Quando surgiram as notícias da descoberta do ouro na Califórnia, no século 19, Oscar Levi-Strauss, que então trabalhava em Nova York, na loja de seus irmãos, decidiu se aventurar no garimpo, mas fora das minas. Seu ouro não era um minério, mas um tecido de algodão sarjado, vindo do estado norte-americano de Maryland, muito usado na fabricação de lonas.

A resistência e a durabilidade do material, chamado denim, despertou no empreendedor a ideia de desenvolver vestimentas para os mineradores. Logo ele se tornou peça fundamental no cotidiano da classe, do final do século 19, sendo utilizado por trabalhadores em lavouras e também por ferroviários.

Levi-Strauss faleceu no início do século 20, deixando uma pequena fortuna, ainda sem imaginar a total influência de suas peças para a moda.

 

Timeline

1853 – Oscar Levi-Strauss, ao lado de seu cunhado, David Stern, funda a empresa que viria a se tornar a famosa marca Levi Strauss & Company.

1872 – O costureiro Jacob Davis de Reno propõe a Levi-Strauss reforçar as costuras das calças usadas pelos mineiros com rebites, tornando essas calças um sucesso de vendas. Os dois, então, decidem requerer a patente do produto.

1873 – É concedida a United States Patent número 139121 para os assim chamados Waist-Overalls, reforçados com rebites de cobre.

1950 – As peças passam a integrar o guarda-roupa da juventude rebelde, orquestrada por estrelas como Marlon Brando e James Dean.

1960 – O 501, da Levi’s, já era usado por gente de todo tipo, incluindo Marilyn Monroe. Na mesma década, Audrey Hepburn aparece com um denim em Bonequinha de Luxo.

1970 – A peça também foi utilizada como símbolo da contracultura pelo movimento hippie, em protesto contra o tradicionalismo e o pensamento conservador da época, tornando-se símbolo de liberdade para a juventude insurgente.

1973 – Calvin Klein gera polêmica ao levar o denim para as passarelas. As peças são consideradas como uniforme de trabalhadores. No entanto, tempo depois, a tendência é seguida por outras grifes.

1980 – O denim invade as passarelas de Paris e Milão, e a partir daí, o mundo inteiro acompanha as tendências de moda, especificamente do jeans para desenvolver suas coleções.

1990 – Surgem os “mom jeans”, que, na época, eram apenas calças com cintura alta e modelagem reta.

2000 – Como esquecer a calça corsário, com cintura superbaixa e os shorts curtinhos com cintura alta?

2018 – O tecido é reverenciado e amplamente utilizado na alta-costura.

 

previous arrow
next arrow
ArrowArrow
Slider

 

Versátil e atemporal

Não há como negar que o denim seja um dos tecidos mais versáteis, queridos e democráticos da moda. Quase impossível de imaginar que exista um único guarda roupa no mundo em que, em algum momento, o jeans já não tenha habitado, a famosa calça 5 bolsos tradicional, que já foi básica, atravessa décadas quase intocável, e hoje é um clássico. Porém, cada vez mais modelos e produtos usam o denim como base, trazendo novas lavagens e releituras que o tornam contemporâneo e, porque não dizer, inovador. Das calças, subindo para camisas e jaquetas, que já foram justas, agora mais largas e longas, com lavagens bem desbotadas e desgastes que vão, desde quase tímidos riscos a um look absolutamente ‘destroyed’, o tecido entra forte em outros figurinos inusitados, como na roupa de gala das artistas no tapete vermelho, até em scarpins e sandálias que foram o hit do último verão.

Hoje o denim não é mais apenas índigo. Entrou o off-white, o rosa chiclete, e tantas outras cores, mas continua sendo o nosso queridinho. Com o avanço dos anos e da tecnologia, outras fibras se associaram ao algodão, trazendo novos atributos ao produto, sem perder a autenticidade.

Nunca erra quem usa um bom jeans, seja com aquela T-shirt básica ou com um look mais provocador, como jaqueta e salto alto, ele continuará firme na moda, para a nossa alegria.