Com apoio do Sou de Algodão, a Casa de Criadores lança desafio para estudantes e estilistas consagrados e se firma como celeiro de grandes ideias.

Foi em 1997 que o jornalista André Hidalgo – que passou pela Folha de S. Paulo – criou a Casa de Criadores, ao lado de jovens designers que queriam mostrar sua moda fresh e autoral para todo o Brasil. Marcelo Sommer, Karla Girotto, Ronaldo Fraga e João Pimenta são apenas alguns dos grandes nomes que começaram na Casa e, desde então, ganharam a preferência nacional.

Com um line-up democrático – que conta tanto com veteranos como Rober Dognani, ícone na moda festa, e Isaac Silva, estilista-sensação, quanto com Renata Buzzo e Igor Dadona, expoentes de uma vertente jovem, engajada e street, bem em sintonia com o zeitgeist da moda –, a Casa se uniu ao Sou de Algodão em 2018, ganhando fôlego extra e fazendo jus à criatividade que é sua marca-registrada.

Da dobradinha, já nasceram seis desfiles – o primeiro com o algodão sendo interpretado por 16 designers diferentes – e um desafio lançado a estudantes de todo o Brasil, cujo resultado será revelado em 2019. Em comum, todos tiveram que criar apenas com a fibra, sem perder de vista suas características de estilo. Deu match. Ou, segundo André, casamento. “Já temos mil e um projetos para o futuro. É uma parceria que vai durar”.

 

 

Confira o bate-papo:

 

Em 2018, o Movimento Sou de Algodão passou a apoiar a Casa de Criadores de um jeito bastante criativo: convocando os estilistas a criarem apenas, ou em grande parte, com a matéria-prima. Que balanço você faz desta iniciativa? 

O balanço é superpositivo. Quando fomos procurados pelo Movimento Sou de Algodão, não tínhamos muita ideia de como seria o desenrolar desse trabalho, já que, num primeiro momento, parecia ser um desafio para os estilistas trabalhar só com o algodão. Era uma incógnita saber até que ponto seria a adesão deles – e as dificuldades que surgiriam. Mas, na verdade, tudo acabou sendo muito natural, porque o algodão já era uma matéria-prima que eles tinham usado antes, é um material muito brasileiro, que foi completamente adotado por eles. A sinergia foi muito grande e os estilistas curtiram trabalhar com a fibra. Acho que é uma parceria que só tem a crescer.

 

Na 2a temporada, tivemos ainda mais ações: a Noite Sou de Algodão, por exemplo, e o concurso para os estudantes. Quais pontos altos você destaca dessas ações?

O bacana da nossa parceria é que ela vai crescendo naturalmente. No primeiro momento, fizemos um desfile Sou de Algodão, em que 14 estilistas nossos interpretaram a matéria-prima. Nesta 2a edição, demos um passo a mais com o Desafio Sou de Algodão + Casa de Criadores, um concurso voltado para estudantes de moda de todo Brasil, cujo vencedor desfilará na Casa e ganhará ainda um prêmio em dinheiro para desenvolver sua coleção. Estamos resgatando o universo dos cursos, das faculdades, que é rico, de onde saem vários talentos, inclusive, muitos dos que fazem parte do line-up hoje vieram das faculdades de moda. E a Noite Sou de Algodão, por sua vez, mostrou coleções muito ricas e diferentes umas das outras, de acordo com o universo de cada estilista. O Igor, por exemplo, no masculino, a Renata, que faz uma moda mais vegana, o Isaac com o afro-brasileiro, e o Rober, que fez um trabalho super sofisticado. Ficamos muito felizes com o trabalho e eles também.

 

O algodão é uma matéria bem democrática, que vai do dia a dia à festa, mas nem sempre aparece assim na passarela. Foi difícil convencer os estilistas a criarem apenas com a fibra?

 

Essa era uma preocupação inicial, mas a verdade é que não foi difícil, os estilistas gostam de desafios e encaram isso de forma positiva, como aprendizado mesmo, do tipo ‘vou encarar e vou fazer de um jeito bacana’. E foi exatamente o que eles fizeram. Eles vestiram a camisa, adoraram a causa, se engajaram, e o resultado a gente viu na passarela: coleções lindas, super bem resolvidas, amarradas, coerentes, com produto, conceito, tudo o que eles têm direito. E isso foi uma coisa que também me surpreendeu muito.

 

 

O casting de modelos chamou atenção por ser bastante democrático, assim como é o algodão. A parceria da Casa com o Movimento deu match, deve durar?

Sim, deve durar muito. Para os estilistas foi algo espontâneo trabalhar com algodão, porque, de certa forma, eles já trabalhavam com a matéria-prima. E outros designers, que não participaram da Noite, também mostraram interesse em fazer parte do movimento. Temos ainda o concurso de estudantes e mil outros projetos para o futuro. É um casamento (risos).

 

Quais são os próximos passos?

Vamos colocar em prática todos os planos de crescimento da parceria, absorvendo cada vez mais marcas e estilistas e mostrando para o mercado que o algodão é um insumo 100% brasileiro e que pode virar um produto superbacana e desejável, sim.