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Moda, Uncategorized

Quem acompanha as notícias já viu muitos escândalos envolvendo grandes marcas de confecção e varejo, que viralizam nas redes sociais, condenando o uso de mão de obra irregular na produção de suas peças. E o consumidor, cada vez mais informado e consciente, cria verdadeiras campanhas contra o uso de peças dessas marcas, levando milhares de pessoas a refletir sobre o comportamento de compra e a adotar critérios mais justos na hora de escolher uma marca a se associar, afinal, você é o que você veste, e adquirir peças de uma marca que tenha uma conduta incorreta o torna conivente com práticas que deveriam ter sido banidas da indústria há muitas décadas.

A Abvtex (Associação Brasileira do Varejo Têxtil) foi criada em 1999 com o intuito de manter um canal aberto e transparente com o mercado e com o governo, em prol dos interesses do varejo de moda. A entidade nasce com valores muito fortes com relação ao cumprimento da legislação, à formalização, à ética nos negócios, à não sonegação de impostos e à concorrência leal entre as partes envolvidas nessa cadeia de valor.

Atualmente, a entidade possui 22 grupos associados, entre os mais representativos do setor de moda do país, que fazem a gestão de 60 marcas muito conhecidas do consumidor brasileiro. São empresas majoritariamente sediadas em São Paulo, mas o programa Abvtex tem caráter nacional e soma números expressivos. São 4.000 empresas certificadas, presentes em 643 municípios de 18 estados. Isso representa um montante de mais de 318 mil trabalhadores diretos e 24.775 auditorias realizadas em todas essas empresas.

“É um trabalho muito extenso, mas queremos aumentar a abrangência em nível nacional. Nós ainda temos um percentual bastante grande de informalidade no setor que precisa ser combatido por meio de boas práticas, formalização e da responsabilidade social ao longo da cadeia produtiva”, explica Edmundo Lima, diretor-executivo da Abvtex.

Para ser um associado da Abvtex é fundamental que a empresa seja do varejo de moda, ou seja, aquela que comercializa vestuário, calçados, acessórios e artigos de cama, mesa e banho. É necessário também que a empresa seja atuante, promova a formalização, a responsabilidade social e o desenvolvimento na cadeia de fornecimento.

 

Certificação 

“A certificação nasceu como uma forma de nós garantirmos a responsabilidade social ao longo da cadeia produtiva, eliminando qualquer tipo de informalidade e de precarização do trabalho. Desde o início desse programa, criado em 2010, ele é realizado por meio de auditorias físicas nas fábricas dos fornecedores das grandes redes”, afirma Lima.

Todos os varejistas que participam do programa Abvtex assumiram o compromisso de não adquirir mercadorias de fornecedores que não sejam certificados, garantindo o respeito aos critérios de formalização, como condições de saúde e segurança do trabalhador, garantia de seus direitos, estrutura física da empresa, e todo um conjunto de parâmetros e requisitos relacionados à formalização e legislação trabalhistas.

Como associadas da Abvtex, as empresas têm vários benefícios, como estabelecer um relacionamento com outros varejistas para a troca de boas práticas. “Esse relacionamento é super importante para unir o setor, alinhar problemas. Além disso, a entidade tem uma série de ações em prol do setor e, portanto, é imprescindível a participação do varejistas. Por exemplo, nós temos um fórum que discute questões de comércio internacional, como importação e exportação; outro que analisa qualidade do produto e sustentabilidade. E quanto mais as empresas participam, mais essa indústria se desenvolve.”

A Abvtex também realiza uma série de ações institucionais junto ao governo e ao Congresso Nacional na defesa dos interesses dos associados.

Para as empresas, de uma forma geral, é importante a questão da responsabilidade social. No setor têxtil ela adquire uma magnitude muito maior em função do contexto da cadeia produtiva, que é muito ampla, e abrange empresas de vários tamanhos. “Então, essa responsabilidade garante a formalização e as boas práticas no ambiente de trabalho. Majoritariamente, as empresas que produzem vestuário no Brasil são micro e pequenas empresas, que empregam uma grande quantidade de mão de obra, portanto, a responsabilidade social combate a precarização do trabalho ao longo da cadeia produtiva.”

 

Combate ao trabalho escravo e à informalidade 

Na luta para combater o trabalho escravo ou análogo a ele, a Abvtex também busca associar-se a outras entidades, como o InPacto (Instituto Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo); a Comtrae (Comissão Municipal para Erradicação do Trabalho Escravo); a Coetrae (Comissão Estadual para Erradicação do Trabalho Escravo); e a Conatrae (Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo). Juntos, discutem a questão do trabalho escravo e análogo a ele, e reúnem organismos de governo, além de entidades da sociedade civil.

“Além disso, temos o programa Abvtex que faz ações nesse sentido. Desde agosto de 2017, ampliamos o serviço para certificação e auditoria para qualquer empresa que produza vestuário, calçados, artigos de cama, mesa e banho, além de acessórios.”

Um terço de todo o vestuário comercializado no Brasil é feito de maneira informal, isso dentro de um universo de quase R$ 200 bilhões, segundo a Abvtex. “Assim, a produção desses artigos tem algum grau de informalidade, senão em sua totalidade utilizando mão de obra análoga escrava, oferecendo condições degradantes de trabalho, sem direitos garantidos, registro em carteira de trabalho etc. Portanto, esse é um ponto nosso de atenção”, diz Lima.

O programa de certificação da Abvtex acaba sendo um indutor de formalização e de boas condições de trabalho, o que diminui a informalidade no setor. Outro ponto preocupante da entidade é a pirataria. Lima explica que a Abvtex participa, por exemplo, do Cecop (Conselho Estadual de Combate à Pirataria) de Santa Catarina, a fim de discutir essa questão e elaborar formas de bani-la.

 

Sou de Algodão 

Para a Abvtex, o movimento Sou de Algodão, da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), que fomenta o uso dessa fibra natural na moda, é uma campanha extremamente importante porque, além de promover o uso do algodão, valoriza um commodity importante para o país e a indústria brasileira.

“Definitivamente, nós temos um consumidor que está muito preocupado com a origem dos produtos, com questões de sustentabilidade, e, assim sendo, o movimento Sou de Algodão vem justamente nesta direção, incentivando uma produção responsável e com origem conhecida.”

O diretor-executivo ressalta ser notório que o consumidor vem mudando seus hábitos, demonstrando preocupação com a sustentabilidade, seja na matéria-prima, seja no processo de produção. “E até na quantidade de consumo. É importante que toda a cadeia de algodão também se dê conta dessa mudança de comportamento para que possa se adaptar a essas questões.”

Para ele, a internet e as redes sociais têm papel fundamental na conscientização das pessoas, sobretudo dos mais jovens, que participam de grupos e fóruns, e percebem que uma mudança no pensamento de consumo, pela sustentabilidade, é algo irreversível.

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