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Algodão e Sustentabilidade

Você já se perguntou quem fabrica os fios que formam os tecidos que vestimos? Antes de virar uma peça de roupa, o algodão passa por vários processos. O primeiro deles, após a colheita, é o beneficiamento, a separação da pluma e do caroço. A partir daí, entra na cadeia têxtil, e o primeiro elo de transformação é a fiação. Dela, parte para a tecelagem, que fabrica o tecido plano da camisa, do jeans ou do lençol, ou para a malharia, que produz a malha macia camiseta que adoramos. Depois, segue para a tinturaria ou estamparia, para a confecção e chega à prateleira nas diversas formas que conhecemos: da toalha de banho ao vestido leve do verão, à roupinha do bebê, à cortina da sala, ao jeans essencial do nosso guarda-roupa, e até ao tênis que nos dá a liberdade do look casual do fim de semana.

A empresa de fiação Norfil nasceu em 1989, com a união de duas famílias em João Pessoa, na Paraíba. O que começou apenas como um projeto de fabricar fios, transformou-se num império de produção limpa e sustentável, em um trabalho que acrescentou, ao sonho, o cultivo do algodão.

No início, a empresa comprava algodão e o transformava em fio, mas o crescimento inevitável, aliado a uma época novamente propícia à plantação de algodão no Brasil – muito pelo trabalho feito pela Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão) -, em 2004, a Norfil expandiu sua atuação e passou ao cultivo da fibra em duas fazendas no oeste da Bahia, no município de São Desidério. Lá, 100% do cultivo é direcionado para o centro de fiação em João Pessoa, que emprega 750 funcionários e exibe números de crescer os olhos. Atualmente, a produção chega a 2.500 toneladas de fio por mês, frente às 300 toneladas produzidas lá atrás, em 1989.

“A produção das duas fazendas atende entre 50% a 60% de nossa necessidade no parque fabril, o restante compramos de outros fornecedores”, explica Ariel Horovitz, diretor comercial da Norfil.

No Brasil, a Norfil foi a indústria pioneira em obter o licenciamento BCI (Better Cotton Initiative), uma organização suíça sem fins lucrativos que promove a produção de algodão sustentável em todo o mundo. Com isso, durante três anos, eles foram os únicos representantes da indústria nacional associados à BCI. No Brasil, o programa ABR, da Abrapa (Algodão Brasileiro Responsável) atua em benchmarking com a BCI, para garantir que a produção brasileira de algodão seja feita respeitando os três pilares de sustentabilidade: social, ambiental e econômico. Além disso, têm certificação da OEKO-TEX®, que oferece ao usuário total garantia de não contaminação por produtos químicos nocivos à saúde, por meio do fio de algodão.

Segundo Horovitz, a Norfil sempre foi uma referência em fiação sustentável desde sua fundação, pois isso era um dos pilares da empresa e um foco do trabalho. “A sustentabilidade é um mundo em que você vai adentrando e vendo o quanto é possível fazer mais, melhor e sem perder rentabilidade nenhuma. Esse olhar mais aprofundado foi despertado com a nossa entrada na BCI, cerca de quatro anos atrás, embora as práticas da empresa já contemplassem a sustentabilidade e o bem-estar dos trabalhadores.”

É mais ou menos assim: a Norfil já empregava técnicas de trabalho e práticas nas quais acreditava serem as mais corretas e benéficas, mas desconhecia que elas eram justamente os métodos sustentáveis tão importantes para as certificações internacionais, e que agregam valor e responsabilidade.

Sustentabilidade do início ao fim 

A Norfil tem um modelo de ciclos de vida dos subprodutos muito interessante, reaproveitando ou comercializando tudo que não vira produto, durante o processo de fiação. Tudo tem um destino. Por exemplo, os resíduos de fios nobres de algodão se transformam em outros menos nobres, e aqueles que não conseguem ser aproveitados na fabricação de um novo fio, servem para ração animal. Outro caminho é a indústria farmacêutica, que trata esse material, para deixá-lo extremamente limpo e branco, e o transforma no algodão vendido em farmácias, aqueles para limpeza de pele ou encontrados nas hastes flexíveis. Quem diria, não é mesmo? O produto que conhecemos como algodão é, na realidade, um dos subprodutos do próprio algodão, no processo de beneficiamento e fabricação de produtos!

Mas não para por aí. Quando os fardos de algodão chegam das fazendas, são prensados e amarrados com arames, para que fiquem num tamanho viável ao transporte. Esse arame, depois de cortado, é vendido para a construção civil.  As caixas de papelão igualmente são vendidas para empresas de reciclagem.  Ou seja, o ciclo contempla diferentes formas de utilização e reciclagem. “Nada se perde. É uma indústria extremamente limpa”, afirma Ariel.

Quando falamos sobre sustentabilidade, isso inclui também pessoas, condições e ambiente de trabalho, refeitório, alimentação, área de descanso e benefícios. O objetivo é alcançar as condições ideais em todas as áreas, pois uma força de trabalho mais comprometida e satisfeita com a empresa  gera resultados e eficiências melhores.

“Hoje nós enxergamos que esses pontos, tanto nas práticas industriais, como na qualidade de vida do trabalhador, são diferenciais da Norfil frente à concorrência.”

 

Um algodão melhor para todos 

A Norfil acredita na sustentabilidade e busca estimular as empresas nacionais a usarem o algodão cultivado de forma responsável. Como? Além de qualidade, oferecendo um produto certificado, e pelo mesmo preço de antes, quando eles ainda não tinham toda essa excelência em sustentabilidade. No mercado, a indústria busca o menor preço. Pensando nisso, o desafio da empresa é sempre criar um produto que chegue à prateleira com o menor impacto de custo por ter sido produzido de forma sustentável. “Nem sempre custa mais caro. Há possibilidade de fazer melhor, com custos iguais, ou até melhores. É preciso pensar na conta global, em que você paga um pouco a mais hoje para pagar menos lá na frente.”

Para a marca, o movimento Sou de Algodão, da Abrapa, é muito importante, até porque a Norfil é uma das poucas fiações 100% algodão, não mistura nenhum outro tipo de fibra em seu processo. Portanto, ela torce para que o movimento cresça, consiga influenciar o mercado e gerar um consumo maior de algodão para a cadeia têxtil. “Porque é um produto nobre, agradável ao corpo. Acho que vai crescer e vai dar certo.”, afirma Horovitz.

 Além do parque fabril e das fazendas produtoras de algodão 100% sustentável, o grupo que engloba essas atividades ainda possui uma marca de moda masculina que produz peças feitas totalmente em algodão. A Highstil possui 23 lojas espalhadas por vários estados do país e oferece um produto de altíssima qualidade, que prioriza conforto e elegância desenhados para tecidos feitos com esta fibra.

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