. Recentemente, a empresa automotiva Mini trouxe jovens estilistas à feira Pitti Uomo para criar uma coleção cápsula de moletons, destinada a englobar ambos os sexos por meio de um modelo democrático. A Zara, por sua vez, lançou a categoria Sem gênero em seu website, que inclui camisetas, calças e jeans com modelagem para ambos os sexos. No ano passado, a Selfridges lançou uma loja-conceito no padrão “sem gênero”. A partir desse novo contexto, a maioria dos varejistas poderia trazer roupas unissex e descomplicadas – especialmente se eles já atendem ao mercado masculino e feminino.

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Foto: Mini e Pitti Uomo