Já pensou se pudesse trocar o figurino de seus filhos, sem ter que levar outro na bolsa? Ou até se é possível ter dois looks totalmente diferentes, usando a mesma roupa? E não estamos dizendo em combinar com acessórios, para parecer diferente, mas usar a mesma peça, e ter duas aparências diferentes. Quem tem crianças já passou por apuros e pediu que as roupas dos pequenos ficassem limpas, como por mágica, num dia de festa. É um suco que derrama, a cobertura do bolo que cai no vestido, e pronto, parece até que o encanto acabou, embora a diversão, para eles, nunca acabe.

A empresária Juliana Carrijo é mãe de dois filhos, um menino de 11 anos e uma menina de seis. Vaidosa e preocupada com a limpeza de suas roupas, a pequena Marina foi a grande inspiração da mãe para transformar o gosto pela costura em uma bem-sucedida empresa de vestidos infantis. Todas as vezes que saíam de casa, Juliana era obrigada a levar uma mala extra de roupinhas para que a menina se trocasse, caso alguma sujeira ou mancha aparecesse nas roupas que vestia. Já era um hábito, até que um dia Juliana se esqueceu das peças reserva e teve que improvisar uma solução às pressas. Como a pequena trajava um lindo vestido com forro branco cuidadosamente confeccionado pela avó, a saída foi virá-lo do avesso e exibir como uma nova peça. 

Para sua surpresa, Juliana imediatamente passou a receber elogios das amigas, que perguntavam se ela levara um vestido de princesa para trocar a criança. “Eu apenas virei a peça do avesso, só que a costura interna era tão impecável que parecia o lado certo”, conta Juliana. Lisonjeada com os comentários e satisfeita com o resultado, a engenheira civil largou a construção de prédios e passou a costurar vestidos infantis dupla face.

Da mãe, Juliana herdou o gosto pela costura ainda pequena, então a confecção dos modelos era a parte mais fácil da nova empreitada. Devido a uma transferência de emprego do marido, ela teve que passar dois anos em São Paulo, período em que decidiu fazer pessoalmente todas as roupas da menina, e todas elas com dupla face. “Tudo podia ser usado dos dois lados, mas essa opção, em princípio, foi mais pelo acabamento do que pela funcionalidade”, explica. Para dar uma nova cara às peças, ela trocou o forro branco padrão por tecidos estampados, coloridos e bordados – outra habilidade que aprendeu com a mãe. As peças, então, começaram a fazer sucesso entre as mães da escola da menina.

“Elas ficaram encantadas com as roupas e perguntaram se eu não faria para vender. Expliquei que era apenas um hobby.”

Era. Que fique claro! Uma das mães pediu a Juliana para fazer cerca de cem peças a fim de vender em uma feira que ocorreria na escola, e ofereceu um tempo razoável para a entrega. A estilista topou, acabou produzindo 70 vestidos, todos diferentes uns dos outros, e vendeu todos eles no primeiro dia do evento, sem restar mercadoria para o dia seguinte.

Foi aí que visualizou a oportunidade de negócio com algo que, até então, fazia como um capricho para Marina. “Daí por diante as pessoas foram pedindo, e eu fazendo, pedindo mais, e eu fazendo mais, até que apareceu uma outra feira.”

Essa nova feira a que Juliana se refere era a Ópera (https://www.grupoopera.com.br/), evento internacional de moda e decoração baby, kids e teen, voltado exclusivamente para lojistas, e considerado um dos maiores do Brasil. Era um passo grande, mas ela não hesitou. Lá, pediram a ela que vendesse no atacado para atender lojistas interessados em seu produto. Ela, mais uma vez, aceitou.

De volta a Goiânia, o negócio só cresceu. Atualmente, a grife Juliana Carrijo produz apenas para atacadistas e vende para todo o país.

Além das fronteiras 

Ateliê Juliana Carrijo, que nasceu em 2014, ganhou fama e, recentemente, foi convidado para um evento no exterior. A estilista teve que abrir mão da feira Ópera, que acontece em junho de 2018, a fim de preparar as peças para expor em outra na Alemanha, organizada pela Koelnmesse. (http://www.koelnmesse.com.br).

A empresa possui confecção própria e conta com três funcionárias. Tudo é feito sob a supervisão de Juliana, que além de criar os modelos, costura e borda. Juntas, produzem cerca de 200 peças por mês, todas feitas em 100% algodão.

Com olho no futuro, a estilista já faz testes para criar uma linha para meninos. Calça, shorts e macacão já foram testados, mas ela busca um tecido, também 100% algodão, que tenha um bom caimento para as camisas dupla face. “Eu não abro mão do algodão 100%, e não estou falando do 90% ou do 80%, estou falando do puro 100%. É o DNA da minha marca, o algodão e a dupla face.”

Amante da fibra natural que escolheu para sua marca, Juliana tem grande admiração pelo movimento Sou de Algodão, da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), que incentiva o uso do tecido na moda. “Eu acho o movimento fantástico. Quando soube dessa campanha eu a identifiquei como algo que tinha tudo a ver com a minha marca.”

Além do algodão, os vestidos da marca se alinham a outros pontos sustentáveis. Como é uma peça única que pode ser usada dos dois lados, a lavagem economiza água. “A mãe lava apenas uma roupa, não duas. E na hora de fazer uma viagem, em vez de uma mala cheia, ela leva cinco vestidos para dez dias. É muito prático”, explica.

Para 2018, Juliana ambiciona o mercado internacional. “Estou em contato com as Câmaras de Comércio da Alemanha, de Portugal e da Inglaterra. A ideia é levar minha marca para esses três países. Os europeus admiram muito o slow fashion, o aproveitamento 100% da peça.”

Criatividade, bom gosto e pensamento sustentável têm tudo a ver com moda. E o algodão vem com a leveza e o conforto que agradam pais e filhos.