Curiosidades

De olho na etiqueta!


Aproveitamos as ofertas e chegamos em casa com todas aquelas peças que adoramos, ou, chegaram as festas e ganhamos roupas, todas elas cheias de etiquetas e o nosso primeiro impulso é: cortar, eliminar essas pecinhas que vivem nos incomodando, provocando coceira e nos irritando, não é mesmo? Quem tem criança, então, já ouviu muita reclamação e pedidos chorosos de “Tira, mamãe! Está cutucando!” Mas, antes de ceder a esse impulso, principalmente se a peça custou mais do que uma mera camiseta de liquidação, ouça o que ela diz, ou melhor, leia e interprete informações importantes, pois elas serão suas aliadas para sempre, se quer manter suas roupas bem cuidadas e longe do risco de manchas ou deterioração precoce.

Nós já sabemos que as características de suavidade e respirabilidade tornaram o algodão a fibra natural mais popular do mundo, mas será que somos capazes de dizer que a peça que compramos é feita 100% de algodão sem olharmos a etiqueta? Com tanta tecnologia surgindo por aí, e com tantos nomes que dão a novos tecidos, é bem provável que tenhamos comprado gato por lebre, em algum momento de nossa vida. Algodão de bambu, algodão ecológico, até algodão sintético já apareceu no mercado, mas somente saberemos se eles são de algodão, se a etiqueta informar que tem essa fibra.

O Código de Defesa do Consumidor (CDC), em seu artigo 31, determina que os produtos ou serviços devem ser comercializados apresentando “informações corretas, claras, precisas, ostensivas e em língua portuguesa sobre suas características, qualidades, composição, preço, garantia, prazos de validade e origem, entre outros dados”. Por sua vez, a Resolução N. 02 publicada pelo CONMETRO em 06/05/2008 regulamenta a forma como essas informações devem constar nos produtos têxteis e de vestuário.

No Brasil, por lei, as roupas precisam ter etiquetas com as informações de razão social e CNPJ do responsável pela peça; país de origem de fabricação, tamanho, composição têxtil e cuidados para conservação do produto. Essas informações são importantes para rastreabilidade, informação ao consumidor, dentre outras.

Em outros países essa norma é diferente, então, é comum ver marcas que comercializam produtos em diferentes países desenvolverem uma etiqueta padrão, com as informações obrigatórias no idioma de cada país onde o produto poderá ser comercializado. Isso facilita a armazenagem e logística, considerando que as peças do mesmo lote podem ser distribuídas para países diferentes. A desvantagem disso é que as etiquetas acabam ficando muito grandes, muitas vezes em múltiplas camadas, e o consumidor é obrigado a receber informações desnecessárias em idiomas que, muitas vezes, não vai entender.

Mesmo assim, é importante saber que tipo de informações traz a etiqueta da roupa. Da mesma forma como a bula do remédio, ou a tabela nutricional dos alimentos que compramos, temos nesse pequeno pedaço de material, de forma bastante resumida e de entendimento imediato, a história da sua peça de roupa e orientações para cuidar bem dela.

A Etiqueta Certa é uma empresa apoiadora do movimento Sou de Algodão, e ela orienta a indústria têxtil e de confecção como criar a etiqueta de acordo com as normas, e nos dá dicas de como cuidar bem das peças, sejam elas de algodão, ou não. Vamos lá?

 

  1. Origem: é obrigatório por lei que todas as peças venham com uma etiqueta informando o país de origem de fabricação. Produtos feitos no Brasil geram empregos e renda locais, pense nisto na sua próxima compra!

  1. Símbolo de passar a ferro: com um ponto dentro, significa que a roupa pode ser passada em temperatura baixa (máximo 110ºC). Já com dois pontos é com temperatura média (máximo 150ºC). E com três, a temperatura é alta (máximo 200ºC). Se tiver um X, a peça não pode ser passada a ferro. Lembre-se, ao passar a ferro com temperatura superior ao indicado, as fibras ressecam e se tornam ásperas e, pior, dependendo do tipo de fibra, o dano pode ser irreversível.

  1. Símbolo de secagem: com um ponto dentro, significa que pode ser à máquina de secagem; quando há dois é preciso usar a temperatura normal. Se tiver um X, não pode ser em máquina. Com um traço vertical, deve ser feita com a roupa pendurada. Se possuir DOIS traços verticais, deve ser pendurada, mas não se pode torcer. Com UM traço horizontal, deve ser feita em um plano e com DOIS, em um plano sem poder torcê-la. E, por fim, um traço diagonal na ponta superior esquerda – atribuído aos símbolos de secagem plana ou vertical – instrui que deve ser na sombra. 

  1. Símbolo de alvejante: o triângulo representa o uso de alvejante, se for BRANCO indica que pode usá-lo caso seja necessário. Os TRAÇOS DIAGONAIS permitem a utilização de branqueador com oxigênio, enquanto o X por cima proíbe a utilização de qualquer tipo de branqueador.

 

  1. Símbolo de lavagem:  chamado de tina, é acompanhado por um número que expressa a temperatura máxima da água em que a peça de roupa deve ser lavada sem sofrer danos. Quando NÃO possuir um traço embaixo, indica que a peça pode ser lavada à máquina no ciclo normal; com UM traço embaixo, deve ser em ciclo delicado; DOIS traços é para quando a lavagem é em ciclo delicado e a roupa não pode ser torcida. O símbolo de uma MÃO dentro instrui que a lavagem da peça deve ser apenas manual; e um X, identifica que a peça não deve ser lavada à máquina.

A etiqueta é o manual de instrução e uso da sua peça. Não importa o preço da sua roupa, cuidar bem é uma prova de amor, não só a você ou às suas finanças, mas também ao meio ambiente. Uma peça bem cuidada dura mais, e a melhor forma de fazê-lo é seguindo as instruções da etiqueta. E se a peça for ainda 100% algodão, quando você cansar dela, pode levar para reciclar. Isso mesmo! Quanto mais puro o tecido, ou seja, sem misturas de fibras, melhores são as chances de voltar para o ciclo de vida, transformando-se em novas peças.