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Sustentabilidade

Tudo começou em 1969, com uma fabrica de costura que fazia camisetas polo para diferentes marcas. O carro-chefe era a montagem de peças, e o negócio ia bem. Mas conforme o processo se solidificou, outras empresas foram nascendo com a ideia de se tornar uma cadeia vertical.

“O processo se iniciou só com costura, na Highstil, e dela foram nascendo as outras indústrias que hoje compõem o grupo, que conseguiu alinhar o trabalho desde a escolha da semente até a [peça pronta] prateleira”, conta Ariel Horovitz, diretor comercial da Norfil, fiação de algodão do grupo.

Da costura, o grupo passou a produzir o próprio tecido, depois começaram a tingir, isso na década de 70. Em 1989, nasce a Norfil. 

“A partir daí já começamos a ter a formação da cadeia: fiação do algodão, produção do tecido, tingimento e montagem das peças, tudo feito internamente”, diz Ariel.

Em 2003, eles se associaram a fornecedores de algodão e montaram uma nova unidade de negócio na parte agrícola. “Nesse momento, já enxergávamos a cadeia têxtil como um todo. Isso significa que essa produção agrícola não existe para fazer peso, ela existe para fazer o melhor algodão possível, porque nós mesmos vamos consumi-lo na Highstil.”

Com tanto cuidado para controlar todos os processos de produção, o resultado só poderia ser uma empresa verticalizada que possui um altíssimo nível de rastreabilidade e qualidade em tudo o que faz. Produzir o próprio algodão para as peças a serem confeccionadas implica em ter uma fibra de qualidade inquestionável, mas isso também é um trabalho que demanda testes e controle que nunca vão cessar.

“Somos uma empresa que se preocupa em como esse algodão que está na fazenda vai rodar dentro da fiação, por isso a busca incessante em torná-lo cada vez melhor. Para tanto, as sementes são minuciosamente escolhidas e há estudos dentro da fiação para identificar como o resultado de cada semente se comporta dentro da fiação”, explica Ariel. 

Sementes

E para entender como cada semente vai se comportar, só plantando, além de aguardar como será a reação delas de acordo com o clima, já que algumas dão mais quando há mais chuva, e, outras, com menos. O plantio sempre ocorre na mesma época, com variações muito pequenas. Por exemplo, na Bahia, onde as fazendas de algodão do grupo estão instaladas, a semeadura acontece em dezembro, e a colheita a partir da segunda quinzena de junho. 

A seleção de sementes, às vezes, é uma caixa de surpresas, então é preciso insistir nos testes para alcançar resultados cada vez mais satisfatórios, e não apenas em termos de produtividade, mas também de qualidade, que vai definir o rendimento na fiação.

A experiência do grupo, com sua visão de cadeia completa, mostra que a persistência em entender a funcionalidade das sementes ajuda, inclusive, na hora d plantio. Isso significa que, além das condições climáticas, é preciso testar a distribuição no solo.

“As sementes se comportam de maneiras diferentes, mas, na média, as colheitas são bastantes satisfatórias. Isso porque se chover mais que o esperado, uma parte da lavoura terá recebido sementes propícias justamente a esse volume maior de água. Assim como o contrário também ocorre. Ou seja, onde a chuva estiver ideal para determinada semente, vai ser fantástico, nos outros pontos, ocorrerá o esperado ou um pouco abaixo.”

Atualmente, nas duas fazendas do grupo, a produção chega a cerca de 20 mil toneladas de pluma de algodão por safra. 

Depois de cada colheita, quando já foram identificados os resultados das sementes plantadas, um relatório é encaminhado ao setor de compras de sementes, para que a aquisição das mesmas seja sempre melhorada a cada estação.

Toda a produção das cerca de 20 mil toneladas de pluma de algodão das fazendas na Bahia são voltadas para a Norfil, mas isso não supri a necessidade da empresa, então é necessário comprar de outros fornecedores, o que não muda o sistema de investigação da qualidade da fibra.

Para a Highstil, a Norfil oferece em torno de 5% de sua produção. Os outros 95% são vendidos para o resto do país. 

“Com a nota fiscal, é possível rastrear a semente, o fardo de pluma de algodão, o fio, o tecido, a peça pronta. Como a Norfil compra de outras fornecedores para suprir sua demanda, nós conseguimos saber, da mesma forma, de quais fazendas saiu o algodão que gerou x quantidade de fios.”


Sistema global

Quando empresas trabalham com marcas grandes, que são responsáveis e homologadas do BCI (Better Cotton Iniciative) – que atua para melhorar a produção mundial do algodão-, priorizando o consumo do algodão certificado, a nota fiscal que sai de uma fazenda e vai para Norfil é passível de rastreamento. Com a nota fiscal em mãos, a Norfil acessa um sistema global e lança informações da compra. A fazenda fornecedora automaticamente recebe um e-mail em que confirma ou não ter realizado a venda de tal fibra, o que comprovará a veracidade da transação e da certificação.

“O mesmo acontece conosco. A Norfil produz o fio e vende para grandes indústrias do mercado. Essas indústrias produzem e vendem peças já prontas para multimarcas. A nota fiscal vai atrelar todos os passos do processo, garantindo a certificação do algodão e do trabalho correto. Com isso, as marcas recebem esses créditos que foram se formando durante a cadeia produtiva e os mesmos são oferecidos aos consumidores como um produto mais sustentável e com uma rastreabilidade que garante essa situação.”

Ariel conta entusiasmado que a Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão) já está desenvolvendo essa rastreabilidade para que as empresas tenham isso em nível nacional também.

“Existe um movimento, cada vez mais rápido, de novas empresas quererem e fazerem parte do clube de boas práticas. Antes, quando falávamos em moda, eram cores e modelos. Hoje é sustentabilidade.”

 

Até a prateleira

Desde sua fundação, em 1969, a Highstil sempre buscou desenvolver e oferecer a seus consumidores peças de alta qualidade, o chamado produto premium. Durante todos esses anos, eles atenderam mais de 3.500 multimarcas em todo o Brasil. Atualmente, a confecção produz mais de 2 milhões de camisetas polo/ano.

Até que chegou a hora de fortalecer a marca própria em lojas próprias. Em 2013,  abrimos as primeiras lojas de varejo Highstil. Hoje são 14 lojas próprias (das quais quatro são outlets) e dez franquias espalhadas por dez estados do país, além de cerca de 3.000 multimarcas. Iniciamos a expansão para o varejo com uma loja, em menos de três anos chegamos à marca de 14”, explica Ron Horovitz, diretor da Highstil.

Com isso, a marca teve um crescimento expressivo. Ron diz que a visibilidade de vender moda masculina em lojas próprias da marca fortalece o produto, já que antes eles eram mais uma marca dentro de um determinado ponto de venda, e agora oferecem em suas lojas a mesma primazia no atendimento que dispensam em toda a cadeia de produção.

Fora isso, com o crescimento das lojas Highstil, cresceu também a oferta de produtos. Atualmente, a marca tem, além das camisetas polo, jeans, camisas, bermudas, sapataria, ternos, blazers.

“A cultura da empresa é ter o melhor produto do mercado. Dentro do mundo masculino, as duas peças que mais vendem são as polos e as camisas. Como nossa polo é a melhor do país, decidimos abrir mais uma planta para produzirmos camisas com a mesma excelência”, afirma Ron.

Devido ao fato de a Highstil ter a cadeia verticalizada e acompanhar o processo desde o início até o final, a marca consegue ter um preço mais acessível.  A gente consegue mostrar para o cliente que temos um produto 100% produzido no Brasil, e acho que hoje em dia as pessoas estão dando mais atenção a isso, porque, produzindo aqui, estamos dando oportunidade de emprego no país.”



Passo a passo

Todas as lojas Highstil possuem video wall ou “telão“ – série de monitores sobrepostos que formam uma grande tela e que pode apresentar imagens individualizadas ou uma única projeção – exibindo os processos de criação das peças, desde a plantação do algodão à disposição das mesmas nas prateleiras. Com isso, quem compra um produto da marca sabe exatamente como ele foi feito. É o jeito transparente da empresa mostrar ao consumidor de onde vem e como é feita a peça que ele está comprando e que vai levar no corpo.

“Nós temos retorno do nosso cliente, quando ele veste uma polo Highstil, o comentário é sempre o de que nunca vestira antes uma peça tão boa como aquela”, conta Ron.

Embora a Highstil exista desde 1969, criar uma marca que seja vendida em sua própria loja leva tempo. Atacado e varejo são dois modos de comércio bastante distintos. “Mas a cada mês nós conquistamos mais clientes, e eles voltam porque temos qualidade e preço.”

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Curiosidades


Aproveitamos as ofertas e chegamos em casa com todas aquelas peças que adoramos, ou, chegaram as festas e ganhamos roupas, todas elas cheias de etiquetas e o nosso primeiro impulso é: cortar, eliminar essas pecinhas que vivem nos incomodando, provocando coceira e nos irritando, não é mesmo? Quem tem criança, então, já ouviu muita reclamação e pedidos chorosos de “Tira, mamãe! Está cutucando!” Mas, antes de ceder a esse impulso, principalmente se a peça custou mais do que uma mera camiseta de liquidação, ouça o que ela diz, ou melhor, leia e interprete informações importantes, pois elas serão suas aliadas para sempre, se quer manter suas roupas bem cuidadas e longe do risco de manchas ou deterioração precoce.

Nós já sabemos que as características de suavidade e respirabilidade tornaram o algodão a fibra natural mais popular do mundo, mas será que somos capazes de dizer que a peça que compramos é feita 100% de algodão sem olharmos a etiqueta? Com tanta tecnologia surgindo por aí, e com tantos nomes que dão a novos tecidos, é bem provável que tenhamos comprado gato por lebre, em algum momento de nossa vida. Algodão de bambu, algodão ecológico, até algodão sintético já apareceu no mercado, mas somente saberemos se eles são de algodão, se a etiqueta informar que tem essa fibra.

O Código de Defesa do Consumidor (CDC), em seu artigo 31, determina que os produtos ou serviços devem ser comercializados apresentando “informações corretas, claras, precisas, ostensivas e em língua portuguesa sobre suas características, qualidades, composição, preço, garantia, prazos de validade e origem, entre outros dados”. Por sua vez, a Resolução N. 02 publicada pelo CONMETRO em 06/05/2008 regulamenta a forma como essas informações devem constar nos produtos têxteis e de vestuário.

No Brasil, por lei, as roupas precisam ter etiquetas com as informações de razão social e CNPJ do responsável pela peça; país de origem de fabricação, tamanho, composição têxtil e cuidados para conservação do produto. Essas informações são importantes para rastreabilidade, informação ao consumidor, dentre outras.

Em outros países essa norma é diferente, então, é comum ver marcas que comercializam produtos em diferentes países desenvolverem uma etiqueta padrão, com as informações obrigatórias no idioma de cada país onde o produto poderá ser comercializado. Isso facilita a armazenagem e logística, considerando que as peças do mesmo lote podem ser distribuídas para países diferentes. A desvantagem disso é que as etiquetas acabam ficando muito grandes, muitas vezes em múltiplas camadas, e o consumidor é obrigado a receber informações desnecessárias em idiomas que, muitas vezes, não vai entender.

Mesmo assim, é importante saber que tipo de informações traz a etiqueta da roupa. Da mesma forma como a bula do remédio, ou a tabela nutricional dos alimentos que compramos, temos nesse pequeno pedaço de material, de forma bastante resumida e de entendimento imediato, a história da sua peça de roupa e orientações para cuidar bem dela.

A Etiqueta Certa é uma empresa apoiadora do movimento Sou de Algodão, e ela orienta a indústria têxtil e de confecção como criar a etiqueta de acordo com as normas, e nos dá dicas de como cuidar bem das peças, sejam elas de algodão, ou não. Vamos lá?

 

  1. Origem: é obrigatório por lei que todas as peças venham com uma etiqueta informando o país de origem de fabricação. Produtos feitos no Brasil geram empregos e renda locais, pense nisto na sua próxima compra!

  1. Símbolo de passar a ferro: com um ponto dentro, significa que a roupa pode ser passada em temperatura baixa (máximo 110ºC). Já com dois pontos é com temperatura média (máximo 150ºC). E com três, a temperatura é alta (máximo 200ºC). Se tiver um X, a peça não pode ser passada a ferro. Lembre-se, ao passar a ferro com temperatura superior ao indicado, as fibras ressecam e se tornam ásperas e, pior, dependendo do tipo de fibra, o dano pode ser irreversível.

  1. Símbolo de secagem: com um ponto dentro, significa que pode ser à máquina de secagem; quando há dois é preciso usar a temperatura normal. Se tiver um X, não pode ser em máquina. Com um traço vertical, deve ser feita com a roupa pendurada. Se possuir DOIS traços verticais, deve ser pendurada, mas não se pode torcer. Com UM traço horizontal, deve ser feita em um plano e com DOIS, em um plano sem poder torcê-la. E, por fim, um traço diagonal na ponta superior esquerda – atribuído aos símbolos de secagem plana ou vertical – instrui que deve ser na sombra. 

  1. Símbolo de alvejante: o triângulo representa o uso de alvejante, se for BRANCO indica que pode usá-lo caso seja necessário. Os TRAÇOS DIAGONAIS permitem a utilização de branqueador com oxigênio, enquanto o X por cima proíbe a utilização de qualquer tipo de branqueador.

 

  1. Símbolo de lavagem:  chamado de tina, é acompanhado por um número que expressa a temperatura máxima da água em que a peça de roupa deve ser lavada sem sofrer danos. Quando NÃO possuir um traço embaixo, indica que a peça pode ser lavada à máquina no ciclo normal; com UM traço embaixo, deve ser em ciclo delicado; DOIS traços é para quando a lavagem é em ciclo delicado e a roupa não pode ser torcida. O símbolo de uma MÃO dentro instrui que a lavagem da peça deve ser apenas manual; e um X, identifica que a peça não deve ser lavada à máquina.

A etiqueta é o manual de instrução e uso da sua peça. Não importa o preço da sua roupa, cuidar bem é uma prova de amor, não só a você ou às suas finanças, mas também ao meio ambiente. Uma peça bem cuidada dura mais, e a melhor forma de fazê-lo é seguindo as instruções da etiqueta. E se a peça for ainda 100% algodão, quando você cansar dela, pode levar para reciclar. Isso mesmo! Quanto mais puro o tecido, ou seja, sem misturas de fibras, melhores são as chances de voltar para o ciclo de vida, transformando-se em novas peças.

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Empreendedorismo

A saúde feminina é um assunto delicado e sério, e então, vamos conhecer um pouco mais sobre este universo. Marcas de lingerie que trabalham com algodão são raras e, embora, por norma, 100% dos forros das calcinhas deva ser feita em malha de algodão, isso não é suficiente para afastar de vez qualquer possibilidade de irritações, alergias ou infecções. Por isso, na hora de escolher a sua peça de roupa íntima, considere nossas dicas, e tenha mais saúde.

A Dilady S.A. é uma empresa de moda íntima feminina que já tem 30 anos. Sua fábrica, localizada em Fortaleza, no Ceará, produz 700 mil peças por mês, divididas em três marcas de lingerie e uma de moda praia, que podem ser encontradas em todos os estados brasileiros e em países da América do Sul.

Da produção mensal, 300 mil peças são da Love Secret, marca de lingerie que usa fibras naturais, em especial o algodão. E por que algodão? De acordo com Denise Bello, gerente de produto da marca, por direcionamento estratégico. “Acreditamos que as fibras naturais sejam ideais para pecas íntimas devido ao conforto, respirabilidade e bem-estar proporcionados, além de reforçar uma responsabilidade ambiental que faz parte do DNA da marca.”

O algodão é uma fonte de matéria prima têxtil renovável que, no Brasil, é cultivado de forma responsável, respeitando e preservando os recursos naturais e a saúde do trabalhador, e é um dos commodities mais importantes do país. E esses valores estão alinhados com a filosofia da marca.

A linha de lingerie feita em algodão já existe há 15 anos, e a Dilady adaptou todo o maquinário da produção para trabalhar com o tecido, já que, segundo Denise, a malha é mais delicada para confecção em peças íntimas. O trabalho com o algodão é tão sério para a marca que ela destaca que as peças são todas costuradas, sem deixar rebarbas, linhas e quaisquer pontos de arremate expostos, que possam, eventualmente, provocar irritação à pele. O cuidado também está na escolha dos materiais de acabamento, que vão do elástico ao fecho, e às peças de ajuste das alças, tudo isso para garantir à consumidora um produto que, além de qualidade das matérias primas, ofereça conforto e segurança.

Embora a procura por roupas em algodão, nos diversos segmentos de vestuário, esteja ganhando cada vez mais mercado, sobretudo com a busca do consumidor por sustentabilidade, qualidade e origem, de acordo com a Abvtex (Associação Brasileira de Varejo Têxtil), Denise avalia que um trabalho eficaz de conscientização possa dar ainda mais ênfase à preferência pelo tecido. “Pensamos que essa base precisa ser melhor explorada e valorizada, para que a nobreza desse tecido possa gerar a atenção necessária das consumidoras. Os benefícios do algodão precisam ser mais relevantemente destacados, e, nesse sentido, acreditamos que o movimento Sou de Algodão [da Abrapa] poderá ajudar.”

Há outro modelo de conscientização que ocorre naturalmente na vida da mulher: a tradição, o que se aprende a cada geração e se passa adiante. A criança se torna adulta, que poderá ser mãe e, mais tarde, avó. Esse ciclo de renovação familiar acaba por levar entre gerações o uso do algodão como melhor tecido para a pele e para a saúde feminina.

É quase intuitiva a escolha. Além de ter uma oferta maior de peças em algodão no mercado para as pequenas, as questões de respirabilidade do tecido e o fato de ser hipoalergênico fazem toda diferença. Traz uma memória afetiva da infância, ao mesmo tempo que a opção por peças em algodão dá segurança à mamãe, por ter sido essa a escolha de sua mãe e de sua avó, e assim por diante. “A mãe escolhe algodão para a filha que desfraldou, e continua comprando algodão até que ela se torne menina-moça, e escolha suas próprias peças de lingerie. Ela sabe o que é melhor para a criança. A mulher usa algodão em dois momentos na vida: quando crianças e quando velhinhas, pois a pele é mais sensível, e o algodão não causa alergias”, explica Denise.

Durante o período da amamentação, também, há uma busca por peças em algodão, por serem respiráveis e proporcionarem conforto. As peças feitas com a fibra associada ao elastano garantem suporte ao seio que, nessa fase, está ainda mais sensível. É importante que o tecido evite o abafamento da pele, mantendo-a saudável, longe de dermatites provocadas pela proliferação de bactérias.

À medida que envelhecemos, a hidratação da pele passa a ficar comprometida, e as irritações aparecem. Nesse momento, voltamos a escolher o algodão, com a consciência tranquila de que não teremos irritações causadas pelo contato com o tecido.


Produto e mercado

A calcinha de algodão já teve fama de ser coisa para senhoras, talvez um argumento da concorrência para difundir sintéticos e outras fibras, mais baratos e com inovações em tecidos e rendas que se destacam no segmento de lingerie para seduzir. No entanto, com a evolução das tecnologias têxteis, a moda íntima em algodão igualmente se modernizou, fazendo frente a qualquer tipo de peça e ainda tendo a vantagem de ser ideal para a saúde e para a pele.

“Estamos vivendo um novo ciclo. Neste aspecto, a mulher ainda busca o conforto e a higiene no algodão. Essa fibra é muito ligada à memória antiga e está enraizada nas nossas crenças desde a infância até o consultório do médico, na fase adulta. Mas a evolução da moda e das fibras pede performance na apresentação das modelagens e dos tecidos. O algodão com elastano traz um produto mais nobre, estruturado, com melhor resultado nas lavagens do que em peças totalmente de algodão. Nesse sentido, a mulher quer o cotton moderno, em cores, sem mudar a essência do conforto e do antialérgico. Esta busca é muito clara na infância e quando envelhecemos, e priorizamos o conforto e a saúde, sem abrir mão da beleza. O momento da maternidade é uma fase onde o sentido do algodão aparece forte, pois os seios na amamentação são muito importantes. Fabricamos nossos bojos, que são coenizados em algodão, e os forros das calcinhas são 100% algodão antibacteriano. No mundo, temos a presença do algodão misturado com vários tipos de fibras (viscose, lã, seda…), acompanhando a evolução dos tempos, sem abrir mão da presença importante desta fibra.

Nós, da Love Secret, entendemos e acreditamos que de 100% do guarda-roupa íntimo de toda mulher, pelo menos 30% têm que ter peças confortáveis com fibra de algodão, acompanhando os momentos que sua pele precisa.

Por isso, hoje temos uma marca voltada especialmente para as fibras e malhas naturais ou mesclas, possibilitando a experiência e acompanhando esta crença fortemente enraizada no mundo.”


Responsabilidade social

O Grupo Dilady é certificado pela Abvtex, o que lhes garante muita importância quando o assunto é responsabilidade social, como uso de mão de obra com práticas justas e favoráveis ao bem-estar dos trabalhadores, e ações que estejam sempre dentro do que pede a legislação. Denise explica que essa responsabilidade social é algo que está associado à filosofia de trabalho da empresa. “Estamos há quase 30 anos no mercado, sempre atuando dentro das normas e exigências legais. A segurança de que a empresa atua com seriedade e preza pelo melhor ambiente de trabalho mostra que as pessoas ainda são o maior valor de uma empresa.”

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Moda, Uncategorized

Quem acompanha as notícias já viu muitos escândalos envolvendo grandes marcas de confecção e varejo, que viralizam nas redes sociais, condenando o uso de mão de obra irregular na produção de suas peças. E o consumidor, cada vez mais informado e consciente, cria verdadeiras campanhas contra o uso de peças dessas marcas, levando milhares de pessoas a refletir sobre o comportamento de compra e a adotar critérios mais justos na hora de escolher uma marca a se associar, afinal, você é o que você veste, e adquirir peças de uma marca que tenha uma conduta incorreta o torna conivente com práticas que deveriam ter sido banidas da indústria há muitas décadas.

A Abvtex (Associação Brasileira do Varejo Têxtil) foi criada em 1999 com o intuito de manter um canal aberto e transparente com o mercado e com o governo, em prol dos interesses do varejo de moda. A entidade nasce com valores muito fortes com relação ao cumprimento da legislação, à formalização, à ética nos negócios, à não sonegação de impostos e à concorrência leal entre as partes envolvidas nessa cadeia de valor.

Atualmente, a entidade possui 22 grupos associados, entre os mais representativos do setor de moda do país, que fazem a gestão de 60 marcas muito conhecidas do consumidor brasileiro. São empresas majoritariamente sediadas em São Paulo, mas o programa Abvtex tem caráter nacional e soma números expressivos. São 4.000 empresas certificadas, presentes em 643 municípios de 18 estados. Isso representa um montante de mais de 318 mil trabalhadores diretos e 24.775 auditorias realizadas em todas essas empresas.

“É um trabalho muito extenso, mas queremos aumentar a abrangência em nível nacional. Nós ainda temos um percentual bastante grande de informalidade no setor que precisa ser combatido por meio de boas práticas, formalização e da responsabilidade social ao longo da cadeia produtiva”, explica Edmundo Lima, diretor-executivo da Abvtex.

Para ser um associado da Abvtex é fundamental que a empresa seja do varejo de moda, ou seja, aquela que comercializa vestuário, calçados, acessórios e artigos de cama, mesa e banho. É necessário também que a empresa seja atuante, promova a formalização, a responsabilidade social e o desenvolvimento na cadeia de fornecimento.

 

Certificação 

“A certificação nasceu como uma forma de nós garantirmos a responsabilidade social ao longo da cadeia produtiva, eliminando qualquer tipo de informalidade e de precarização do trabalho. Desde o início desse programa, criado em 2010, ele é realizado por meio de auditorias físicas nas fábricas dos fornecedores das grandes redes”, afirma Lima.

Todos os varejistas que participam do programa Abvtex assumiram o compromisso de não adquirir mercadorias de fornecedores que não sejam certificados, garantindo o respeito aos critérios de formalização, como condições de saúde e segurança do trabalhador, garantia de seus direitos, estrutura física da empresa, e todo um conjunto de parâmetros e requisitos relacionados à formalização e legislação trabalhistas.

Como associadas da Abvtex, as empresas têm vários benefícios, como estabelecer um relacionamento com outros varejistas para a troca de boas práticas. “Esse relacionamento é super importante para unir o setor, alinhar problemas. Além disso, a entidade tem uma série de ações em prol do setor e, portanto, é imprescindível a participação do varejistas. Por exemplo, nós temos um fórum que discute questões de comércio internacional, como importação e exportação; outro que analisa qualidade do produto e sustentabilidade. E quanto mais as empresas participam, mais essa indústria se desenvolve.”

A Abvtex também realiza uma série de ações institucionais junto ao governo e ao Congresso Nacional na defesa dos interesses dos associados.

Para as empresas, de uma forma geral, é importante a questão da responsabilidade social. No setor têxtil ela adquire uma magnitude muito maior em função do contexto da cadeia produtiva, que é muito ampla, e abrange empresas de vários tamanhos. “Então, essa responsabilidade garante a formalização e as boas práticas no ambiente de trabalho. Majoritariamente, as empresas que produzem vestuário no Brasil são micro e pequenas empresas, que empregam uma grande quantidade de mão de obra, portanto, a responsabilidade social combate a precarização do trabalho ao longo da cadeia produtiva.”

 

Combate ao trabalho escravo e à informalidade 

Na luta para combater o trabalho escravo ou análogo a ele, a Abvtex também busca associar-se a outras entidades, como o InPacto (Instituto Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo); a Comtrae (Comissão Municipal para Erradicação do Trabalho Escravo); a Coetrae (Comissão Estadual para Erradicação do Trabalho Escravo); e a Conatrae (Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo). Juntos, discutem a questão do trabalho escravo e análogo a ele, e reúnem organismos de governo, além de entidades da sociedade civil.

“Além disso, temos o programa Abvtex que faz ações nesse sentido. Desde agosto de 2017, ampliamos o serviço para certificação e auditoria para qualquer empresa que produza vestuário, calçados, artigos de cama, mesa e banho, além de acessórios.”

Um terço de todo o vestuário comercializado no Brasil é feito de maneira informal, isso dentro de um universo de quase R$ 200 bilhões, segundo a Abvtex. “Assim, a produção desses artigos tem algum grau de informalidade, senão em sua totalidade utilizando mão de obra análoga escrava, oferecendo condições degradantes de trabalho, sem direitos garantidos, registro em carteira de trabalho etc. Portanto, esse é um ponto nosso de atenção”, diz Lima.

O programa de certificação da Abvtex acaba sendo um indutor de formalização e de boas condições de trabalho, o que diminui a informalidade no setor. Outro ponto preocupante da entidade é a pirataria. Lima explica que a Abvtex participa, por exemplo, do Cecop (Conselho Estadual de Combate à Pirataria) de Santa Catarina, a fim de discutir essa questão e elaborar formas de bani-la.

 

Sou de Algodão 

Para a Abvtex, o movimento Sou de Algodão, da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), que fomenta o uso dessa fibra natural na moda, é uma campanha extremamente importante porque, além de promover o uso do algodão, valoriza um commodity importante para o país e a indústria brasileira.

“Definitivamente, nós temos um consumidor que está muito preocupado com a origem dos produtos, com questões de sustentabilidade, e, assim sendo, o movimento Sou de Algodão vem justamente nesta direção, incentivando uma produção responsável e com origem conhecida.”

O diretor-executivo ressalta ser notório que o consumidor vem mudando seus hábitos, demonstrando preocupação com a sustentabilidade, seja na matéria-prima, seja no processo de produção. “E até na quantidade de consumo. É importante que toda a cadeia de algodão também se dê conta dessa mudança de comportamento para que possa se adaptar a essas questões.”

Para ele, a internet e as redes sociais têm papel fundamental na conscientização das pessoas, sobretudo dos mais jovens, que participam de grupos e fóruns, e percebem que uma mudança no pensamento de consumo, pela sustentabilidade, é algo irreversível.

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Algodão e Sustentabilidade

Você já se perguntou quem fabrica os fios que formam os tecidos que vestimos? Antes de virar uma peça de roupa, o algodão passa por vários processos. O primeiro deles, após a colheita, é o beneficiamento, a separação da pluma e do caroço. A partir daí, entra na cadeia têxtil, e o primeiro elo de transformação é a fiação. Dela, parte para a tecelagem, que fabrica o tecido plano da camisa, do jeans ou do lençol, ou para a malharia, que produz a malha macia camiseta que adoramos. Depois, segue para a tinturaria ou estamparia, para a confecção e chega à prateleira nas diversas formas que conhecemos: da toalha de banho ao vestido leve do verão, à roupinha do bebê, à cortina da sala, ao jeans essencial do nosso guarda-roupa, e até ao tênis que nos dá a liberdade do look casual do fim de semana.

A empresa de fiação Norfil nasceu em 1989, com a união de duas famílias em João Pessoa, na Paraíba. O que começou apenas como um projeto de fabricar fios, transformou-se num império de produção limpa e sustentável, em um trabalho que acrescentou, ao sonho, o cultivo do algodão.

No início, a empresa comprava algodão e o transformava em fio, mas o crescimento inevitável, aliado a uma época novamente propícia à plantação de algodão no Brasil – muito pelo trabalho feito pela Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão) -, em 2004, a Norfil expandiu sua atuação e passou ao cultivo da fibra em duas fazendas no oeste da Bahia, no município de São Desidério. Lá, 100% do cultivo é direcionado para o centro de fiação em João Pessoa, que emprega 750 funcionários e exibe números de crescer os olhos. Atualmente, a produção chega a 2.500 toneladas de fio por mês, frente às 300 toneladas produzidas lá atrás, em 1989.

“A produção das duas fazendas atende entre 50% a 60% de nossa necessidade no parque fabril, o restante compramos de outros fornecedores”, explica Ariel Horovitz, diretor comercial da Norfil.

No Brasil, a Norfil foi a indústria pioneira em obter o licenciamento BCI (Better Cotton Initiative), uma organização suíça sem fins lucrativos que promove a produção de algodão sustentável em todo o mundo. Com isso, durante três anos, eles foram os únicos representantes da indústria nacional associados à BCI. No Brasil, o programa ABR, da Abrapa (Algodão Brasileiro Responsável) atua em benchmarking com a BCI, para garantir que a produção brasileira de algodão seja feita respeitando os três pilares de sustentabilidade: social, ambiental e econômico. Além disso, têm certificação da OEKO-TEX®, que oferece ao usuário total garantia de não contaminação por produtos químicos nocivos à saúde, por meio do fio de algodão.

Segundo Horovitz, a Norfil sempre foi uma referência em fiação sustentável desde sua fundação, pois isso era um dos pilares da empresa e um foco do trabalho. “A sustentabilidade é um mundo em que você vai adentrando e vendo o quanto é possível fazer mais, melhor e sem perder rentabilidade nenhuma. Esse olhar mais aprofundado foi despertado com a nossa entrada na BCI, cerca de quatro anos atrás, embora as práticas da empresa já contemplassem a sustentabilidade e o bem-estar dos trabalhadores.”

É mais ou menos assim: a Norfil já empregava técnicas de trabalho e práticas nas quais acreditava serem as mais corretas e benéficas, mas desconhecia que elas eram justamente os métodos sustentáveis tão importantes para as certificações internacionais, e que agregam valor e responsabilidade.

Sustentabilidade do início ao fim 

A Norfil tem um modelo de ciclos de vida dos subprodutos muito interessante, reaproveitando ou comercializando tudo que não vira produto, durante o processo de fiação. Tudo tem um destino. Por exemplo, os resíduos de fios nobres de algodão se transformam em outros menos nobres, e aqueles que não conseguem ser aproveitados na fabricação de um novo fio, servem para ração animal. Outro caminho é a indústria farmacêutica, que trata esse material, para deixá-lo extremamente limpo e branco, e o transforma no algodão vendido em farmácias, aqueles para limpeza de pele ou encontrados nas hastes flexíveis. Quem diria, não é mesmo? O produto que conhecemos como algodão é, na realidade, um dos subprodutos do próprio algodão, no processo de beneficiamento e fabricação de produtos!

Mas não para por aí. Quando os fardos de algodão chegam das fazendas, são prensados e amarrados com arames, para que fiquem num tamanho viável ao transporte. Esse arame, depois de cortado, é vendido para a construção civil.  As caixas de papelão igualmente são vendidas para empresas de reciclagem.  Ou seja, o ciclo contempla diferentes formas de utilização e reciclagem. “Nada se perde. É uma indústria extremamente limpa”, afirma Ariel.

Quando falamos sobre sustentabilidade, isso inclui também pessoas, condições e ambiente de trabalho, refeitório, alimentação, área de descanso e benefícios. O objetivo é alcançar as condições ideais em todas as áreas, pois uma força de trabalho mais comprometida e satisfeita com a empresa  gera resultados e eficiências melhores.

“Hoje nós enxergamos que esses pontos, tanto nas práticas industriais, como na qualidade de vida do trabalhador, são diferenciais da Norfil frente à concorrência.”

 

Um algodão melhor para todos 

A Norfil acredita na sustentabilidade e busca estimular as empresas nacionais a usarem o algodão cultivado de forma responsável. Como? Além de qualidade, oferecendo um produto certificado, e pelo mesmo preço de antes, quando eles ainda não tinham toda essa excelência em sustentabilidade. No mercado, a indústria busca o menor preço. Pensando nisso, o desafio da empresa é sempre criar um produto que chegue à prateleira com o menor impacto de custo por ter sido produzido de forma sustentável. “Nem sempre custa mais caro. Há possibilidade de fazer melhor, com custos iguais, ou até melhores. É preciso pensar na conta global, em que você paga um pouco a mais hoje para pagar menos lá na frente.”

Para a marca, o movimento Sou de Algodão, da Abrapa, é muito importante, até porque a Norfil é uma das poucas fiações 100% algodão, não mistura nenhum outro tipo de fibra em seu processo. Portanto, ela torce para que o movimento cresça, consiga influenciar o mercado e gerar um consumo maior de algodão para a cadeia têxtil. “Porque é um produto nobre, agradável ao corpo. Acho que vai crescer e vai dar certo.”, afirma Horovitz.

 Além do parque fabril e das fazendas produtoras de algodão 100% sustentável, o grupo que engloba essas atividades ainda possui uma marca de moda masculina que produz peças feitas totalmente em algodão. A Highstil possui 23 lojas espalhadas por vários estados do país e oferece um produto de altíssima qualidade, que prioriza conforto e elegância desenhados para tecidos feitos com esta fibra.

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Algodão e Sustentabilidade

O conceito Renner de oferecer moda responsável 

Responsabilidade social, ecoeficiência e retorno financeiro. Pilares em que grandes empresas, preocupadas com sustentabilidade, apostam para crescer em conjunto com seus parceiros, fornecedores e colaboradores, além de oferecer um produto responsável para os consumidores.

Esse é o modelo de trabalho da Lojas Renner S.A., maior varejista de moda do Brasil, que ganhou nos últimos dois anos o prêmio de empresa mais sustentável do setor de varejo, promovido pela revista Exame. Nascido em 1965, o grupo foi a primeira corporação brasileira com 100% das ações negociadas em bolsa, e está listado no Novo Mercado, grau mais elevado dentre os níveis diferenciados de governança corporativa da B3 (Brasil, Bolsa, Balcão). 

Atualmente, o grupo possui 510 lojas espalhadas por todos os estados do país, sendo 328 Renner (326 no Brasil e 2 no Uruguai), 98 Camicado, do segmento cama, mesa e banho, e 84 Youcom, especializada em moda jovem.

Lojas Renner S.A. não possui fábrica própria. Até o final de 2016, trabalhava com 460 fornecedores de revenda nacionais e internacionais ativos, que fabricam os produtos vendidos nas lojas. 


Sustentabilidade

 De acordo com Vinicios Malfatti, gerente sênior de Sustentabilidade da Lojas Renner, o exercício que a empresa fez internamente, em termos de sustentabilidade, foi criar um conceito de moda responsável, que se destrinçam dentro de 4 pilares: fornecedores responsáveis, gestão ecoeficiente, engajamento de colaboradores, comunidades e clientes  e produtos e serviços sustentáveis. Para eles, não adianta apenas estar dentro das conformidades sociais e ambientais, se não garantirem o desenvolvimento do fornecedor.

“Quando nós olhamos nosso histórico, vemos fornecedores que começaram com a Renner 20, 30 anos atrás, e hoje são nossos maiores fornecedores. Temos um conceito de trabalhar, que é o ‘crescemos juntos’”, explica Malfatti.

A fim de fortalecer o trabalho no país, atualmente, cerca de 70% da produção da Renner é feita no Brasil, e os outros 30% no exterior.

O pilar de ecoeficiência do grupo abrange muitos cuidados em prol do ambiente, que inclui redução do consumo de energia e água e redução de emissões de GEEs (Gases de Efeito Estufa). Tudo isso tanto do ponto de vista interno como dos fornecedores. Há ainda um cuidado extremo com os resíduos. Segundo Malfatti, 98% dos resíduos gerados são reciclados, ou seja, são levados de volta para a operação da empresa e reutilizados. Outro ponto de preocupação e responsabilidade é a toxicidade, a fim de manter o grau aceitável nos produtos.

 

Conservação de energia

 “Temos uma preocupação bastante grande com nossas construções e reformas de lojas, pois estamos crescendo muito. Nós certificamos três lojas dentro do conceito Leed (Leadership in Energy and Environmental Design), de construções sustentáveis, para reduzir impactos dos pontos de vista de água, energia e deslocamento de matérias-primas, pontua Malfatti.

Na questão de energia, todas as lojas Renner são iluminadas com lâmpadas de LED (que consomem menos energia do que as convencionais incandescentes ou fluorescentes). A tinta usada nas novas lojas é sempre à base de água, processo que, aos poucos, vai entrando nas novas construções. A madeira utilizada é certificada. Ou seja, é uma série de boas práticas eles estão levando para dentro de seus objetivos de boas práticas.

Em 2016, a Renner conseguiu uma redução de 10% nas emissões de CO2, além de uma diminuição considerável no consumo de Quilowatt-hora consumidos pelas operações de eficiência. Nessa linha, eles ainda desenvolveram um laboratório de matérias-primas com o objetivo de diminuir os impactos.

 O trabalho de engajamento da Renner visa a criar agentes de transformação. Isso inclui colaboradores, clientes e o Instituto Lojas Renner, que está, entre outras coisas, focado no empoderamento da mulher na cadeia têxtil, com uma série de projetos realizados para recrutar comunidades.

O projeto Mais Eu é a forma utilizada por eles para financiar o Instituto Lojas Renner. Assim, 5% das vendas líquidas dos quatro dias após o Dia dos Pais são destinadas ao instituto anualmente.

 Eles ainda mantêm parcerias com a ONU-Mulheres, da ONU (Organização das Nações unidas), a OIT (Organização Internacional do Trabalho) e ONGs (organizações não-governamentais) locais que ajudam no empoderamento de mulheres. Um deles é a captação e treinamento de refugiadas, dando uma oportunidade real de recomeço. O Instituto Lojas Renner oferece dois cursos: escola de costura e atendimento no varejo. Entre 2016 e 2017, 120 mulheres refugiadas foram capacitadas nessas duas áreas.

“Após serem selecionadas, elas recebem capacitação. Algumas são aproveitadas dentro das lojas Renner, outras prestam serviços a fornecedores e outras acabam empreendendo.” As participantes recebem formação tanto para costurar como para se tornarem novas empreendedoras. O instituto ainda mantém convênios e parcerias com universidades, sempre visando a qualificação das mulheres com um olhar mais sustentável dentro do mundo da moda.


Produto responsável

O conceito da Lojas Renner para produtos é o de que eles ofereçam o mínimo de impacto, e isso se mostra por meio de certificações. A empresa trabalha com vários tipos de tecido, mas quando o assunto é algodão, o esforço máximo é para que a fibra tenha um caráter responsável, que seja certificada, para que garanta sua procedência.

“Nós temos certificação BCI (Better Cotton Initiative), que prega a produção de um algodão melhor para o trabalhador, ao meio ambiente e para o futuro do setor, e da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), que igualmente fomenta a produção e o uso da fibra sustentável. Em 2017, teremos 5% do nosso algodão certificado, subindo para 15% em 2018, aumentando gradualmente esse percentual nos próximos anos.”

É um trabalho sério e um esforço contínuo no cumprimento das boas práticas, para oferecer ao consumidor produtos e pontos de venda sustentáveis, reavaliando o passado, e mudando o presente para oferecer um futuro cada vez melhor!

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Algodão e Sustentabilidade

Quem tem criança em casa já deve ter passado por esta situação: está calor, e a pele do bebê se enche de manchinhas, esfriou, e lá vêm as coceiras. E parece não ter solução. Você passa um talco, uma loção, e a coisa só piora. Por que será? Aqui temos algumas pistas. E se os sintomas persistirem, procure um especialista.

Quando falamos em roupas infantis, mais do que moda e estilo, é importante pensar na qualidade de vida dos pequenos, ou seja, no conforto que elas proporcionam. E a escolha do tipo de tecido faz toda a diferença. Mas, será que existe algum tipo de tecido que ajuda a manter a pele das crianças saudável e longe de alergias? A resposta é: sim, o algodão!

A opinião do médico

A doutora Mariane Cordeiro Alves Franco é presidente do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria, e depõe a favor do algodão. Ela diz que “é uma fibra natural, portanto mais difícil de causar alergias, principalmente nas crianças pequenas, que ainda não têm a imunidade bem estabelecida. Nessa idade, elas são mais suscetíveis aos processos alérgicos e, se as colocarmos em contato com tecidos que não sejam naturais, desde muito cedo, estimulamos o desencadeamento desses processos.”

“Quanto menor a criança, mais sensível é a sua pele. O recém-nascido, por exemplo, não tem uma adaptação térmica adequada. Com o uso de roupas em algodão, a briga entre a pele e o ambiente não ocorre, pois esse tecido diminui os ataques que o ambiente pode causar”, completa a médica. Os tecidos de algodão são permeáveis, garantindo a troca de ar entre o corpo e o ambiente, permitindo que a pele respire naturalmente, não abafando, e absorvendo a transpiração, mantendo-a enxuta e longe de bactérias que possam causar irritações.

Ser natural não é a única vantagem do algodão. Tecidos feitos com a fibra podem ser encontrados em diversas configurações, desde malha, veludo, moletom, moletinho, até jeans. Eles trazem, entre outras características, a maciez, suavidade e, principalmente, a respirabilidade, a capacidade que o tecido tem de trocar o ar externo com o interno, mantendo a temperatura, absorvendo a umidade e permitindo a pele respirar.

Entre os processos alérgicos mais comuns a crianças, a dermatite atópica (uma alergia que atinge a parte mais superficial da pele desencadeada por rejeição a produtos e tecidos), é a que mais acomete os pequenos, e é causada, não apenas por inadaptação da pele aos tecidos em contato, mas também por produtos de higiene infantil que usamos. Dessa forma, a médica explica que, para evitarmos processos alérgicos nas crianças, além do uso de roupinhas feitas em algodão, é importante levarmos em conta alguns cuidados, como usar no banho sabonete neutro (sem cheiro e corantes), creme para assadura adequado e também sabão neutro para a lavagem das roupas. E se a pele do bebê for muito sensível, evitar o uso de perfumes, talcos, xampus, lavandas, sabão em pó e amaciante também manterá esse pesadelo distante da rotina da família.

“Quando vemos uma criança toda pintadinha, com aquelas manchas brancas no corpo, a gente já sabe que ela é muito cheirosa, que a mãe está exagerando no cheiro. Aí, já mandamos suspender tudo. A pele é o retrato do que esses produtos causam à criança, assim como a escolha das roupas”, alerta a doutora Mariane.

 

A opinião de quem faz roupas

Pensando na qualidade de vida e também em roupas que se adaptem à moda, a Cia. Hering produz a maior parte de suas peças em 100% algodão, o que inclui duas marcas de linhas infantis, a Hering Kids e a PUC.

Segundo Edson Amaro, diretor de Marcas da Hering, existe a preocupação em fabricar roupas em algodão para proporcionar mais conforto, maciez e respiro para a pele das crianças. “Dentro das nossas coleções, dividimos os produtos em tecido plano, jeans e malha. Sem dúvida, o principal atributo da malha de algodão é o conforto, que nos deixa criar peças que vão aderir bem ao corpo e garantir os movimentos da criança”.

E o resultado desse cuidado pode ser visto no aumento da busca por roupas infantis feitas em algodão. Amaro explica que isto ocorre devido a uma macrotendência mundial, das pessoas e crianças serem 100% livres, até mesmo no momento de escolher uma peça de roupa.

“Quando criamos os nossos produtos pensamos sempre no bem-estar da criança. Por isso, todos os nossos acabamentos respeitam as normas de ‘vestibilidade’ e estamos constantemente em busca de novas tecnologias, modelos e possibilidades”, acrescenta.

Com 137 anos de existência, a Cia. Hering possui fábrica própria, com 7 mil colaboradores que atuam em sua matriz na cidade de Blumenau, Santa Catarina. Apesar de ser longeva e com credibilidade, continua apostando em novas tecnologias para suas produções. Amaro conta que a empresa utiliza a tecnologia de malharia circular para produção de sua matéria-prima, a partir de fios de algodão e suas misturas.

“Trabalhamos com tecnologias de ponta nos setores de beneficiamento, malharia, estamparia etc., de modo que os processos sejam os mais automatizados possíveis, garantindo qualidade e segurança na operação”.

Eles também se preocupam com as cores, ou seja, o tingimento do algodão. “Todos os produtos químicos utilizados em nossos processos são avaliados e suas FISPQs (Ficha de Informação de Segurança de Produto Químico) precisam estar conforme a NBR 14725:2012 (regras e diretrizes que regulam atividades e trabalhos visando qualidade e proteção).

Outra marca que aposta no algodão para crianças é a Piu-Piu. Com sede na cidade de São Paulo, a empresa de 40 anos produz 40 mil peças por mês com a ajuda de 40 funcionários e 150 colaboradores.

A atual coleção de verão teve 100% de suas peças feitas em algodão. O proprietário, Benjamin Sarué, explica que há grande preocupação com o conforto na hora de elaborar as roupas. “É tomado cuidado especial na escolha do tipo de fio de algodão, bem como no acabamento da tinturaria. Trabalhamos com fio 40/1 penteado para proporcionar maior conforto para o bebê”.

A empresa, que sempre trabalhou com algodão, também se preocupa em se atualizar e procurar novas tecnologias para manter altos níveis de qualidade na produção de suas peças infantis. “A cada ano, observamos o desenvolvimento de novas máquinas de fabricação de malha e processos novos de tinturaria”, explica Sarué. Tudo em prol da liberdade e da qualidade quando o assunto é roupa para a criançada.

Criança é alegria, liberdade e diversão. Criança com estilo é criança com saúde. Pense nisso na escolha da roupinha que vai vestir o seu bebê na próxima compra, para ela ficar linda e saudável!



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Algodão e Sustentabilidade

Em um mundo digital onde milhares de influencers buscam seguidores, espaço e atenção do público, o desafio é grande para se sobressair, e dificilmente encontramos aqueles que têm uma história escrita desde pequenos, que ganha novos significados, principalmente num universo tão mutante como o da moda.

Vanessa Horita é uma dessas raridades. Baiana, é casada e tem uma filhinha de três anos. Vive em Barreiras, município mais populoso do extremo oeste baiano, com 180 mil habitantes, e desde muito cedo, aprendeu a conviver com lavouras de algodão, cultivadas pelo pai e os tios. A fibra branca e natural faz parte de sua vida, e é dela que tira a inspiração para a outra atividade a qual se dedica: a moda.

A empresária e digital influencer aprendeu com o pai todos os passos do cultivo do algodão, mas, curiosa, queria mais. Foi então que decidiu estudar o assunto nos Estados Unidos, e se inscreveu no International Cotton Institute, em Memphis, Tennessee. (http://bf.memphis.edu/cotton/). Depois do curso, ficou mais oito meses nos Estados Unidos fazendo estágio em diferentes tradings para aperfeiçoar o aprendizado, sempre com o apoio e incentivo do pai.

De volta ao Brasil, foi para Brasília, onde se formou em administração de empresas, curso escolhido a dedo por considerá-lo útil para qualquer área em que decidisse atuar. E deu certo. Embora Vanessa não atue diretamente com a produção de algodão nas lavouras do pai, domina o assunto, e o aprendizado sobre a fibra lhe deu respaldo para atuar no setor da moda. Acabou por se transformar em uma referência digital sobre tendências, estilo, maquiagem e tudo voltado ao cuidado com a imagem.

Atualmente, Vanessa é uma empresária de sucesso, presta consultoria para várias marcas, lojas e até a pessoas de Barreiras que buscam melhorar sua imagem. Ela também registra suas dicas em redes sociais, onde seus seguidores não param de crescer, e ainda tem um canal no Youtube. E é justamente em um vídeo que ela mostra todo seu amor pelo algodão. Filmado na fazenda da família, Vanessa exibe o plantio, a colheita, a seleção e o alto nível de qualidade que se deve alcançar no processo. 

 

Uma aventura que deu certo

A aventura de Vanessa como consultora de moda começou de maneira informal, quando parentes e amigos perguntavam a opinião dela sobre a combinação de cores e peças para usar no dia a dia. “Em 2011, quando voltei para Barreiras, eu já tinha meus achados e queria compartilhar. Foi quando montei um blog. Meus parentes estavam sempre perguntando o que eu achava de tal modelo ou estilo. Eu sempre ajudei com o que sabia.”

Do blog, que durou dois anos, Vanessa partiu forte para as redes sociais. E foi aí que descobriu como as pessoas gostavam das dicas que dava. O número de seguidores foi crescendo à medida em que postava. Virou referência na cidade e acabou se transformando não apenas em uma empresária de sucesso, prestando consultoria, como em uma grande referência para os que acompanham suas redes.

“Hoje eu sobrevivo 100% da moda. Faço o que gosto e estou feliz”, conta.

Em sintonia com o movimento

Com formação no setor do algodão, além da escola particular que teve em casa, Vanessa entrou de cabeça no movimento Sou de Algodão, da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), quando viu que os objetivos eram os mesmos nos quais ela acredita, fomentar o uso da fibra na moda de forma sustentável. “Quando eu entendi a ideia, logo quis me inserir no movimento para participar de perto. Fiz fotos na fazenda de meu pai, no meio da plantação, usando a camiseta do Sou de Algodão. As imagens viralizaram e quis participar mais e mais. Acabei rodando um filme.”

Ela conta que queria entrar no movimento, não por ser filha de um produtor, mas por seus próprios méritos, como alguém que acredita nos benefícios do uso do tecido na moda. “Eu acredito tanto no movimento, que meu objetivo é ser embaixadora do Sou de Algodão no Brasil e, futuramente, representá-lo internacionalmente.”

Vanessa explica que o algodão não é uma coisa barata, mais do que fomentar o seu uso pode, sim, baixar seu preço, além de oferecer mais qualidade nas peças por meio da fibra natural. “Há uns dois anos, se uma pessoa estivesse numa fast fashion, certamente compraria uma peça com tecido sintético. Hoje, na mesma situação, eu acho que essa mesma pessoa apostaria numa roupa que duraria mais tempo, um produto de algodão. Eu vejo que o fast fashion e o slow fashion estão se encontrando.”

As facetas de Vanessa

Além de prestar consultoria de imagem, Vanessa também investiu em duas linhas que levam seu nome, uma de óculos de sol e, outra, de esmaltes. Ambas oferecidas apenas na cidade de Barreiras, como teste. Os itens se esgotaram rapidamente quando foram lançados. Agora, a empresária já prepara duas novas linhas dos produtos e, assim como em suas redes sociais, pretende alcançar outros mercados no território nacional.

Pessoalmente, admira duas marcas italianas: Gucci, por ousar na mistura de estampas com monocromático, e Miu Miu, de Miuccia Prada, por ser delicada e arrojada. Além da grife Carolina Herrera, por seu caimento, qualidade e preço.

Das marcas nacionais, presta atenção em uma colega que também é digital influencer, a blogueira Nati Vozza, cuja grife NV usa tecidos leves, linho, algodão, renda. Outro é um conterrâneo baiano, Vitorino Campos, muito conhecido por sua costura criativa e arrojada.

Vanessa aposta em Minas Gerais como local de descobertas. “Vá para Belo Horizonte e veja tudo o que eles oferecem. São muitas lojas boas, muita coisa diferente. Vale conhecer”, aconselha.

Para não errar na hora de se vestir, a dica de stylist é investir sempre na terceira peça, um casaco, por exemplo. “Resolve quase sempre”. Outra indicação são os cílios, “eles sempre salvam. Pode estar com olheira, seja o que for, colocar os cílios resolve”.

Ela tem muito mais a dizer e a ensinar, quer saber mais? Siga @vanessahorita.

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Algodão e Sustentabilidade

Tornar a moda sustentável não é uma tarefa fácil, mas há iniciativas que, ainda em pequena escala, vêm fazendo a diferença na moda brasileira, usando criatividade e pesquisa para tingimento e estamparia de tecidos ambientalmente corretos. De quebra, beneficia comunidades de pequenos produtores e até cadeias que não têm conexão com a moda, através do aproveitamento de resíduos para a extração de pigmentos para coloração de tecidos. Conheça três iniciativas superinteressantes em estamparia sustentável.

Etno-Botânica: uma mudança de consciência e a transformação dos tecidos através do uso de extratos da natureza.

A vida da cientista política Leka Oliveira sempre foi ligada à moda, desde o início de sua carreira. E, de seu curso de formação, aprendeu que a política de trabalho em empresas convencionais não era o que queria, então buscou alternativas mais justas e saudáveis tanto no âmbito profissional, como no pessoal.

Com seu companheiro de vida e trabalho, o pesquisador Eber Lopes Ferreira, fundou, em 2008, o Atelier Etno-Botânica (www.etnobotanica.com.br), em Itamonte/MG, focada 100% no desenvolvimento de cores e estampas para tecidos, por meio de processos sustentáveis. Entre seus clientes no Brasil, estão nomes como Osklen, Gilda Midani, Vert, Flavia Aranha, Forest Soul, Il Casalingo, Iara Wisnik e Pano Social, além de marcas na França, Itália e Grécia.

A empresa cultiva plantas tintoriais, em parceria com pequenos agricultores de diferentes biomas do país, e isso promove um trabalho social, gerando renda para essas pessoas. É também a única empresa no Brasil que planta a anileira natural, cultivada para a extração do pigmento azul vegetal índigo, um dos mais antigos corantes azuis têxteis, usado na produção do tecido denim (ou jeans).

Muita gente não sabe, mas para chegar ao índigo, o processo é lento. As folhas são colocadas de molho por horas, período em que o pigmento azul desce para o fundo, formando quase um lodo. Após secar, ele trinca, como um solo ressecado, e se transforma em pedaços, que, posteriormente, darão origem ao pó corante.

Há 20 anos em São Paulo, a mineira Leka se orgulha de ter mudado de vida, por “hábitos verde escuro”, ou seja, “realmente ecológicos, não da boca para fora”. Com a mudança de consciência, também mudou a alimentação, e partiu para relacionamentos interpessoais mais saudáveis e menos estressantes. Abraçou a moda verde.

Em 2014, criou o Studio InBlue Brazil (http://www.inbluebrazil.com/), voltado exclusivamente ao tingimento natural de tecidos e elaboração de peças confortáveis e ecológicas. A empresa tem parceria com a ONG Regua (http://regua.org.br/), que promove a semeadura de árvores na Mata Atlântica: a cada peça vendida pelo InBlue Brazil, o consumidor patrocina um novo plantio de árvore naquela região, que pode ser monitorado por meio de GPS.

Leka acompanha toda a cadeia produtiva dos tecidos e corantes com os quais trabalha. O InBlue Brazil, além de fazer tingimento para outras empresas, produz camisa, camiseta, saia, saída de banho, jogo americano, toalha, cortina, almofada e outros itens. No vestuário, as peças não possuem gênero, tampouco tamanho definido. O que importa é o conforto e a liberdade, e destaca que cada peça tingida artesanalmente é única, exclusiva: “o tingimento artesanal impõe outra forma, contém os veios, as peças são tingidas uma a uma, a diferença é nítida.”

“Cores existem em diversas partes da natureza, mas há as que são boas para têxteis, como as que não são. Dentro dessa gama [boa para têxteis] estão frutos como romã, sementes como urucum, raízes como açafrão e rúbia, o pau-brasil, cuja matéria cromática, vermelha, está no cerne da árvore, assim como a taiúva (que gera quatro cores diferentes:  amarelo, laranja, verde e marrom), além de flores.”

Sobre os tecidos, Leka concorda que o algodão sustentável possui uma receptividade excelente para o tingimento natural, além de ser leve e oferecer respiro para a pele.





Ateliê Shibori+Textiles: a cultura oriental como influência no pensamento sustentável da produção têxtil

A arquiteta e designer têxtil Tatiana Polo sempre teve um pé no desenho e, outro, na natureza. Conta que desde sempre torcia o nariz para tecidos sintéticos, que para ela eram sinônimos de desconforto, não tinham a pegada tecnológica atual. Gostava de ter roupas que ela mesma desenhava. Queria ter peças com tecidos diferentes para vestir.

Em 2001, viajou para Ishikawa, terra natal de seu avô, para atuar como estagiária em um ateliê de pintura em quimonos. “O Japão é um país com forte tradição em processos manuais têxteis, tingimentos naturais e tintura índigo. Os artistas e artesãos da área têm um relacionamento muito bacana entre si, então tive a oportunidade de conhecer amigos de meu professor que trabalhavam com índigo e tingimento vegetal, e visitar lugares.”

Foi lá que teve sua estreia com tingimento à base de extrato vegetal, e participou do primeiro workshop com tintura índigo natural. “Foi uma imersão em diversos aspectos, pois já havia a questão do uso do algodão sustentável, praticavam diversas formas de reciclagem, de roupas a lixo. Pude conhecer o trabalho da People Tree, que tem um olhar consciente sobre consumo e produção há décadas. O tema da reutilização sempre foi importante, dentro da cultura japonesa, muito devido à guerra, por ser um país isolado”, explica.

Por conta da viagem, Tatiana teve a vivência em diferentes processos, entre eles o Shibori, prática tradicional japonesa de tingimento formado com dobra e costura do tecido, do qual se utiliza desde 2002, e dá parte do nome a sua marca, o Ateliê Shibori+Textiles (https://www.facebook.com/shibori.tati/). Ao método, ela incorporou outras técnicas, como a impressão de plantas em tecidos.

A designer diz que no início teve de correr atrás de muita informação para entender o tingimento natural. Foram anos até migrar definitivamente para o uso dos corantes naturais.

Para produzir suas tinturas, Tatiana recorre a matérias brasileiras, ou o que o entorno de uma cidade como São Paulo oferece, como cascas que o mercado descarta, folhas, sementes e flores. Frequenta parques locais para coletar folhas e flores que caem de árvores. “É interessante porque a sua relação com a cidade, com a natureza e com a vida se modifica e se amplia por meio desses processos. E penso que é aí que se reestabelece uma reconexão, pois me torno atenta aos ciclos da vida através da observação, da vivência, e tenho que saber respeitá-los, conhecer os materiais que uso e isso só tende a se ampliar.”

Como tecidos, Tatiana usa algodão e seda, e lamenta que artistas e artesãos, de produção limitada, ainda esbarrem na dificuldade de acesso a um produto de origem mais sustentável, por conta da falta de oferta e preço.

Ela explica que o processo da tinturaria vegetal em si é lento, é necessário paciência e dedicação. São no mínimo duas horas para extração e tingimento, fora os processos de obtenção da estamparia.

E lembra que o cuidado na construção de um produto tão elaborado precisa também desse olhar do consumidor. “O ideal é que [peças que recebem tingimento natural] sejam lavadas manualmente, com sabão neutro, secadas à sombra e guardadas, preferencialmente, enroladas em uma folha de seda.”



Flávia Aranha: valorizando a moda através do trabalho manual e de soluções sustentáveis 

Outra personagem de peso nesse mercado de tingimento natural é a estilista Flavia Aranha (http://flaviaaranha.com/), que começou sua carreira na grande indústria, mas logo percebeu que seu caminho era outro. Descobriu o tingimento natural, insumos para trabalhar de forma sustentável e consciente, e deu uma guinada para outras formas de produzir moda.

Por meio de referências familiares, cresceu em contato com bordados da Ilha da Madeira (Portugal) e rendas do Nordeste, ao mesmo tempo em que assistia a mãe cuidar da horta da fazenda da família, no interior de São Paulo. Numa viagem de pesquisa ao Oriente, encantou-se com a alegria das pessoas e as cores dos tecidos indianos, tingidos com técnicas ancestrais. “Quando voltei ao Brasil, resolvi seguir o caminho de uma confecção natural, responsável e que valoriza o trabalho manual e as pessoas que o realizam”.

A estilista se utiliza de vários materiais para tingir as peças, entre eles, pó de café, cascas de cebola roxa e cascas de romã. Em sua coleção mais recente, verão 2018, as roupas foram tingidas com serragem de pau-brasil, crajiru, eucalipto, macela, arroz negro, ipê roxo, cebola amarela, tango, chá preto, carqueja e aroeira.

Ela busca suas matérias primas nos lugares mais inusitados. “Temos diversas possibilidades, parceria com restaurantes locais para colher as sobras de alimentos da preparação; a serragem do pau-brasil, por exemplo, vem de uma parceria de uma fábrica de violinos do Espírito Santo, e por aí vai. Todos têm possibilidade de adquirir cor no cotidiano, também aprendi a olhar para o que seria lixo e colorir minhas peças.”

É regra no tingimento natural a preocupação com o meio ambiente e com quem produz os materiais que são usados. Nessa toada, a estilista alia fazeres tradicionais de povos ancestrais com tecnologia, o que favorece muito a cadeia produtiva. “Acredito que o comportamento de consumo deve ser consciente e ater-se a esse movimento é valorizar não só o produto final, como também, seus materiais, e, especialmente, quem o produziu.”

Para acompanhar a cadeia produtiva dos tecidos que utiliza, Flavia mantém parcerias. Uma delas é a cooperativa Amaria, de Mayumi Ito, em Muzambinho, Minas Gerais, que tece e tinge algodão e seda artesanalmente. Outra é a Natural Cotton Color, de onde ela adquiriu produtos feitos com o algodão colorido da Paraíba. Além disso, desde o final de 2016, todas as peças que a estilista comercializa possuem uma etiqueta com QR-code, com acesso a pequenos filmes apresentando todo o processo de produção, que começa na colheita do algodão sem agrotóxicos, presente em 50% do que vai para as araras na hora da comercialização.

Soluções não faltam para uma produção de moda mais sustentável. Por estes exemplos, concluímos que sozinhos não chegamos a nenhum lugar. A sustentabilidade da cadeia requer colaboração, parcerias e construção conjunta de objetivos e propósitos, alinhados com a consciência do consumidor, cada vez mais antenado, criterioso e exigente em relação à origem dos produtos que adquire. É um caminho sem volta, e o meio ambiente agradece!

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Cuidados

Se você é observador, já deve ter notado que a grande maioria dos bebezinhos e dos vovozinhos e vovozinhas usam roupas de algodão, e não é à toa. A pele mais sensível e delicada pede um tecido mais suave e que permita a pele respirar. E quando falamos na saúde e conforto da mulher, o assunto é ainda mais delicado. A peça que você não vê pode esconder problemas que só quem tem sabe o sofrimento que é. E no mês de prevenção ao câncer de mama, lembramos também que a saúde da mulher não se concentra somente no alvo da campanha.

Algodão 100% e qualidade de vida são palavras que andam juntas. Feito com fibra natural, o tecido garante que o corpo respire melhor, além de a maciez evitar atritos e possíveis problemas para a pele.

O médico Gustavo Pinto Corrêa, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia do Rio Grande do Sul, respalda a importância da fibra para a pele: “o algodão tem a capacidade de se adaptar à temperatura interna do corpo, o que não ocorre com os tecidos sintéticos, que se adaptam à temperatura externa, ou seja, se faz calor, eles aquecem e, se faz frio, eles esfriam.” E o ideal é que ocorra justamente o contrário, como faz o algodão. Além disso, segundo o médico, o uso do algodão é importante porque permite que as regiões genital e da virilha se mantenham mais arejadas, possibilitando a evaporação de suor e a drenagem de secreções.

Ana Claudia Gurgel, gerente de Produto da DelRio, uma das três maiores empresas de lingerie do Brasil, explica que as fibras naturais, como o algodão, têm como característica principal o conforto térmico, o que chamam de respirabilidade, ou seja, permite que o ar que vem de fora penetre na peça, dando uma sensação mais fresca e ainda evite odores desagradáveis. “O fato de ser antialérgico também é um ponto muito positivo, que faz a demanda pela fibra ser sempre importante.”

Há cerca de 50 anos, a marca de roupas íntimas femininas criava seu primeiro sutiã confeccionado em 100% algodão, tecido plano, totalmente sem elasticidade. Atualmente, os produtos de algodão da empresa representam 30% de sua produção mensal, de 3,5 milhões de peças. Ou seja, são mais de 1 milhão de itens feitos com a fibra natural.

A fábrica da DelRio fica no distrito de Maracanaú, no Ceará. Lá, 3.500 colaboradores produzem tecido, bojo e elástico para as roupas íntimas, que são comercializadas em todos os estados brasileiros, em grandes magazines e outros 20 mil pontos de vendas especializados, além de em alguns países da América Latina.




Fibra natural insuperável

Para a DelRio, apesar de a tecnologia ter avançado de forma considerável nos fios sintéticos, fazendo com que alguns deles exerçam um papel parecido com o do algodão, essa evolução ainda não conseguiu superar o fio natural. “O fato é que a classe médica sempre viu com bons olhos a fibra de algodão, e até recomenda pelos mesmos motivos citados acima (respirabilidade, hipoalergênico, maciez, durabilidade, resistência a altas temperaturas etc.),e nada como o toque de uma fibra verdadeiramente natural”, diz Ana Claudia.

É verdade. O uso de calcinhas feitas em algodão podem ajudar a evitar alergias e algumas doenças. “O tecido de algodão, ao contrário dos sintéticos, normalmente não causa irritações, e por não reter suor, deixando a região íntima mais ventilada, ajuda a prevenir infecções, candidíase e outros fungos, que podem ocorrer também na virilha”, esclarece Corrêa. Ele alerta ainda para os cuidados com a lavagem das peças, que deve ser feita sempre com sabão neutro, muito bem enxaguadas, e evitar o uso de alvejantes e amaciantes, pois estes podem irritar a pele.

Atualmente, todas as calcinhas e sutiãs com bojo estruturado DelRio têm nos seus forros a malha 100% algodão. “Isso garante maior sensação de frescor nas áreas mais delicadas e ainda evita problemas de alergias”, diz Ana Claudia.

A médica Tatiana Gabbi, assessora da Sociedade Brasileira de Dermatologia, faz coro. “O algodão é um tecido natural com alto poder de absorção de umidade. A vantagem desse tipo de tecido nas peças íntimas é permitir que haja absorção da transpiração e ventilação. Com isso, reduz-se a umidade e o calor no local. A umidade e o calor criam um ambiente propício para o desenvolvimento de fungos e bactérias. Além disso, o calor e a umidade pioram situações em que existe excesso de atrito (assaduras). Por ser um tecido natural, é recomendado para quem sofre com alergias.”

Aliás, as peças íntimas feitas com algodão são a melhor opção na hora de a mulher fazer atividade física, pois a prática de exercício aumenta a temperatura do corpo. “É natural que o corpo transpire mais com o objetivo de reduzir a temperatura elevada. Além disso, os movimentos repetitivos do exercício levam a um maior atrito do corpo com os tecidos das roupas”, afirma Tatiana. Assim, fica a dica: aposte sempre no algodão!


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