Empreendedorismo

Clube de Costura

Da Europa para Goiânia: coworking de costura aposta em
criatividade e colaboração.

 

Clube de Costura

 
A economia criativa não é mais um termo dos descolados, mas um princípio que veio para ficar, e tem tudo a ver com sustentabilidade.

Colaboração e criatividade são ingredientes mágicos, quando pensamos em empreendedorismo, e hoje, cada vez mais pessoas buscam a ajuda de outras para alçar voos mais tranquilos e certeiros. O coworking sai dos cenários alternativos e entra com tudo em grandes centros, levantando os pilares da sustentabilidade, como a inclusão social, a destinação de rejeitos e o desenvolvimento econômico dos participantes.

A ideia de criar um coworking de moda veio da Europa e aterrissou em Goiânia há cerca de dois anos e meio, pelas mãos do presidente do Mega Moda Shopping, Carlos Luciano, que voltava de uma viagem a Barcelona, na Espanha. Foi lá que ele conheceu e abraçou o modelo do clube de costura.

“Quando chegou ao Brasil, ele estava muito entusiasmado e nos contou o que vira e sua ideia de montar um clube de costura no shopping. Eu me apaixonei de cara pelo projeto”, diz Adriane Teixeira, gerente de Marketing do Mega Moda Shopping, empreendimento em Goiânia que conta com 1.300 lojas e recebe visita mensal de 670 mil pessoas.

Para pôr em prática o plano inovador na região, Adriane chamou Leandro José Pires, proprietário da LP Consultoria, voltada a negócios de moda, e também consultor do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).

Responsável pela implantação do conceito trazido da Europa, Leandro não teve dúvida em aceitar o desafio. “O clube foi o primeiro fashion coworking do gênero em Goiás, um dos 10 polos confeccionistas mais importantes do país”, explica. Com o projeto nas mãos, ele tocou todas as fases do negócio, desde a concepção arquitetônica às instalações de trabalho e aquisição de maquinário, tudo para apresentar uma real e eficiente estrutura de confecção.

“Nosso plano era levar o chão de fábrica para dentro do clube de costura”, acrescenta Adriane.

Foram dois anos de trabalho até que, em 29 de maio deste ano, nasceu o Clube de Costura do Mega Moda. E como funciona? É um espaço onde há máquinas profissionais e semiprofissionais, mesas de corte e todos os equipamentos necessários para confecção de peças, dispostos dentro das normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). O clube foi criado com parcerias sólidas, como a Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), a Agopa (Associação Goiana dos Produtores de Algodão), a Abest (Associação Brasileira de Estilistas) e o Sebrae.

Na inauguração do Clube de Costura, o estado de Goiás tornou-se o primeiro a lançar regionalmente o movimento “Sou de Algodão”, da Abrapa, que levou a jornalista, consultora de moda e escritora Lilian Pacce para um bate-papo sobre a importância do uso do algodão na moda e na cadeia de confecção. Leandro diz que a participação de Lilian foi muito especial por ela ser uma pessoa com propriedade para falar sobre moda, design, tecido e mercado. “Ela trouxe um olhar neutro, potencializando o uso do algodão, ‘made in Brazil’, que agrega ao clima tropical de nosso país, assim como ao conforto.”


Coworking: um trabalho costurado a várias mãos

 E o melhor, qualquer pessoa pode usar as instalações do clube. “É um trabalho de colaboração, porque um vai ajudando o outro, trocam opiniões, ideias. Um não consegue pôr a linha em determinada máquina, alguém ajuda. Outro está com dificuldade de cortar uma peça de jeans na mesa, também é auxiliado”, relata Adriane.

A locação para o uso dos equipamentos do Clube de Costura custa R$ 10/hora, mas é possível ser um associado e garantir descontos na renovação do período-hora de trabalho, além de créditos em cursos à escolha e outros benefícios – como uso de toda a sala de costura, a área de eventos com recursos audiovisuais, horas de consumo nas mesas individuais e estacionamento.

Moda: um veículo de comunicação que promove oportunidades de negócios

 O Clube de Costura oferece diversos cursos para iniciantes e para aqueles que já conhecem um pouco da técnica de criação de peças. “As vagas estão sempre todas preenchidas. Há pessoas que têm alguma noção de costura, mas outras que nunca se sentaram numa máquina antes”, explica a gerente de marketing.

Além das áreas de produção e cursos, o clube possui passarela para desfile de coleções, biblioteca com mais de cem livros de moda para consulta e um café que abriga diferentes atividades voltadas à formação de pessoas. “Fizemos uma ação no Clô Café Criativo chamada ‘Cotton Tea’, que foi um bate-papo para discutir a importância do uso do algodão na moda”, diz Leandro. Mas o espaço, segundo ele, também funciona como um centro de integração entre os frequentadores, já que ali, na hora do cafezinho, acontecem muitas conversas e troca de ideias. Por exemplo, a utilização de sobras de tecidos entre os usuários do Clube de Costura aponta diretamente para práticas sustentáveis da matéria-prima. “Isso ainda acontece entre eles próprios, mas temos planos de motivar esse processo, inclusive fazendo um trabalho com os lojistas, numa ação sustentável, resolvendo o destino da apara”, explica Leandro.

Outro ponto de discussão – e que é uma preocupação constante do clube – refere-se ao empreendedorismo como forma de criar novas oportunidades àqueles que ainda buscam um caminho de obter renda por meio da colaboração. “A economia criativa é um de nossos públicos. A moda é um veículo de comunicação que interage com vários setores e promove a oportunidade de negócios.”

Inclusão social e sustentabilidade: uma corrente do bem

Segundo a gerente de marketing, existe uma enorme preocupação social no projeto. “Nós estamos profissionalizando, capacitando pessoas a fim de que elas possam desenvolver um novo trabalho e ter outra oportunidade de renda.”

Leandro faz coro à fala. “Em curso recente de iniciação à costura, nós tivemos pessoas que nunca haviam estado à frente de uma máquina. Agora já estão fazendo sacolas, bolsas, aprendendo a colocar um zíper, fazer barra e pequenos ajustes.”  Ele enfatiza o fato de o clube propiciar a união de todos os elos da cadeia, como empresários, estilistas, costureiras, produtores de moda, estudantes e curiosos que querem iniciar uma nova atividade.

Para pequenas empresas o clube também é ótima alternativa. É possível fazer a locação de máquinas por hora ou fechar o espaço por tempo determinado e levar a própria equipe para vivenciar uma experiência inusitada, em um lugar diferente, que conta com áreas de convivência, de aprendizado e com serviço de alimentação, tudo no mesmo local.

No próximo dia 25 de agosto, acontece o MMF (Mega Moda Fashion), que reúne pessoas ligadas à moda e também os que se interessam pelo assunto. O evento terá, em sua abertura, um desfile com estudantes do último ano da Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO), que customizarão camisetas com estampas temáticas dos atributos do algodão, como ‘sou leve’, ‘sou natural’, entre outras, e esta ação marca o início das atividades do movimento Sou de Algodão junto às instituições de ensino em moda.



Fotos: Acervo Clube de Costura