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Empreendedorismo

Quem já visitou Maceió (AL) conhece as rendas que fazem sucesso nas vendas e feiras de artesanato da turística cidade e correm o mundo, levando as cores e a alegria do povo de lá. Mas, talvez, muitos não saibam quanta história carrega a renda colorida, feita com fios 100% de algodão, e que é registrada como patrimônio cultural imaterial de Alagoas.  A região das Lagoas Mundaú-Manguaba abrange uma área de 252 km2 e abriga os municípios de Coqueiro Seco, Maceió, Marechal Deodoro, Pilar, Santa Luzia do Norte e Satuba, no estado de Alagoas. E é aí que o Bordado Filé foi certificado como marca alagoana e ajuda mulheres a conseguirem renda própria por meio do artesanato com o uso do algodão brasileiro.

Falando assim, parece que foi fácil conseguir a certificação. Nada disso. Petrúcia Ferreira Lopes, presidente do Inbordal (Instituto Bordado Filé das Lagoas de Mundaú-Manguaba), diz que a maratona desde a chegada do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) à região, até sair o certificado, foi longa. “Imagine que o trabalho de delimitar as regiões, conversar com as bordadeiras, reconhecer fazendas e engenhos que tinham o Bordado Filé começou em 2010, para o registro sair apenas em 2016.”

As ações para conseguir o certificado tiveram ainda que nomear os pontos, feitos de forma anônima e, muitas vezes, por intuição. Petrúcia explica que as mulheres faziam os pontos do bordado de cabeça, cada uma nomeava o trabalho de acordo com sua memória familiar, como as avós ou bisavós os chamavam. Só que para a certificação é necessária a identificação de cada um deles, e essa também não foi tarefa fácil.

“Até então ninguém tinha parado para catalogar os pontos. Em cada região, cada uma os chamava do jeito que queria. Imagine quantas reuniões tivemos que fazer para definir isso. Foram muitas discussões, porque uma falava que a tataravó dela chamava o ponto de X, a outra, de Y”, diz Petrúcia, rindo ao recordar-se da situação. O resultado de tanta dedicação foi a criação de um livro catalogando todos os pontos do Bordado Filé.

O Inbordal nasceu, oficialmente, em 2014, mas a identificação geográfica (que delimita uma região que possui um produto com características específicas) do bordado como marca foi dada pelo INPI (Instituto Nacional da Propriedade industrial) em 2016.  Hoje, o instituto inclui 30 mulheres associadas, que produzem jogos americanos, sousplat, toalhas e trilhos de mesa, além de blusas, saias e vestidos. Cada uma delas paga um taxa mensal de R$ 15, mas o trabalho do bordado, muitas vezes, é feito por um número maior de mulheres. “Esse valor de R$ 15 é alto para uma associada que recebe Bolsa Família, por exemplo. Então, quando ela leva um encomenda para casa, o bordado é feito em conjunto por ela, pela mãe, pelas filhas e pela nora. A família toda trabalha.”

E esse trabalho compartilhado explica a produção do número de peças feitas pelas 30 associadas. Em média, são 500 por mês. Mas há exceções. Há pouco tempo, uma encomenda exigiu que as bordadeiras confeccionassem 800 jogos americanos em 30 dias. E foram feitos. Trinta mulheres sozinhas não conseguiriam entregar o pedido. A encomenda mais recente, feita por uma empresa ao instituto, é exclusiva. Serão confeccionada cem luminárias de mesa, conhecidas como quenga de coco. Esta também será uma produção em cadeia.

Bordado Filé

Quase tudo de algodão

Da produção do Inbordal, quase 100% é feito com algodão nacional. Apenas em casos específicos, quando há um pedido especial, elas se utilizam de algum outro fio para tecer o Filé. Os produtos são comercializados em rodadas de negócios e feiras, além de vendas para empresas de outros estados. A presidente do Inbordal ressalta que o valor do Bordado Filé do instituto é diferente do filé comum, sem certificação, porque elas trabalham com malha pequena, o tamanho é padronizado e as peças quase simétricas. Há um limite de aceitação para as bordas, não podem ser tortas, assim como os pontos. “É artesanato, não dá para ser totalmente perfeito, mas existe um controle de qualidade, então leva mais tempo para ser feito.” Isso significa que as bordadeiras não associadas abrem mão do compromisso da qualidade testada e certificada pelo instituto, assim como da procedência da matéria-prima que utilizam. 





Rastreamento do artesanato: a arte levada a sério

Já o Inbordal, com a ajuda do Sebrae, está contratando uma empresa de tecnologia para fazer o processo de rastreabilidade de seu produto, catalogando as artesãs e as peças. Petrúcia conta que é a primeira vez que será feita a rastreabilidade de um item na área de artesanato. As peças terão um QR Code – código de barras que pode ser escaneado pela maioria dos telefones celulares com câmera – na etiqueta, onde será possível identificar a artesã, região em que o artigo foi produzido, quanto tempo levou e que tipo de fio foi utilizado. As bordadeiras do instituto, em sua maioria, usam o lucro de seu artesanato para o sustento da casa e da família. São mulheres que vivem em comunidades carentes e que podem, por meio de seu trabalho com o Inbordal, garantir uma renda própria, além de difundir o Bordado Filé e o uso do algodão como matéria-prima.

Não existe palavra que melhor traduza todo esse esforço em construir o patrimônio cultural imaterial de Alagoas, e o trabalho realizado para catalogar e divulgar a cultura do bordado filé, do que amor. O amor pela arte e pela tradição que, construída, apresentada e difundida por gerações, e rastreada e transportada pelo mundo, nunca irá morrer. A Inbordal é parceira do movimento Sou de Algodão, e esteve no Ateliê do Algodão, no 11o Congresso Brasileiro do Algodão, em Maceió, entre 29 de agosto e 1º de setembro de 2017, mostrando que, com o algodão brasileiro é possível fabricar peças carregadas com cultura, tradição e amor.

 




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Empreendedorismo

Quem não conhece a expressão “ensinar a pescar”? E quando pensamos em sustentabilidade, ela ganha um sentido ainda maior, considerando o impacto que o trabalho junto às comunidades beneficiadas por um projeto social pode trazer na realidade das pessoas que por lá passam, para o resto de suas vidas. Foi com esse pensamento que a ONG Orientavida nasceu em 1999, em Potim, a 171 km da cidade de São Paulo. A ideia era criar uma organização que ajudasse mulheres da comunidade a terem uma renda, através da capacitação em uma atividade que pudesse gerar renda para a família, e garantir o sustento de suas casas.

Para isso, Celeste Chad, diretora voluntária da organização, criou uma equipe de gestão social, com psicólogas e assistentes sociais, que acompanha a entrada das mulheres para a ONG. Segundo ela, existe uma preocupação enorme em privilegiar as que realmente precisam de um trabalho para sua subsistência.  
Para que candidatas sejam aceitas para a capacitação e, posteriormente, para o trabalho como bordadeiras e costureiras, há uma análise da condição social de cada uma delas. Profissionais vão às casas das candidatas para verificar como vivem, e se estão aptas a receber uma oportunidade. Após essa triagem, se aprovadas, inicia-se, então, o trabalho de capacitação, onde essas mulheres participam de palestras e cursos. Muitas delas são chefes de família, e existe, também, um grupo dentro do presídio de Tremembé que atua na iniciativa. 

“Nosso principal foco é a inclusão social de mulheres, para que possam trabalhar e ter sua própria renda”, explica Celeste. O número de mulheres atuando na ONG depende do resultado de comercialização dos produtos, mas a diretora afirma que milhares delas foram capacitadas desde o início. Existe uma preocupação em oferecer a elas a possibilidade de obter ganho financeiro, através do trabalho, e, no caso das presidiárias, que terão liberdade condicional em poucos anos, garantir que, ao voltarem à sociedade, tenham uma ocupação que lhes garantam sustento e reintegração social.  O principal produto da Orientavida é o bordado, mas elas também produzem almofadas e bonecos de pano. Entre seus produtos mais famosos, estão os bichos, produzidos para os Irmãos Humberto e Fernando Campana, que empregam os produtos em suas obras de design, e personagens da Disney.



O sonho de chegar à Disney, através do artesanato

“Nós procuramos a Disney por muitos anos, queríamos ser licenciados e não conseguíamos. Até que a artista Ana Strumf foi acionada por eles para fazer uma ação, e o OK dela teve como contrapartida a nossa participação”, conta Celeste. Dessa união resultou o prêmio internacional  “Best Alice in Wonderland home Collection”, em 2010. Daí em diante, a Orientavida produziu várias outras coleções para a Disney, até que, finalmente, chegou a hora do principal e mais conhecido personagem da empresa, o Mickey Mouse. 
“Para nós foi um divisor de águas. Fazemos Mickey monocromático, estampado, coisas que eles não fazem. Nos deram essa liberdade.” 
E o famoso ratinho da Disney continua ajudando as mulheres de Potim. A mais recente parceria da ONG é com a empresa de calçados Arezzo, que encomendou 2.000 bonecos do personagem. Para atender o pedido, cinquenta mulheres vão produzi-los, e toda a renda da comercialização será revertida para a entidade.

 

Transparência, responsabilidade e impacto social

Celeste explica que, como eles são a única ONG licenciada da Disney no mundo, passam anualmente por uma auditoria internacional, de âmbito fiscal, social e trabalhista. Porém, para dar continuidade à excelência do trabalho, a Orientavida, irá contratar uma consultoria para analisar o impacto social que gera na comunidade. O objetivo é entender o que realmente acontece na vida das bordadeira e costureiras, o que melhorou, a importância da capacitação e como o trabalho favoreceu financeiramente a condição da vida delas, além de mensurar o número de mulheres já capacitadas.  
“Queremos acompanhar o resultado do nosso trabalho na vida direta da pessoa. ”

inclusão socioeconômica de mulheres no interior de São Paulo

 

Inclusão e reintegração social

Em 2017, a ONG fechou um contrato com o grupo Iguatemi, no Brasil todo, para produzir 156 mil clutches destinadas ao Dia das Mães. Durante seis meses, essa tarefa abriu trabalho e salário para 587 mulheres, das quais mais de cem eram reeducandas do Presídio de Tremembé. “O bacana desse projeto [no presídio] é que nós oferecemos ocupação e renda. E a cada três dias trabalhados, um dia é diminuído da pena.”
Mas as reeducandas também são beneficiadas financeiramente. A diretora explica que o salário delas é depositado para o estado, responsável pela gestão do valor, que normalmente é revertido em produtos, como de higiene pessoal. O processo de capacitação com as reeducandas é igual ao que ocorre na base da ONG. Elas participam de palestras socioeducativas, recebem capacitação e matéria-prima para produzir peças.
“Nós percebemos a transformação. Elas ficam empoderadas. Dizem que pensam em sair de lá com a profissão de bordadeiras.”
Mas o processo de inclusão não para por aí. Se as reeducandas forem da região em que a ONG está localizada, existe a possibilidade, inclusive, de elas trabalharem para a organização quando entrarem para o regime semiaberto.

Sustentabilidade, do início ao fim

Assim como cada passo da ONG prevê responsabilidade, o mesmo se aplica à matéria-prima. Celeste explica que o forte deles é o algodão, e que optam por trabalhar com tecido sustentável. Além disso, todo retalho, fruto da produção em todos esses anos, acabou se transformado em uma nova ação. Intitulada “Coração Bordado”, os restos de material viraram corações, que podem ser usados como chaveiros ou pingentes para bolsas, entre outras finalidades.
“Queremos saber de onde vem a matéria-prima que utilizamos. Isso é muito importante para nós. Nós não descartamos nada, a não ser que seja para doar a outras instituições.” Ela enfatiza haver o cuidado para que o produto final saia com preço justo e que cause impacto real em quem o consome, como uma parceria responsável pela cadeia toda.







 De olho em outros públicos, buscando a inclusão de outras gerações

 Os próximos passos ainda estão no papel, mas já apontam para novas campanhas de integração social. Uma delas será voltada à geração de renda para idosos. “Vamos estudar formas de prepará-los para produzir, de maneira leve, que seja gostoso, ajudando-os a ter remuneração.”  A outra visa a qualificar jovens da comunidade. Para tanto, a ideia de Celeste é negociar parceria com um clube que possui grande infraestrutura para skatistas em Guaratinguetá, cidade vizinha a Potim. “Nesse caso tudo vai depender da educação. Eles têm que estudar, ter boas notas e presença nas aulas. Nós vamos incentivar o aprendizado do skate como forma de eles se profissionalizarem e chegarem a campeonatos”, conta.
O pensamento continua firme, desde o início. Ensinar a pescar para chegar mais longe. Seja um novo ofício ou uma habilidade, com públicos diversos, a ONG segue beneficiando a comunidade, com foco em Sustentabilidade e inclusão socioeconômica. Iniciativas assim fazem os olhos brilharem, pela beleza dos produtos, e, mais do que isso, enchem os nossos corações com a esperança de que dias melhores virão!



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Empreendedorismo

Da Europa para Goiânia: coworking de costura aposta em
criatividade e colaboração.

 

Clube de Costura

 
A economia criativa não é mais um termo dos descolados, mas um princípio que veio para ficar, e tem tudo a ver com sustentabilidade.

Colaboração e criatividade são ingredientes mágicos, quando pensamos em empreendedorismo, e hoje, cada vez mais pessoas buscam a ajuda de outras para alçar voos mais tranquilos e certeiros. O coworking sai dos cenários alternativos e entra com tudo em grandes centros, levantando os pilares da sustentabilidade, como a inclusão social, a destinação de rejeitos e o desenvolvimento econômico dos participantes.

A ideia de criar um coworking de moda veio da Europa e aterrissou em Goiânia há cerca de dois anos e meio, pelas mãos do presidente do Mega Moda Shopping, Carlos Luciano, que voltava de uma viagem a Barcelona, na Espanha. Foi lá que ele conheceu e abraçou o modelo do clube de costura.

“Quando chegou ao Brasil, ele estava muito entusiasmado e nos contou o que vira e sua ideia de montar um clube de costura no shopping. Eu me apaixonei de cara pelo projeto”, diz Adriane Teixeira, gerente de Marketing do Mega Moda Shopping, empreendimento em Goiânia que conta com 1.300 lojas e recebe visita mensal de 670 mil pessoas.

Para pôr em prática o plano inovador na região, Adriane chamou Leandro José Pires, proprietário da LP Consultoria, voltada a negócios de moda, e também consultor do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).

Responsável pela implantação do conceito trazido da Europa, Leandro não teve dúvida em aceitar o desafio. “O clube foi o primeiro fashion coworking do gênero em Goiás, um dos 10 polos confeccionistas mais importantes do país”, explica. Com o projeto nas mãos, ele tocou todas as fases do negócio, desde a concepção arquitetônica às instalações de trabalho e aquisição de maquinário, tudo para apresentar uma real e eficiente estrutura de confecção.

“Nosso plano era levar o chão de fábrica para dentro do clube de costura”, acrescenta Adriane.

Foram dois anos de trabalho até que, em 29 de maio deste ano, nasceu o Clube de Costura do Mega Moda. E como funciona? É um espaço onde há máquinas profissionais e semiprofissionais, mesas de corte e todos os equipamentos necessários para confecção de peças, dispostos dentro das normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). O clube foi criado com parcerias sólidas, como a Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), a Agopa (Associação Goiana dos Produtores de Algodão), a Abest (Associação Brasileira de Estilistas) e o Sebrae.

Na inauguração do Clube de Costura, o estado de Goiás tornou-se o primeiro a lançar regionalmente o movimento “Sou de Algodão”, da Abrapa, que levou a jornalista, consultora de moda e escritora Lilian Pacce para um bate-papo sobre a importância do uso do algodão na moda e na cadeia de confecção. Leandro diz que a participação de Lilian foi muito especial por ela ser uma pessoa com propriedade para falar sobre moda, design, tecido e mercado. “Ela trouxe um olhar neutro, potencializando o uso do algodão, ‘made in Brazil’, que agrega ao clima tropical de nosso país, assim como ao conforto.”


Coworking: um trabalho costurado a várias mãos

 E o melhor, qualquer pessoa pode usar as instalações do clube. “É um trabalho de colaboração, porque um vai ajudando o outro, trocam opiniões, ideias. Um não consegue pôr a linha em determinada máquina, alguém ajuda. Outro está com dificuldade de cortar uma peça de jeans na mesa, também é auxiliado”, relata Adriane.

A locação para o uso dos equipamentos do Clube de Costura custa R$ 10/hora, mas é possível ser um associado e garantir descontos na renovação do período-hora de trabalho, além de créditos em cursos à escolha e outros benefícios – como uso de toda a sala de costura, a área de eventos com recursos audiovisuais, horas de consumo nas mesas individuais e estacionamento.

Moda: um veículo de comunicação que promove oportunidades de negócios

 O Clube de Costura oferece diversos cursos para iniciantes e para aqueles que já conhecem um pouco da técnica de criação de peças. “As vagas estão sempre todas preenchidas. Há pessoas que têm alguma noção de costura, mas outras que nunca se sentaram numa máquina antes”, explica a gerente de marketing.

Além das áreas de produção e cursos, o clube possui passarela para desfile de coleções, biblioteca com mais de cem livros de moda para consulta e um café que abriga diferentes atividades voltadas à formação de pessoas. “Fizemos uma ação no Clô Café Criativo chamada ‘Cotton Tea’, que foi um bate-papo para discutir a importância do uso do algodão na moda”, diz Leandro. Mas o espaço, segundo ele, também funciona como um centro de integração entre os frequentadores, já que ali, na hora do cafezinho, acontecem muitas conversas e troca de ideias. Por exemplo, a utilização de sobras de tecidos entre os usuários do Clube de Costura aponta diretamente para práticas sustentáveis da matéria-prima. “Isso ainda acontece entre eles próprios, mas temos planos de motivar esse processo, inclusive fazendo um trabalho com os lojistas, numa ação sustentável, resolvendo o destino da apara”, explica Leandro.

Outro ponto de discussão – e que é uma preocupação constante do clube – refere-se ao empreendedorismo como forma de criar novas oportunidades àqueles que ainda buscam um caminho de obter renda por meio da colaboração. “A economia criativa é um de nossos públicos. A moda é um veículo de comunicação que interage com vários setores e promove a oportunidade de negócios.”

Inclusão social e sustentabilidade: uma corrente do bem

Segundo a gerente de marketing, existe uma enorme preocupação social no projeto. “Nós estamos profissionalizando, capacitando pessoas a fim de que elas possam desenvolver um novo trabalho e ter outra oportunidade de renda.”

Leandro faz coro à fala. “Em curso recente de iniciação à costura, nós tivemos pessoas que nunca haviam estado à frente de uma máquina. Agora já estão fazendo sacolas, bolsas, aprendendo a colocar um zíper, fazer barra e pequenos ajustes.”  Ele enfatiza o fato de o clube propiciar a união de todos os elos da cadeia, como empresários, estilistas, costureiras, produtores de moda, estudantes e curiosos que querem iniciar uma nova atividade.

Para pequenas empresas o clube também é ótima alternativa. É possível fazer a locação de máquinas por hora ou fechar o espaço por tempo determinado e levar a própria equipe para vivenciar uma experiência inusitada, em um lugar diferente, que conta com áreas de convivência, de aprendizado e com serviço de alimentação, tudo no mesmo local.

No próximo dia 25 de agosto, acontece o MMF (Mega Moda Fashion), que reúne pessoas ligadas à moda e também os que se interessam pelo assunto. O evento terá, em sua abertura, um desfile com estudantes do último ano da Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO), que customizarão camisetas com estampas temáticas dos atributos do algodão, como ‘sou leve’, ‘sou natural’, entre outras, e esta ação marca o início das atividades do movimento Sou de Algodão junto às instituições de ensino em moda.



Fotos: Acervo Clube de Costura

 

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Empreendedorismo

A sustentabilidade no artesanato do Cerrado: como boas escolhas criam histórias que propagam o amor pela arte e o respeito pelo meio ambiente e a sociedade.

Você pensa em sustentabilidade, quando vai comprar aquela camiseta da última coleção da sua marca favorita?
Já parou para pensar se a matéria-prima ou os processos produtivos daquela camiseta, geraram algum impacto negativo? Quando pensamos em produtos sustentáveis, muitas vezes questionamos apenas se o produto é ‘ecologicamente correto’, mas, o tema abrange muito mais que isso. A sustentabilidade, para Sou de Algodão, prevê requisitos nos pilares ambiental, social e econômico. E quando essa tríade é equilibrada através das ações de uma empresa, constrói-se uma corrente do bem que só cresce e beneficia cada vez mais pessoas. 
Bordana é uma cooperativa de bordadeiras de Goiânia preocupada em dar chance a mulheres que precisam trabalhar ajudando-as a ter uma renda. Criada em 2011, a sociedade já nasceu com objetivos claros: atuar de forma sustentável utilizando como matéria-prima apenas o algodão. 
 
“Nossa ideia sempre foi trabalhar com tecidos 100% algodão. É um de nossos princípios”, afirma Celma Grace de Oliveira, idealizadora e fundadora da Bordana. E por que o algodão? Segundo ela, a facilidade de manusear o tecido feito com a fibra natural, a textura e a beleza, unidas à preocupação por usar um material sustentavelmente cultivado foi opção unânime do grupo. 
O início da produção deu-se com o algodão cru, passando pelo percal 200 fios e, agora, uma coleção mais sofisticada, que inclui colchas, cortinas e outros itens, e contempla o algodão 400 fios.

Atualmente com 30 mulheres, 20 delas cooperadas e registradas, além de outras 10 voluntárias, a empresa produz mensalmente entre 150 e 200 peças, tendo como carro-chefe almofadas. Mas não para por aí. A linha foi crescendo e hoje elas criam cadernetas, capas para óculos, cadernos, notebooks e tablets, ecobags, chaveiros, marcadores de livro, somando um mix de 20 produtos, todos comercializados na sede da empresa e na Feira do Cerrado, voltada exclusivamente a produtos artesanais, assim como em eventos desse gênero tanto em Goiânia como em outros Estados, em parceria com o Programa de Artesanato Brasileiro (PAB), o Sebrae e outras instituições.  A venda faz coro à produção, no que se refere à consciência ambiental e social. Celma é enfática em afirmar que existe, sim, uma preocupação enorme em vender para pessoas que querem saber o que está por trás do produto, como é feito, a responsabilidade com o trabalho e a sustentabilidade.

Conhecer a origem da matéria-prima faz toda a diferença

 A busca pelo algodão sustentável é feita de várias formas. Pela internet, Celma consegue pesquisar e entrar em contato com fornecedores credenciados, mas a troca de informações e dicas em eventos em que participa sempre resulta numa vasta gama de conhecimento. No ano passado, ela esteve no Rio de Janeiro para receber o Prêmio TOP 100 de Artesanato, e o encontro tornou-se uma grande confraternização com mais de uma centena de grupos voltados ao artesanato e usuários de algodão como matéria-prima. “Foi um verdadeiro intercâmbio com essas entidades que também trabalham com a fibra. Trocamos contatos com novos fornecedores por todo o País. Eu quero participar dessa cadeia, comprar de outro empreendimento social. ” 

Apesar da vontade de privilegiar os pequenos produtores, ligados à economia solidária, Celma explica que ainda é mais fácil adquirir o algodão através da indústria, justamente pelo fato de o preço ser mais acessível.

Inspiração e Moda: o maravilhoso mundo do Cerrado

 Partindo para outras alternativas sustentáveis, Celma conta que uma nova produção de peças, agora voltada ao vestuário, será intitulada “O Sonho de Ana e o Maravilhoso Mundo do Cerrado”. A coleção é uma homenagem à filha da fundadora, que sonhava em ser designer de moda e que veio a falecer em 2007, aos dez anos de idade, dando origem ao projeto social de Celma. 
O trabalho da Bordana não se resume à manufatura. O grupo também ministra cursos de bordado a mulheres que queiram aprender o ofício, independente de atuarem posteriormente na cooperativa, mas é justamente assim que a ação delas vai crescendo e ficando mais popular.

Os próximos passos, afora o crescimento da cooperativa no número de participantes, é se tornar cada vez mais presente nas redes sociais. “Neste ano, nosso foco é aprimorar nossa presença no mundo digital, fazer a venda também virtual. ” 
Em São Paulo é possível conhecer o trabalho das bordadeiras em uma exposição que fica até 27 de agosto no museu A Casa, no bairro de Pinheiros, zona oeste de SP, dentro do projeto A Casa Bordada. 
Histórias como esta enchem nossos corações e nos fazem refletir como a sustentabilidade se torna simples através desse olhar, de fazer o bem, de levar esses valores aos produtos que seguirão na vida de outras pessoas, que contarão a história, elevando o impacto dessa corrente do bem.



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