As profissões de bordadeira e costureira, que têm seus dias comemorados, respectivamente, nos dias 23 e 25 de maio, são tão antigas que é difícil definir uma data exata para seus inícios. Ambas as atividades remontam à pré-história, quando se costuravam peles de animais com linhas feitas de fibra animal ou cordas. Não devia ser muito fácil.

Na moda que temos nos dias de hoje, muita coisa aconteceu. Surgiram agulhas plásticas e de metal, máquinas manuais e automáticas até chagarmos às grandes tecelagens, que, quando responsáveis por produções volumosas, praticamente dispensam o trabalho humano. Apesar disso, o método convencional, em que cada peça é construída individual e artesanalmente, permanece como uma atividade que garante o sustento de muitas famílias Brasil afora.

Até meados do século 20, além do relógio de parede, era raro uma casa de família não ter uma máquina de costura. Elas diminuíam o gasto com roupas, já que muitas mulheres confeccionavam o que os filhos usavam no dia a dia, e, inevitavelmente, era uma ajuda bem-vinda ao orçamento da casa.

Do mesmo modo, o bordado atendia a variadas demandas, como o que podemos chamar de “moda do utensílio doméstico”. Nos dias de hoje pode até parecer estranho ou vintage, mas era comum, e muito bacana, ver itens da casa “vestidos” com peças bordadas, entre elas filtro de barro, botijão de gás, porta talheres, jarras e por aí vai.

Maria José Oliveira, de 72 anos, costureira e bordadeira desde pequena, sabe bem disso. Ela mesma produziu muitas dessas “roupinhas de utensílios” para decorar a casa. “Comecei costurando com aquelas maquininhas de mão. Minha mãe, que era muito caridosa, me ensinou um pouco. Ela buscava restos de tecido e pedia para eu fazer roupas para as pessoas que precisavam”.

Aos 14 anos, ganhou do pai uma máquina Singer, aquelas com pedal de madeira. Inspirada por uma madrinha que era costureira “de mão cheia”, segundo conta, aprendeu a costurar de maneira mais profissional e a fazer bordados. “Eu fiz até vestido de noiva”.

Moradora de Araguaína, em Tocantins, Maria José, que é separada do marido, criou seus cinco filhos e comprou a casa em que vive costurando e bordando. Até hoje ela confecciona e vende calcinhas, sendo que as de criança são todas feitas de algodão. Com o dinheiro das vendas, sustenta um filho especial e a si própria. Embora esteja com um problema no joelho, abandonar a costura não é um plano. “Costuro até hoje porque gosto”, explica.

A exemplo dela, mulheres da ONG Orientavida, em Potim, que fica a 171 km da cidade de São Paulo – cujo trabalho ajuda moradoras da comunidade local e até detentas – também garantem o sustento de suas casas com costura e bordado.

Rosa Maria Chavier de Oliveira, que borda há 18 anos, começou a trabalhar com o ofício para ajudar seus familiares, mas com o tempo acabou se apegando à arte de “desenhar” com agulha e linha. Na casa dela, o bordado é a atividade principal do casal. Rosa conta que o marido aprendeu a bordar para ajudá-la na produção dos itens que se compromete a entregar para a ONG. “É muito gratificante”.

Também da ONG, duas costureiras se sentem igualmente honradas de sua profissão e agradecidas por terem, por meio delas, conquistado a renda que provém suas residências.

Samara Aparecida Gomes da Rosa, que costura há dez anos, iniciou a atividade para ajudar sua família. Hoje, o que era apenas um apoio financeiro, se transformou no ganha-pão da casa. Para ela, ter aprendido uma profissão como a de costureira é sinal de orgulho e uma forma de reconhecer em si própria o talento para um ofício que é uma arte.

Questionada sobre como se sente ao produzir coisas que as pessoas vão comprar para presentear ou usar, ela afirma que tem “orgulho de olhar a peça e saber que tem um toque de amor ali”.

Adriana Mota, assumiu a costura por necessidade financeira e por não ter com quem deixar o filho, caso saísse para trabalhar, mas, com o tempo, acabou se “apegando” ao ofício.  Há dez anos trabalhando em casa, ela diz que a costura sempre lhe ensina coisas novas, além de assegurar sua renda mensal.

“Costurar é aprender a cada dia uma coisa nova, e isso me deixa muito satisfeita. Hoje, a costura representa paciência, experiência, orgulho e muito amor pelo que faço”, diz.

Além de agulha e linha, segundo as entrevistadas, ambas as profissões se utilizam de mais um item em comum: o amor pelo que fazem.